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Igreja dos Grilos (Porto)

Igreja dos Grilos ou de São Lourenço, no Porto: colégio jesuíta de 1577, fachada maneirista, abóbada de caixotões, museu de arte sacra e Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada maneirista da Igreja dos Grilos, no Porto, em granito, com frontões, pilastras, três portas no registo inferior e brasão no registo superior
Jsamwrites, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Porto, Porto
Construção
Obras iniciadas em 1577; agostinhos descalços desde 1780

A Igreja dos Grilos, ou Igreja de São Lourenço, domina o Largo do Colégio, junto à Sé do Porto. É a igreja do antigo colégio jesuíta de São Lourenço e um dos principais exemplos do maneirismo na cidade. O nome popular vem de uma alcunha dada aos agostinhos descalços, que a ocuparam a partir de 1780. Hoje o conjunto acolhe o Museu de Arte Sacra e Arqueologia da Diocese do Porto.

Do colégio jesuíta aos Grilos

O registo do Património Cultural, I.P. data o início da construção de 1577, em estilo maneirista. Segundo a Diocese do Porto, o projeto é do arquiteto jesuíta Baltazar Álvares. A mesma fonte descreve um edifício de equilíbrio particularmente harmonioso, de estrutura maneirista com influência já barroca, e uma igreja dedicada ao diácono e mártir São Lourenço de Huesca.

A alcunha «Grilos» é atribuída pela Diocese aos agostinhos descalços, proprietários da igreja e do colégio desde 1780. Depois da instalação do seminário, o conjunto aparece no registo oficial com as designações de Igreja e Colégio de São Lourenço e de Seminário Maior da Sé do Porto (Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição). Não explorámos nas fontes consultadas a cronologia intermédia entre 1780 e a instalação do seminário.

A fachada e o interior

A fachada monumental tem dois registos, em que se acumulam frontões, entablamentos, cornijas, pilastras e janelas. No primeiro abrem-se três portas com frontões, a do meio com um portal de colunas coríntias geminadas assentes em pedestais. Ao centro, entre pilastras toscanas, surge a divisa da Companhia de Jesus; no segundo registo, por cima da janela central, está o brasão de Frei Luís Álvares de Távora, rematado por uma cruz de Malta sobre pedestal. O registo refere ainda as torres, com grandes volutas e cúpulas em tijolo.

Dentro, a nave é coberta por uma abóbada de granito de volta perfeita, em caixotões, e as paredes são sustentadas por largas pilastras toscanas com nichos no alto, onde estão imagens de Evangelistas e Apóstolos em barro pintado. Pilastras clássicas enquadram o arco triunfal, sobre o qual um frontão complexo, com motivos jesuíticos e flamengos, é interrompido pelo nicho de São Lourenço. A capela-mor também tem abóbada de caixotões, com cartelas guarnecidas de pedras, e pilastras jónicas de fuste canelado com estuques decorativos. Há aí um painel de João Baptista Ribeiro e uma imagem de Santo Inácio, que o registo diz ser única na cidade. A sacristia tem teto de madeira apainelada, um retábulo e quatro quadros com boa talha rococó do final do século XVIII.

Para ver outros interiores religiosos do Porto, compare a Igreja de São Francisco, de talha dourada, e a barroca Igreja e Torre dos Clérigos.

O museu

Segundo a Diocese do Porto, o então Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição inaugurou, a 9 de março de 1958, o Museu de Arqueologia e Arte, por iniciativa de D. Domingos de Pinho Brandão, na altura reitor. Desde 1970 chama-se Museu de Arte Sacra e Arqueologia, e em 2020 acrescentou-se o nome do fundador, a propósito do centenário do seu nascimento. Está instalado numa ala seiscentista do antigo Colégio de São Lourenço, com a portaria, a escadaria, o grande salão e um corredor abobadados em granito. O antigo «corredor das lousas» é hoje uma galeria de escultura religiosa dos séculos XIII a XIX; a coleção inclui ainda pintura, iluminura, ourivesaria, medalhística, vestes e alfaias litúrgicas e arqueologia.

Classificação

O conjunto está classificado como Monumento Nacional com a designação Igreja e Convento dos Grilos, incluindo o seu recheio, pelo Decreto n.º 28/82, publicado no Diário da República, I série, n.º 47, de 26 de fevereiro de 1982. O campo «Outra classificação» do registo remete para o Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar, bem inscrito pela UNESCO em 1996. A UNESCO não lista os edifícios um a um na base de dados consultada, pelo que o que podemos afirmar é a indicação do registo português; confirme o perímetro nos documentos do bem. Veja o Centro Histórico do Porto, a Sé do Porto e a cidade do Porto.

Preparar a visita

O telefone do museu é o 223 395 020. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Diocese do Porto indicava o horário de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 17h00 (última entrada às 16h30), e ao sábado das 10h00 às 12h30 (última entrada às 12h00) e das 13h30 às 18h00 (última entrada às 17h30), com encerramento aos domingos e feriados. Não encontrámos preço de bilhete nem informação sobre a abertura da igreja a visitantes, pelo que deve confirmar ambos junto da Diocese ou do museu antes de se deslocar.

Fotografia de Jsamwrites, de 17 de setembro de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Porque se chama Igreja dos Grilos?
A Diocese do Porto atribui a alcunha aos agostinhos descalços, proprietários da igreja e do colégio desde 1780. A igreja é dedicada a São Lourenço e fazia parte do antigo Colégio de São Lourenço, da Companhia de Jesus.
Quando começou a construção?
O registo do Património Cultural, I.P. data o início da construção de 1577, em estilo maneirista. A Diocese do Porto indica como autor o arquiteto jesuíta Baltazar Álvares.
Qual é a classificação?
Monumento Nacional, como Igreja e Convento dos Grilos, incluindo o seu recheio, pelo Decreto n.º 28/82, de 26 de fevereiro de 1982.
Há um museu no edifício?
Sim, o Museu de Arte Sacra e Arqueologia da Diocese do Porto, instalado numa ala seiscentista do antigo colégio e inaugurado em 1958. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Diocese indicava abertura de segunda a sábado, com horário reduzido ao sábado.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja e Convento dos Grilos, incluindo o seu recheio (70400)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3749)
  3. Diário da República — Decreto n.º 28/82, de 26 de fevereiro
  4. Diocese do Porto — Museu de Arte Sacra e Arqueologia
  5. Wikidata — Convento dos Grilos (Q5994345)
  6. Wikimedia Commons — Jsamwrites, Exterior view of Igreja dos Grilos 01 (CC BY-SA 4.0)

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