- Início
- Tipologias do património edificado
- Igrejas matrizes e paroquiais de Portugal
- Igreja do Menino de Deus (Lisboa)
Monumentos
Igreja do Menino de Deus (Lisboa)
Igreja do Menino de Deus, em Lisboa: templo barroco de 1711–1736 atribuído a João Antunes, com planta de octógono irregular, mármores e tetos pintados.
- Localização
- Lisboa, Lisboa
- Construção
- 1711–1736
A Igreja do Menino de Deus ergue-se junto ao Castelo de São Jorge, no largo com o mesmo nome, na freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa. Começou a ser construída em 1711, no reinado de D. João V, para a Ordem Terceira de São Francisco. O interior combina uma planta pouco comum com mármores policromos e pintura de teto em perspetiva, e é um exemplo claro da arquitetura barroca da capital.
Uma planta pouco comum
A SIPA descreve uma planta longitudinal composta por um octógono irregular, que resulta do chanfro dos ângulos de um quadrado, e por um retângulo, a capela-mor. O conjunto é coberto por telhado de estrutura piramidal. O mesmo registo vê aqui um dos primeiros edifícios religiosos do início do século XVIII a optar por esta combinação de octógono irregular e retângulo justapostos, e pelo uso de mármores em alternância cromática.
Convém dizer o que o registo não diz. Não descreve uma cúpula sobre a nave, nem fala de influência italiana na arquitetura. A única cúpula que refere é a da sacristia, uma cúpula semicircular coroada por um zimbório alto. A presença italiana está nas esculturas: as duas estátuas de mármore da capela-mor, de São Domingos e de São Francisco, são atribuídas ao escultor João António Bellini, de Pádua.
Da primeira pedra à inauguração
Segundo a cronologia da SIPA, em 1710 adquiriu-se um terreno para a igreja, destinada a instalar a Ordem Terceira de São Francisco, que estava em Xabregas. A primeira pedra foi lançada a 4 de julho de 1711. A planta é atribuída a João Antunes; as obras foram dirigidas por João Frederico Ludovice e por Custódio Vieira. A comunidade já ocupava o local em 1719, mesmo sem o edifício estar pronto. O templo foi inaugurado em 1736, com a presença da família real.
A igreja sofreu pouco no terramoto de 1 de novembro de 1755 e serviu de sede a várias paróquias cujos templos tinham sido destruídos. Em 1847 um incêndio danificou muito o edifício, sem atingir de forma significativa a igreja. Em 1910, com a República, foi encerrada, e parte do património móvel foi saqueada e dispersa. Desde 1945, uma comunidade de religiosas de São José de Cluny ocupa as dependências conventuais e zela pelo templo.
Fachada e interior
A fachada principal, toda em cantaria, tem três corpos separados por pilastras, e os laterais serviriam de base a duas torres que nunca passaram do limite do corpo central. O portal abre-se no topo de uma escadaria de dois lanços e é ladeado por duas colunas coríntias.
No interior, oito capelas em arco de volta inteira, com tribunas por cima, abrem-se em paredes animadas pela alternância de mármores polícromos. Os retábulos são de talha, e há pintura atribuída a André Gonçalves a partir de desenhos de Vieira Lusitano, de Inácio de Oliveira Bernardes e de André Rubira. O teto tem pintura em trompe l’oeil, com quadraturas que convergem para um painel central, a Glorificação de São Francisco, com as virtudes nos cantos. Na capela-mor destacam-se o retábulo de cantaria com trono de talha dourada e telas de Vieira Lusitano e de André Rubira. Dois destes painéis foram restaurados com apoio do World Monuments Fund, em 2001. Para o contexto, veja talha dourada e pintura barroca portuguesa.
Classificação
A igreja é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 5 046, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 268, de 11 de dezembro de 1918. Está incluída na zona de proteção do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa. A SIPA indica propriedade pública do Estado e afetação ao Patriarcado de Lisboa, por auto de entrega de 28 de setembro de 1942.
Para outro templo lisboeta ligado ao nome de João Antunes, veja a Igreja de Santa Engrácia.
Como visitar
A igreja tem uso religioso. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos um horário oficial de visita nem de culto numa fonte do Patriarcado de Lisboa ou da Direção-Geral do Património Cultural, por isso o horário não é aqui indicado. Confirme-o junto da paróquia ou do Patriarcado antes de ir. A morada indicada pela SIPA é o Largo do Menino Deus.
Fotografia de Miguel Torres, de 17 de setembro de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- A Igreja do Menino de Deus tem cúpula italiana?
- Não há fonte oficial que o diga. A SIPA descreve uma planta longitudinal composta por um octógono irregular e um retângulo, coberta por telhado de estrutura piramidal. A única cúpula referida é a da sacristia. O que a SIPA regista de italiano é a atribuição das estátuas de mármore da capela-mor a João António Bellini, de Pádua.
- Quando foi construída?
- A primeira pedra foi lançada a 4 de julho de 1711, no reinado de D. João V, e o templo foi inaugurado em 1736, com a presença da família real.
- Quem foi o arquiteto?
- A planta é atribuída a João Antunes. As obras foram dirigidas por João Frederico Ludovice e Custódio Vieira, segundo a cronologia da SIPA.
- É Monumento Nacional?
- Sim, pelo Decreto n.º 5 046, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 268, de 11 de dezembro de 1918.
Fontes
- SIPA — Convento da Ordem Terceira da Penitência / Convento e Igreja do Menino Deus (IPA.00004801), cópia arquivada de 2020
- Património Cultural, I.P. — Igreja do Menino de Deus (registo 70522, NINV 3304), cópia arquivada de 2022
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (NINV 3304)
- Diário do Governo — Decreto n.º 5 046, de 11 de dezembro de 1918
- Wikidata — Igreja do Menino Deus (Q5994334)
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
lugaresLisboaPatrimónio de Lisboa: da Torre de Belém e do Mosteiro dos Jerónimos à Baixa Pombalina, Alfama e ao Castelo de São Jorge, na capital portuguesa.
periodosArquitetura e Arte Barroca em PortugalA arquitetura e arte barroca em Portugal (séculos XVII-XVIII): da sobriedade do estilo chão à opulência joanina da talha dourada, do azulejo e de Mafra.
igrejasIgreja de Santa Engrácia / Panteão NacionalIgreja de Santa Engrácia, em Lisboa: obra-prima do Barroco de planta centralizada e atual Panteão Nacional, onde repousam vultos da pátria.
periodosTalha DouradaA talha dourada portuguesa: escultura em madeira revestida a folha de ouro nos retábulos barrocos, do estilo nacional ao joanino e ao rococó.
artesPintura Barroca PortuguesaA pintura barroca portuguesa dos séculos XVII e XVIII, de André Reinoso e Josefa de Óbidos a Vieira Lusitano e Domingos Sequeira, em Portugal.
castelosCastelo de São JorgeCastelo de São Jorge, a cidadela medieval que coroa a colina mais alta de Lisboa, de raízes muçulmanas e conquistada por D. Afonso Henriques em 1147.