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Muralha Fernandina do Porto

Muralha Fernandina do Porto: cerca do século XIV, ordenada em 1336 e concluída sob D. Fernando, com troços nos Guindais e no Caminho Novo. Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Troço ameado da Muralha Fernandina com torre quadrangular no alto da escarpa dos Guindais, junto ao carril do funicular, sobre o casario do Porto
Concierge.2C, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Porto, Porto
Construção
1336–1376

Quem atravessa a Ponte Luís I em direção ao Porto vê, no alto da escarpa dos Guindais, um pano de muralha ameado com torres quadrangulares. É o troço mais visível da Muralha Fernandina, a cerca que no século XIV passou a envolver a cidade medieval e a zona ribeirinha. Hoje restam apenas segmentos, mas a linha desta muralha continua a definir o que a UNESCO reconhece como Centro Histórico do Porto.

Da cerca românica à cerca nova

Antes da muralha do século XIV, o Porto teve uma cerca mais pequena. O registo nacional descreve-a como uma muralha românica do século XII, de planta ovalada e irregular, em volta do morro da Sé, com quatro portas principais. Uma delas era a Porta de Vandoma, demolida pela Câmara Municipal em 1885. Dessa primeira cerca restam vestígios, embora tenha sido muito desmantelada nos últimos séculos.

Em cerca de duzentos anos, a cidade cresceu muito para fora desse recinto, sobretudo para ocidente e para norte, até aos altos da Vitória e da Batalha. Segundo o registo nacional, foi D. Afonso IV quem, em 1336, ordenou a construção de uma nova muralha. A UNESCO explica que a nova cerca, em pedra, protegia os dois núcleos urbanos: a cidade medieval original e a zona portuária, até então fora de muros. Indica também que a obra foi concluída em 1376, no reinado de D. Fernando, de quem a muralha tomou o nome.

As fontes não concordam totalmente na cronologia. A Visit Porto, portal de turismo da Câmara Municipal, apresenta a muralha como obra de D. Fernando, construída entre 1368 e 1437 com dinheiro de um imposto sobre o vinho. Acrescenta que media cerca de 3000 passos de comprimento e 30 pés de altura. Estas datas e medidas são da Visit Porto e não aparecem no registo nacional.

Portas, caminhos e transformações

O registo nacional calcula que viviam dentro das novas muralhas cerca de 10 000 pessoas. Cita os historiadores Manuel Luís Real e Rui Tavares, para quem a localização das portas revela o traçado das vias antigas que saíam do burgo para a Foz e Bouças, Braga, Guimarães e Penafiel.

Nos séculos seguintes, as maiores mudanças afetaram as portas. Segundo o registo nacional, a Porta Nova (1522) substituiu o postigo da praia. A Porta dos Carros (1551) substituiu um postigo da época de D. João I. Ambas foram destruídas no século XIX, durante a modernização urbana da cidade. A Porta da Ribeira, a nascente, foi demolida antes, no século XVIII, no tempo das reformas dos Almadas.

O que se vê hoje

Segundo a UNESCO e a Visit Porto, sobrevivem dois troços. O troço dos Guindais, junto à Rua Arnaldo Gama, é o principal e vê-se bem da Ponte Luís I. É uma secção de muralha ameada, com caminho de ronda e duas torres quadrangulares. O troço do Caminho Novo fica junto às Escadas do Caminho Novo. O registo nacional também identifica o monumento no Largo do Actor Dias, na Rua Francisco da Rocha Soares, na Rua da Madeira e no Campo dos Mártires da Pátria. Associa o miradouro mencionado no nome oficial ao lanço das Escadas dos Guindais.

O traçado da cerca ainda se reconhece na malha urbana. A Igreja de Santa Clara fica junto à muralha. A Sé do Porto ocupa o centro do recinto românico mais antigo.

Restauros do século XX

Segundo o registo nacional, a muralha foi muito restaurada durante o Estado Novo. As obras principais decorreram entre 1959 e 1962, sobretudo na escarpa dos Guindais. Nessa campanha foi descoberta uma casa-torre gótica na Rua de D. Pedro Pitões, em frente à Sé. Restaurada pelo arquiteto Rogério de Azevedo, recebeu primeiro o Gabinete de História da Cidade. Escavações arqueológicas mais recentes, sobretudo no morro da Sé, vieram completar o que se sabe sobre a evolução defensiva da cidade.

Classificação e Património Mundial

O monumento foi classificado como Monumento Nacional com a designação Muralhas denominadas de D. Fernando e respectivo miradouro. A classificação foi feita pelo Decreto n.º 11 454, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 35, de 19 de fevereiro de 1926. O mesmo decreto classificou outros imóveis do Norte.

A muralha está também ligada ao Património Mundial. Na síntese do bem Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar, inscrito em 1996, a UNESCO escreve que o centro histórico se situa dentro da linha da Muralha Fernandina. Escreve também que esta área conserva os dois troços sobreviventes. O registo nacional associa o monumento a esta inscrição. A muralha não tem uma inscrição própria na UNESCO: faz parte da área do bem inscrito.

Preparar a visita

Os troços da muralha ficam junto a ruas e escadas públicas do centro histórico. As Escadas dos Guindais, que acompanham a antiga muralha, dão acesso ao troço principal. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página da Visit Porto mostrava informações contraditórias: o estado «aberto» ao lado de um horário semanal com todos os dias «fechado». Também não publicava condições de acesso ao caminho de ronda. Antes de planear a subida ao adarve, confirme junto da Câmara Municipal do Porto.

Para o contexto, veja o guia da cidade do Porto, a região Norte e a tipologia das muralhas e cercas urbanas, onde o Porto aparece entre as cidades com cerca velha e cerca nova. A rede de castelos de Portugal mostra a mesma arquitetura militar medieval fora das cidades.

Fotografia de Concierge.2C, de 17 de julho de 2010, enviada para o Wiki Loves Monuments em Portugal. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Porque se chama Fernandina a muralha do Porto?
Porque foi concluída no reinado de D. Fernando. O registo nacional indica que a construção foi ordenada por D. Afonso IV em 1336, e a UNESCO situa a conclusão em 1376, já sob D. Fernando.
O que resta da muralha?
Segundo a UNESCO e a Visit Porto, conservam-se dois troços: o dos Guindais, junto à Rua Arnaldo Gama, e o do Caminho Novo, junto às escadas com o mesmo nome. O traçado do resto da cerca ainda se lê na malha das ruas.
A muralha está classificada?
Sim. É Monumento Nacional, com a designação Muralhas denominadas de D. Fernando e respectivo miradouro, pelo Decreto n.º 11 454, publicado no Diário do Governo de 19 de fevereiro de 1926.
A muralha faz parte do Património Mundial?
Faz. A UNESCO descreve o Centro Histórico do Porto, inscrito em 1996, como situado dentro da linha da Muralha Fernandina e inclui os dois troços sobreviventes nessa área. O registo nacional associa o monumento à mesma inscrição.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Muralhas denominadas de D. Fernando e respectivo miradouro (71120)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Muralhas denominadas de D. Fernando e respectivo miradouro (NINV 3753)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 11 454, de 19 de fevereiro de 1926
  4. UNESCO — Historic Centre of Oporto, Luiz I Bridge and Monastery of Serra do Pilar
  5. Visit Porto — Muralha Fernandina (Old city walls)
  6. Wikidata — Muralha Fernandina (Porto) (Q10333266)

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