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Museu dos Biscainhos
Museu dos Biscainhos, em Braga: palácio barroco e jardins classificados como IIP, salas de aparato, coleções de artes decorativas e informação para a visita.
- Localização
- Braga, Braga
- Construção
- Séculos XVII–XVIII, com intervenções nos interiores no século XIX
O Museu dos Biscainhos ocupa um palácio nobre no centro histórico de Braga, entre o Campo das Hortas e o Campo da Vinha. O interesse da visita está no conjunto: casa, salas de aparato, espaços de serviço e jardins barrocos mostram como vivia uma família da nobreza bracarense entre os séculos XVII e XIX. O sítio oficial apresenta-o hoje também como Palácio dos Biscainhos; o museu integra a Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E..
Uma casa nobre em várias campanhas
O palácio não resulta de um único projeto. A informação oficial descreve uma evolução que atravessa os séculos XVII e XVIII e se prolonga pelo século XIX, quando os interiores receberam nova decoração de estuque, pintura e azulejo. A parte mais antiga é a torre: a planta de Braga de Braunio, de 1594, e a documentação sobre o casamento ali realizado em 1655 apontam para edificações já existentes nos séculos XVI e XVII.
No século XVII a casa pertenceu ao Dr. Constantino Ribeiro do Lago (1619–1686). No século seguinte passou aos filhos, Diogo de Sousa e Silva e o deão D. Francisco Pereira da Silva, cujos descendentes foram condes de Bertiandos. A Assembleia Distrital de Braga adquiriu o imóvel em 1963, e o museu abriu ao público em 1978.
O que ver no palácio
O percurso organiza-se em dois níveis. No piso térreo ficam os espaços funcionais: o pátio de honra coberto, a cavalariça, a cocheira e a cozinha senhorial. No andar nobre sucedem-se as salas de aparato.
O pátio de honra coberto é uma das peças mais raras da casa. Era o lugar de chegada de carruagens e cavaleiros: o pavimento estriado evitava quedas dos animais e as argolas ainda estão nas pilastras. Cinco esculturas de granito, atribuídas à escola bracarense, fazem de figuras de convite, entre elas um alabardeiro e dois músicos negros.
A escadaria monumental é revestida de azulejo do reinado de D. João V, com pintura atribuída a António Vital Rifarto. Na cena central aparecem Vénus, Cupido, Ceres e Baco. No Salão Nobre, o teto pintado evoca o martírio no Japão do jesuíta Miguel de Carvalho, antepassado da família. Está datado de 1724 e é atribuído a Manuel Furtado de Mendonça. Pintura, escultura e azulejo combinam-se aqui no espírito da arquitetura barroca.
Outras salas mostram a passagem para o gosto neoclássico. A Sala de Jantar, do final do século XVIII, é apresentada pelo museu como uma das primeiras salas de jantar fixas em Portugal; expõe porcelana chinesa da dinastia Qing, incluindo serviços com brasões de famílias portuguesas. O pátio-jardim interior conserva azulejos de padrão da primeira metade do século XVII, com módulos azuis e amarelos.
Coleções
O acervo dialoga com a casa e com o quotidiano das famílias nobres que a habitaram. O museu destaca a azulejaria joanina, a pintura barroca e neoclássica, a escultura devocional dos séculos XVI a XVIII e mobiliário indo-português. Há também porcelana chinesa Ming e Qing, relógios franceses do período Império, ourivesaria de serviço de chá e café, cerâmica negra inglesa da Wedgwood e traje civil. Na cocheira estão uma cadeirinha do século XVIII, vinda do Paço Arquiepiscopal de Braga, uma liteira e um faetonte do século XIX. A maioria das peças está ligada às artes decorativas portuguesas e ao uso doméstico de um solar urbano.
Parte do acervo pode ser consultada em linha na plataforma de descrição arquivística do Património Cultural, para a qual o sítio do museu remete.
Os jardins
Os jardins foram presumivelmente definidos no segundo decénio do século XVIII, durante as grandes obras de ampliação do palácio. Organizam-se em três patamares ligados por escadas: o terreiro e o jardim formal, espaços de representação, seguidos das áreas de produção (pomar e hortas) e do recinto das muralhas. O museu associa a fonte do terreiro, o jardim de aparato e o pavilhão aos arquitetos Manuel Fernandes da Silva e André Soares.
Entre as árvores destaca-se um tulipeiro-da-virgínia (Liriodendron tulipifera) com cerca de 300 anos, que o museu indica estar classificado de interesse público desde 2010. Para comparar com outros conjuntos, veja os jardins históricos portugueses.
Classificação
O Atlas do Património Cultural, I.P. regista a Casa dos Biscaínhos (NINV 2205) como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 37 366, de 5 de abril de 1949. O texto do decreto classifica o conjunto da Casa dos Biscainhos, terreiro, jardins, pomar e muralha. A proteção abrange, assim, a casa e o espaço exterior. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o registo não indicava uma zona especial de proteção própria.
Preparar a visita
O museu fica na Rua dos Biscainhos, 4700-415 Braga. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava:
- horário de terça-feira a domingo, 10h00–12h30 e 14h00–17h30, com última entrada às 12h15 e às 17h15;
- encerramento à segunda-feira e em 1 de janeiro, domingo de Páscoa, 1 de maio, 24 de junho e 25 de dezembro;
- bilhete palácio e jardins a 7,50 €, só palácio a 5 € e só jardim a 3 €;
- desconto de 50 % para jovens dos 13 aos 23 anos e para maiores de 65 anos, e entrada gratuita até aos 12 anos;
- acesso gratuito para residentes em Portugal ao abrigo do regime de 52 dias por ano, mediante apresentação do NIF (veja entrada gratuita nos museus e monumentos).
A estação ferroviária de Braga fica a cerca de cinco minutos a pé, segundo o museu. Confirme condições, bilhetes e acessibilidade na página oficial ou pelo telefone +351 253 204 650. Perto ficam o Arco da Porta Nova e a Sé de Braga.
Fotografia de Joseolgon, de 5 de setembro de 2025. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- O que é o Museu dos Biscainhos?
- É um museu instalado num palácio nobre de Braga dos séculos XVII e XVIII, com jardins barrocos. Apresenta as salas da casa e coleções de artes decorativas relacionadas com o modo de vida das famílias nobres que a habitaram. Integra a Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.
- Quando abriu como museu?
- A Assembleia Distrital de Braga adquiriu o palácio em 1963 e o museu abriu ao público em 1978, segundo o sítio oficial do Palácio dos Biscainhos.
- O palácio e os jardins estão classificados?
- Sim. O Decreto n.º 37 366, de 5 de abril de 1949, classificou como Imóvel de Interesse Público o conjunto da Casa dos Biscainhos, terreiro, jardins, pomar e muralha. O tulipeiro dos jardins tem uma classificação própria de interesse público, desde 2010, segundo o museu.
- Pode visitar-se só o jardim?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, o preçário oficial previa bilhetes separados para o palácio, para o jardim e para o conjunto. Confirme valores e horários na página Visitar do museu antes da deslocação.
Fontes
- Palácio dos Biscainhos — Palácio
- Palácio dos Biscainhos — Jardins
- Palácio dos Biscainhos — Visitar, horários e bilhetes
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (Casa dos Biscaínhos, NINV 2205)
- Património Cultural, I.P. — Casa dos Biscaínhos (73935)
- Diário da República — Decreto n.º 37 366, de 5 de abril de 1949 (classificação)
- Museus e Monumentos de Portugal — Bilheteira, Museu dos Biscainhos
- Wikidata — Casa dos Biscaínhos (Q4917216)
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