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Monumentos
Muralhas de Évora
Muralhas de Évora: cerca antiga do século III, cerca nova medieval e baluartes do século XVII, classificadas como Monumento Nacional em 1910, 1922 e 1926.
- Localização
- Évora, Évora
- Construção
- séc. III (cerca antiga); séc. XIV (cerca nova); séc. XVII (baluartes)
Évora é uma das cidades portuguesas onde melhor se lê a evolução de uma cidade amuralhada. Na parte alta, à volta da Sé e do Templo Romano, há restos de uma cerca antiga do século III. Mais abaixo, uma cerca nova medieval envolve os bairros que cresceram depois. Por fora desta, a cidade foi reforçada no século XVII com baluartes e fossos adaptados à artilharia. O registo nacional trata estas três fases em três fichas diferentes, classificadas em datas diferentes.
A cerca antiga
Segundo o registo nacional, a primeira cerca de Évora data do período romano, mais precisamente do século III. Nessa altura, a área da cidade foi reduzida, como era comum nas muralhas deste período, e partes da cidade dos séculos I e II foram destruídas. A cerca abrangia cerca de 10 hectares e tinha uma extensão de quase dois mil metros, em volta da parte mais alta da cidade, onde hoje está a Sé de Évora. O testemunho mais conhecido desta fase é a Porta de D. Isabel, que o Atlas do Património Classificado regista como porta romana.
Esta cerca é muitas vezes chamada romano-goda, mas o registo nacional mostra prudência. A UNESCO diz que, no período visigótico, a cidade cristã ocupava a área cercada pela muralha romana, que foi então reformulada. O registo nacional pergunta, no entanto, que troços se podem atribuir com certeza ao domínio visigótico. A chamada Torre de Sisebuto, com o nome de um rei visigodo, pertence mais à tradição lendária do que a uma datação comprovada. O mesmo vale para o período islâmico, que terminou em 1165, segundo a UNESCO. O registo nacional situa nesse período a construção de um castelo, hoje muito alterado e arruinado, mas faltam dados arqueológicos que o confirmem.
A cerca nova medieval
Com o crescimento da cidade fora da cerca antiga, Évora recebeu uma segunda muralha, muito maior. O registo nacional não sabe em que momento exato da primeira dinastia foi tomada a decisão. Considera, no entanto, que tudo aponta para o reinado de D. Afonso IV, que viveu longos períodos na cidade. Como a obra era grande, os trabalhos arrastaram-se e só terminaram no reinado de D. Fernando. Por isso, alguns autores chamam-lhe também cerca fernandina.
A cerca nova conserva o traçado essencial e tem troços bem preservados. Entre as portas, o registo nacional destaca a Porta de Avis, mencionada em 1353, e as portas de Alconchel, de Mendo Estevens e do Moinho de Vento. Os trechos classificados em 1922 incluem as torres e muralhas entre as portas de Alconchel e do Raimundo e uma torre junto ao aqueduto. O registo nacional inclui estes trechos na zona de proteção do Aqueduto da Água de Prata.
Baluartes e fossos do século XVII
A artilharia obrigou a repensar as defesas medievais. Segundo o registo nacional, D. Manuel I mandou construir em 1518 o Castelo Novo, com projeto de Diogo de Arruda, concluído sete anos depois. A grande transformação veio a meio do século XVII, depois da Restauração. D. João IV encarregou Carlos Lassart, engenheiro-mor do reino, de examinar o estado da praça. Por falta de dinheiro, as obras só começaram na década de 1660.
O registo nacional atribui o projeto, «ao que tudo indica», a Luís Serrão Pimentel. A UNESCO refere uma muralha de tipo Vauban construída segundo planos do engenheiro francês Nicolas de Langres. As fontes oficiais não coincidem, e não é possível escolher uma autoria com segurança.
