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Igreja de São Miguel do Castelo (Guimarães)

Igreja de São Miguel do Castelo, em Guimarães: capela românica do século XIII, sagrada em 1239, junto ao castelo; o batismo de Afonso Henriques é lenda.

Perguntas frequentes Fontes
Igreja de São Miguel do Castelo em granito, com a fachada de empena, o portal de arco de volta perfeita, uma fresta estreita sobre a porta e a cachorrada na fachada lateral, sob céu azul
Krzysztof Golik, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Oliveira, São Paio e São Sebastião, Guimarães, Braga
Construção
Construída nas primeiras décadas do século XIII; sagrada em 1239; restauros de 1874-1880 e da DGEMN (séculos XIX e XX)

A Igreja de São Miguel do Castelo (também chamada Capela de São Miguel) ergue-se no Monte Latito, ao lado do Castelo de Guimarães e do Paço dos Duques de Bragança, na freguesia de Oliveira, São Paio e São Sebastião. É uma pequena igreja românica tardia, Monumento Nacional desde 1910, que o registo oficial situa no século XIII. A tradição que a fez célebre, o batismo de D. Afonso Henriques, é uma lenda; o que se pode documentar é uma história bem mais prosaica de disputas entre instituições e de restauros.

A lenda e o que se sabe

Uma corrente historiográfica nacionalista, herdeira do Romantismo oitocentista, perpetuou a ideia de que foi nesta capela que Afonso Henriques foi batizado. O registo do Património Cultural, I.P. refere que essa leitura procurava ligar o monumento a um facto histórico ao gosto da época e que, ao exaltar a antiguidade da igreja, a fazia recuar a um primitivo complexo palatino da condessa Mumadona Dias, na viragem do século IX para o X. Afastada essa interpretação, o edifício que hoje existe é do século XIII, construído durante as primeiras três décadas da centúria.

A igreja nasceu por iniciativa da Colegiada de Guimarães, num momento de querela com o arcebispo de Braga, que chegou ao confronto armado, e a decisão de construir um templo escapou à autoridade do prelado. Isto ajuda a explicar o carácter modesto da obra. O registo acrescenta que o edifício foi, ainda assim, sagrado pelo próprio arcebispo, em 1239. O Paço dos Duques de Bragança precisa que o documento mais antigo que a menciona é de 1216, que a data de 1239 vem de uma inscrição hoje desaparecida e que o templo aparece como São Miguel nas Inquirições de 1258 e como Santa Margarida em 1285.

Uma igreja pobre e compacta

O registo, apoiado em Manuel Monteiro, lê na simplicidade da igreja o seu estatuto secundário: aparelho de silhares pouco cuidados, quase nenhuma decoração, muros compactos, luz escassa vinda de estreitas frestas e uma planta de nave única com capela-mor justaposta. Seria, até certo ponto, uma construção à margem da ação normalizadora do arcebispado. Estilisticamente, a data de 1239 mostra um românico já tardio, numa altura em que o gótico começava a despontar no país. Para o enquadramento, veja a página sobre a arquitetura românica em Portugal.

Segundo o Paço dos Duques, é uma pequena igreja de granito local, de nave retangular e abside retangular, com teto de madeira, três portas e seis frestas. Das doze cruzes de consagração, dez continuam visíveis. Na fachada ocidental há dois arcossólios (nichos funerários), que se julga conterem o chantre Martim Pais (m. 1223) e o procurador João Anes Enxate. A igreja serviu durante séculos de local de enterramento e, na Idade Média, sob o seu pórtico reuniam-se sessões da administração local.

Ruína e restauros

Em 1872 ruíram o campanário e parte da fachada principal. O registo diz que, na década de 1870, o templo estava em ruína quase total e que uma comissão de notáveis de Guimarães, reunida em torno da Sociedade Martins Sarmento, o restaurou; o Paço dos Duques data o restauro de 1874 a 1880, pago por subscrição pública, subsídio do Governo e donativo de Francisco Martins Sarmento, e indica que o arco da capela-mor atual vem dessa intervenção.

