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Paço da Giela

Paço da Giela, em Arcos de Valdevez: torre senhorial do século XV dos Lima e paço manuelino, Monumento Nacional desde 1910, propriedade da câmara e visitável.

Perguntas frequentes Fontes
Torre quadrangular de granito com ameias e corpo residencial baixo adossado, no Paço da Giela, sob céu azul
Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Giela, Arcos de Valdevez, Viana do Castelo
Construção
século XV (torre) e 1508–1527 (paço manuelino)
Estilo
Gótico / Manuelino

O Paço da Giela é um conjunto senhorial de Arcos de Valdevez, no Alto Minho, que junta uma torre de granito do século XV e um paço de inícios do século XVI. A Património Cultural considera-o um dos exemplos mais interessantes de habitação nobre em meio rural da nossa Idade Média, resultado de duas grandes fases construtivas: uma baixo-medieval e outra manuelina. Pertence ao município e abre-se ao público.

Uma torre dos Lima

As origens são obscuras. O registo oficial dá conta de que alguns autores atribuem uma primeira construção, ainda no século XIV, a D. João Domingues, abade de Sabadim. A torre atual é do século XV, da altura em que a propriedade passou a Fernão Anes de Lima, por doação de D. João I, em 1399. O portal de turismo do concelho situa a construção da torre em meados do século XIV; é uma divergência que o registo e o município não resolvem.

O filho, Leonel de Lima, foi nomeado visconde de Vila Nova de Cerveira por D. Afonso V. O registo lembra que a família Lima foi a mais importante do Alto Minho durante a dinastia de Avis, e que a ela se devem também obras no castelo e paço de Ponte de Lima e em Cerveira.

A torre é uma fortis domus de planta quadrangular. Tem acesso principal pelo alçado nascente, ao nível do segundo piso, e quase não tem aberturas: só uma janela sobre o portal e uma fresta a norte. A solidez militar, um balcão com matacães e o remate de ameias dão-lhe o aspeto de uma torre de menagem, o que o registo liga à intenção de fazer dali a cabeça do território, diante do antigo Castelo de Santa Cruz. Para este tipo de edifício, veja torres senhoriais e casas-fortes.

O paço manuelino

No reinado de D. Manuel a torre foi incorporada num grande paço, mas só de forma simbólica: não se abriu nenhuma passagem entre ela e o novo corpo habitacional. A reforma deve-se ao terceiro visconde, D. Francisco de Lima, e as obras situam-se entre 1508 (quando entrou no título) e 1527 (quando o paço já é referido). O corpo é retangular, de dois pisos, com uma sala central mais ampla ladeada por duas câmaras.

A fachada principal volta-se a poente. O portal de arco quebrado leva um brasão dos Lima e abriga-se num corpo saliente com balcão. Na fachada sul abre-se a janela mais decorada, de quádruplo arco quebrado, com moldura retangular torsa, que o registo associa à principal câmara do paço. Para o estilo, veja estilo manuelino.

Do declínio ao município

O portal de turismo de Arcos de Valdevez, que não cita fontes, diz que o edifício ficou concluído em 1573, que em 1662 a artilharia portuguesa o danificou ao expulsar o general espanhol Pantoja, que houve alterações nos séculos XVII e XVIII e que a partir do século XIX começou um declínio e abandono. A mesma fonte indica que em 1999 o imóvel foi adquirido pela autarquia.

Classificação e visita

O Paço da Giela é Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). O Atlas do Património Classificado não lista zona especial de proteção.

Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal de turismo do concelho indicava horário de terça a domingo, das 9h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30, com última visita à torre até 30 minutos antes do fecho, e encerramento a 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio, 11 de julho, 1 de novembro e 25 de dezembro. A morada é Giela, 4970-155 Arcos de Valdevez; o contacto indicado é o telefone 258 520 529 e o correio [email protected]. Não encontrámos preços de bilhete confirmados, por isso confirme-os com o município. Para o enquadramento regional, veja o Norte e as casas de granito do Minho.

Fotografia de Vitor Oliveira, de 21 de abril de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O que é o Paço da Giela?
Um conjunto senhorial de Arcos de Valdevez formado por uma torre medieval do século XV e por um paço construído no reinado de D. Manuel, entre 1508 e 1527, segundo o registo da Património Cultural. Ficava sobranceiro à vila, diante do antigo Castelo de Santa Cruz.
Quem o mandou construir?
A torre pertenceu a Fernão Anes de Lima, a quem D. João I doou a propriedade em 1399. O paço manuelino deve-se a D. Francisco de Lima, terceiro visconde de Vila Nova de Cerveira. Alguns autores admitem uma primeira construção no século XIV, ligada a D. João Domingues, abade de Sabadim.
Está classificado?
Sim, como Monumento Nacional, por decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910.
Pode visitar-se?
Sim. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal de turismo de Arcos de Valdevez indicava horário de terça a domingo, das 9h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30, com encerramento em seis dias do ano. O imóvel pertence ao município desde 1999.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Paço da Giela (registo 70543), cópia arquivada de 2018
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Paço da Giela (NINV 4091)
  3. Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910
  4. Turismo de Arcos de Valdevez — Paço de Giela (história, contactos e horário)
  5. Wikidata — Paço da Giela (Q10347010)

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