O plano tinha dois objetivos. O primeiro era reforçar a cinta medieval com fossos e baluartes menores. O segundo era defender a cidade à distância, com uma rede de fortes. Daí resultaram os baluartes de Nossa Senhora de Machede, o primeiro a ser construído, dos Apóstolos e do Príncipe, e os fortes de Santo António e dos Penedos. Segundo a UNESCO, o centro histórico manteve as suas características dentro desta muralha seiscentista, apesar do crescimento da cidade para ocidente, sul e nascente. A rede viária construída à volta das muralhas no século XX também ajudou a preservá-lo.
Classificação e Património Mundial
A proteção legal foi feita em três passos, segundo o Atlas do Património Classificado:
- os trechos da cerca romana e árabe foram classificados pelo Decreto de 16 de junho de 1910 e pelo Decreto n.º 8 229, de 4 de julho de 1922;
- os trechos da cerca medieval foram classificados pelo mesmo Decreto n.º 8 229, de 1922;
- as muralhas e fossos foram classificados pelo Decreto n.º 11 773, publicado no Diário do Governo de 25 de junho de 1926. O decreto considera Monumento Nacional «toda a parte das muralhas e fossos da cidade de Évora» que ainda não estivesse classificada.
As três fichas têm a categoria de Monumento Nacional. O registo nacional indica que as muralhas e fossos estão abrangidos pelo bem Centro Histórico de Évora, inscrito na Lista do Património Mundial em 1986. Ao abrigo da Lei n.º 107/2001, isso também os classifica como Monumento Nacional. As muralhas não têm uma inscrição própria na UNESCO.
Visitar
As muralhas acompanham o perímetro do centro histórico, e o registo nacional situa o monumento «ao longo de todo o percurso». Portas, torres e panos de muralha veem-se das ruas e largos que contornam a cidade. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos informação oficial sobre visitas guiadas ou acesso a troços elevados. Confirme junto da Câmara Municipal de Évora antes de planear um percurso específico.
Dentro da cerca antiga ficam o Templo Romano de Évora e a Sé. A tipologia está explicada em muralhas e cercas urbanas, que dá Évora como um dos exemplos de cidade com cerca velha e cerca nova. Para continuar, veja a região do Alentejo e a rede de castelos de Portugal.
Fotografia de Vitor Oliveira, de 24 de julho de 2021, no Baluarte do Príncipe; a assinatura do autor faz parte da imagem original. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quantas cercas teve Évora?
- Três sistemas sobrepostos: a cerca antiga, do século III, à volta da parte mais alta da cidade; a cerca nova medieval, que o registo nacional atribui provavelmente a D. Afonso IV e dá como concluída no reinado de D. Fernando; e a fortificação abaluartada do século XVII, que reforçou a cinta medieval com baluartes e fossos.
- A cerca antiga é romana ou visigótica?
- O registo nacional data a primeira cerca do século III, no período romano. Nota que costuma ser chamada romano-goda, mas que não há dados arqueológicos que permitam atribuir troços concretos ao período visigótico.
- Como estão classificadas as muralhas?
- Em três momentos. Os trechos da cerca romana e árabe foram classificados em 1910 e 1922, os trechos da cerca medieval em 1922, e o Decreto n.º 11 773, publicado a 25 de junho de 1926, classificou como Monumento Nacional toda a parte das muralhas e fossos que ainda não estava classificada.
- As muralhas fazem parte do Património Mundial?
- Sim. O registo nacional indica que estão abrangidas pelo Centro Histórico de Évora, inscrito na Lista do Património Mundial em 1986. Não têm uma inscrição própria.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Muralhas e fossos da cidade de Évora (69777)
- Património Cultural, I.P. — Trechos da cerca romana e árabe das muralhas de Évora (69776)
- Património Cultural, I.P. — Trechos da cerca medieval das muralhas de Évora (69830)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (NINV 2739, 2740 e 2741)
- Diário do Governo — Decreto n.º 11 773, de 25 de junho de 1926
- Diário do Governo — Decreto n.º 8 229, de 4 de julho de 1922
- Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910
- UNESCO — Historic Centre of Évora
- Wikidata — Muralhas e fossos da cidade de Évora (Q39713732)
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