No século XX a DGEMN fez aqui uma das suas primeiras ações de restauro, segundo a teoria da unidade de estilo: suprimiu os elementos não medievais, em especial os altares barrocos da nave, retirou o campanário, entaipou portas e janelas abertas ao acaso no século XIX e colocou os modilhões que sustentam o tímpano do portal principal. O Paço regista obras em 1928 (demolição de uma sacristia e reparação do telhado) e em 1938-1940. Quem entra encontra, portanto, uma igreja que o século XX quis devolver a um aspeto medieval, mais do que um edifício intocado.

A pia batismal

A pia associada à tradição do batismo esteve em São Miguel até 1664, quando o prior Diogo Lobo da Silveira a levou para a igreja de Nossa Senhora da Oliveira; voltou ao local de origem em 1927, segundo o Paço dos Duques. A tradição é a que sustenta o interesse da peça: a cronologia do edifício, do século XIII, não coincide com a do primeiro rei, que viveu no século XII. Na página do Castelo de Guimarães o mesmo ponto é tratado a propósito do nascimento de Afonso Henriques.

Classificação

É Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, é a do conjunto Castelo, Igreja de São Miguel e Paço dos Duques, fixada pela Portaria de 15 de abril de 1955 (Diário do Governo, II série, n.º 170, de 23 de julho de 1955); o registo refere também uma portaria de 24 de novembro de 1951 (Diário do Governo, II série, n.º 103, de 30 de abril de 1952). O texto do decreto de 1910 é uma digitalização de imagem que não conseguimos transcrever. O registo indica como outra classificação o Centro Histórico de Guimarães e Zona de Couros, ou seja, o conjunto descrito na página sobre Guimarães; não confirmámos, porém, que a igreja esteja dentro dos limites exatos da inscrição da UNESCO, pelo que não a apresentamos como bem inscrito por si.

Preparar a visita

Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página da igreja no sítio do Paço dos Duques de Bragança indicava os contactos do Paço (telefones +351 253 412 273, +351 253 423 912 e +351 253 423 918; correio [email protected]), mas não publicava horário nem preço para a igreja, remetendo para a página de horários e bilhética do Paço. Confirme essa informação em pacodosduques.gov.pt antes de se deslocar. A igreja fica a poucos passos do castelo; para a cidade, veja Guimarães e a página do Norte.

Fotografia de Krzysztof Golik, de 18 de fevereiro de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

D. Afonso Henriques foi mesmo batizado em São Miguel do Castelo?
É uma tradição, não um facto documentado. O registo do Património Cultural, I.P. descreve-a como uma lenda de corrente historiográfica nacionalista e lembra que a igreja que hoje existe é do século XIII, construída nas primeiras três décadas desse século, portanto muito depois do tempo do primeiro rei.
Quando foi construída e sagrada a igreja?
Segundo o registo, a igreja é do século XIII, erguida por iniciativa da Colegiada de Guimarães, e foi sagrada pelo arcebispo de Braga em 1239. O Paço dos Duques de Bragança indica que o documento mais antigo que a refere é de 1216 e que a data de 1239 vem de uma inscrição hoje desaparecida.
A igreja é Monumento Nacional?
Sim. O Atlas do Património Classificado indica o Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A zona especial de proteção, partilhada com o Castelo e o Paço dos Duques, consta de portaria de 15 de abril de 1955.
Onde está a pia batismal?
Segundo o Paço dos Duques de Bragança, a pia foi levada em 1664 para a igreja de Nossa Senhora da Oliveira e regressou a São Miguel em 1927. É a ela que a tradição liga o batismo de Afonso Henriques.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de São Miguel do Castelo (70512)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2287)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, de 23 de junho de 1910)
  4. Paço dos Duques de Bragança — Igreja de S. Miguel
  5. Wikidata — Igreja de São Miguel do Castelo (Q3780680)

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