Arqueologia

Gravuras rupestres de Mazouco

As gravuras rupestres de Mazouco, em Freixo de Espada à Cinta, com o célebre cavalo paleolítico — a primeira arte rupestre ao ar livre reconhecida em Portugal.

Gravuras rupestres de Mazouco
RonnieV, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

As gravuras rupestres de Mazouco encontram-se gravadas em afloramentos de xisto nas escarpas que descem para o rio Douro, junto à pequena povoação de Mazouco, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança. Embora conhecidas de longa data pelas populações locais, foram dadas a conhecer ao meio científico em 1981, tornando-se a primeira estação de arte rupestre paleolítica ao ar livre identificada em Portugal — e uma das primeiras reconhecidas em toda a Europa. Foram classificadas como Imóvel de Interesse Público em 1983.

O cavalo de Mazouco

A figura central do conjunto é um cavalo gravado a contorno, com cerca de 62 cm de comprimento por 37,5 cm de altura. A linha firme e bem definida do traçado sugere uma certa dinâmica nas patas e um notável rigor descritivo, qualidades que fazem do “cavalinho de Mazouco” uma das imagens mais conseguidas e celebradas da arte rupestre paleolítica ao ar livre. A par desta figura, o painel inclui outros dois motivos zoomórficos de contorno mais impreciso, executados sobre a superfície do xisto através das técnicas características desta arte — a picotagem e a abrasão.

Estilisticamente, as gravuras integram-se no horizonte do Paleolítico Superior, sendo aproximadas das fases finais do Solutrense e do Magdalenense da arte ibérica. A escolha do suporte — paredes de xisto verticais, expostas à intempérie, em vez do recôndito de uma gruta — anuncia já a especificidade da arte rupestre do noroeste peninsular, que viria a revelar-se em toda a sua dimensão alguns anos mais tarde.

Um marco para a arqueologia portuguesa

Antes de Mazouco, a arte paleolítica europeia era pensada quase exclusivamente como fenómeno de gruta. A descoberta de uma figura tão antiga ao ar livre, exposta à luz do dia, obrigou a repensar onde — e como — procurar estas imagens.

A importância de Mazouco extravasa largamente a beleza da sua figura mais conhecida. Ao demonstrar que existia arte paleolítica ao ar livre em pleno vale do Douro, a estação abriu uma pista decisiva para a investigação posterior. Quando, em 1994, foram identificadas as gravuras do Vale do Côa, poucos quilómetros a sul, o precedente de Mazouco ajudou a sustentar a autenticidade e a cronologia paleolítica desse conjunto monumental, hoje classificado como Património Mundial. Mazouco surge assim como anúncio do que viria a tornar-se o mais vasto repositório de arte rupestre paleolítica ao ar livre conhecido.

A estação enquadra-se numa região particularmente rica do ponto de vista arqueológico, em que os afloramentos xistosos das margens do Douro e dos seus afluentes preservaram, ao longo de milénios, sucessivas camadas de gravação. O estudo de Mazouco contribuiu para consolidar o quadro de referência da arqueologia portuguesa relativo ao Paleolítico, período em que comunidades de caçadores-recoletores percorriam estes territórios.

Visita e conservação

O sítio integra-se hoje nos percursos de interpretação do património do Douro Internacional, sendo acessível a partir de Mazouco através de um trilho que conduz a um miradouro sobre o rio. Como sucede com toda a arte gravada ao ar livre, a conservação das figuras depende de uma vigilância contínua face à erosão natural do xisto, à exposição às águas e às pressões da visitação. A documentação rigorosa e a sinalização do percurso procuram conciliar o acesso público com a salvaguarda de um dos testemunhos mais antigos e singulares da presença humana no nordeste transmontano.

Perguntas frequentes

Onde ficam as gravuras de Mazouco?
Situam-se junto à povoação de Mazouco, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, distrito de Bragança, sobre afloramentos de xisto nas vertentes que descem para o rio Douro, no nordeste transmontano.
Porque são importantes as gravuras de Mazouco?
Identificadas em 1981, constituem a primeira estação de arte rupestre paleolítica ao ar livre reconhecida em Portugal e uma das primeiras da Europa, antecipando em mais de uma década a descoberta do Vale do Côa.
O que representa o cavalo de Mazouco?
É uma figura de cavalo gravada a contorno, com cerca de 62 cm de comprimento, atribuída ao Paleolítico Superior. É a figura mais nítida e célebre do conjunto, considerada uma das mais belas imagens de arte rupestre ao ar livre.

Fontes

  1. Gravuras rupestres do Mazouco — Wikipédia
  2. Gravuras rupestres do Mazouco — Visit Portugal
  3. Descoberta de gravuras rupestres em Mazouco, Freixo de Espada-à-Cinta — Repositório Aberto da U. Porto