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Monumentos
Chafariz da Praça do Giraldo
Chafariz da Praça do Giraldo, em Évora: obra de mármore de 1571 do arquiteto Afonso Álvares, com oito carrancas de bronze e a coroa de D. Sebastião.
- Localização
- Évora, Évora
- Construção
- 1571
O Chafariz da Praça do Giraldo é o centro simbólico de Évora. Foi construído em 1571, em mármore branco, e ainda hoje marca a praça onde convergem várias das ruas do centro histórico. A obra pertence à família dos chafarizes renascentistas ligados a uma rede de abastecimento público, neste caso a do Aqueduto da Água de Prata.
Um chafariz que substituiu outro
Quando o Aqueduto da Água de Prata ficou concluído, em 1537, terminava nesta praça. O inventário oficial do património arquitetónico (SIPA) regista que foi então levantado um primeiro chafariz, em local não determinado, encostado ao arco de triunfo romano que se erguia na praça. Sabe-se que era ornamentado com leões de mármore.
Em 1570, o Cardeal Infante D. Henrique, arcebispo de Évora, pediu ao concelho que mandasse apear o arco, para desimpedir a praça e a vista da recém-construída Igreja de Santo Antão, que ele próprio promovera. As colunas de mármore do arco foram recolhidas no Colégio do Espírito Santo. Em 1571 ergueu-se o novo chafariz. A ficha da Património Cultural enquadra-o no plano henriquino de modernização do centro da cidade.
O desenho: fuste, taça e arca
O projeto é atribuído ao arquiteto Afonso Álvares, mestre de obras do Infante D. Henrique. A estrutura é de planta circular e centrada, toda em mármore branco, e lê-se de baixo para cima em cinco partes: embasamento cilíndrico, fuste torneado, taça, arca e remate.
A taça tem a forma de uma calote esférica muito abatida e profundamente moldurada. A arca, mais alta, tem forma de píxide, o vaso litúrgico que guarda as hóstias. No remate, sobre um pequeno fuste octogonal, assenta a coroa real de D. Sebastião, em bronze. Uma inscrição em torno dessa parte celebra o monarca, o que marca o patrocínio régio da obra.
O traço mais fácil de reconhecer, mesmo à distância, são os oito carantões de bronze que rematam os orifícios das bicas. A água corre deles para a taça. A tradição popular liga as oito carrancas às oito ruas que desembocam na praça; é uma leitura corrente em guias locais, mas não surge no registo oficial como facto documentado.
A sobriedade do conjunto foi notada pelos inventariadores. O registo da SIPA descreve-o como muito sóbrio e diz que condiz com a fachada em estilo chão da Igreja de Santo Antão, que lhe fica fronteira, e considera-o a mais monumental das estruturas de abastecimento de água edificadas a jusante do aqueduto.
Água, mercado e praça
Durante séculos a praça, conhecida como Terreiro ou Praça de Alconchel nos séculos XIII e XIV e depois como Praça Grande, foi mercado diário, feira anual e lugar de corridas de touros, segundo o mesmo registo. O chafariz foi, por isso, uma das mais importantes estruturas de abastecimento de água à população. Hoje a SIPA indica uma utilização cultural e recreativa, como fonte ornamental.
Para quem passeia por Évora, vale a pena ver a praça em conjunto com as muralhas de Évora e o pelourinho de Évora, que mostram a cidade como centro político e comercial.
Classificação
O chafariz está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. Tem ainda zona especial de proteção, indicada na SIPA como publicada no Diário do Governo, 2.ª série, n.º 101, de 2 de maio de 1950. A propriedade é municipal.
Esta ficha trata apenas do chafariz como monumento classificado; os outros imóveis da praça, como a Igreja de Santo Antão, têm registos próprios.
Como visitar
O chafariz está numa praça pública, em pleno centro histórico, e não tem horário nem bilhete. É um bom ponto de partida para um percurso a pé, com o aqueduto, a Sé e as muralhas na mesma zona. Como a praça é usada para eventos e circulação urbana, confirme eventuais condicionamentos na página do município de Évora antes de planear a visita.
Fotografia de José Miguel Soares, de 19 de agosto de 2013. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi construído o Chafariz da Praça do Giraldo?
- O registo nacional do património situa a construção em 1571, no reinado de D. Sebastião. Substituiu um chafariz anterior, erguido por volta de 1537, quando o Aqueduto da Água de Prata chegou à praça.
- Quantas bicas tem o chafariz?
- Tem oito. Segundo o inventário oficial, a água sai de oito carantões (carrancas) de bronze e cai na taça. A tradição liga os oito orifícios às oito ruas que desembocam na praça, mas essa leitura é popular e não consta como facto documentado.
- Quem desenhou o chafariz?
- O arquiteto Afonso Álvares, mestre de obras do Cardeal Infante D. Henrique, segundo o inventário do património arquitetónico.
- O chafariz é Monumento Nacional?
- Sim. Foi classificado por decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. Tem ainda uma zona especial de proteção publicada em 1950.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Chafariz da Praça do Giraldo (registo 69714, NINV 2709)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (NINV 2709)
- SIPA — Chafariz da Praça do Giraldo (IPA.00003855)
- Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910
- All About Portugal — Chafariz da Praça de Giraldo
- Wikidata — Chafariz da Praça do Giraldo (Q16934806)
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