Monumentos
Paço da Giela
Paço da Giela, em Arcos de Valdevez: torre senhorial do século XV dos Lima e paço manuelino, Monumento Nacional desde 1910, propriedade da câmara e visitável.
- Localização
- Giela, Arcos de Valdevez, Viana do Castelo
- Construção
- século XV (torre) e 1508–1527 (paço manuelino)
- Estilo
- Gótico / Manuelino
O Paço da Giela é um conjunto senhorial de Arcos de Valdevez, no Alto Minho, que junta uma torre de granito do século XV e um paço de inícios do século XVI. A Património Cultural considera-o um dos exemplos mais interessantes de habitação nobre em meio rural da nossa Idade Média, resultado de duas grandes fases construtivas: uma baixo-medieval e outra manuelina. Pertence ao município e abre-se ao público.
Uma torre dos Lima
As origens são obscuras. O registo oficial dá conta de que alguns autores atribuem uma primeira construção, ainda no século XIV, a D. João Domingues, abade de Sabadim. A torre atual é do século XV, da altura em que a propriedade passou a Fernão Anes de Lima, por doação de D. João I, em 1399. O portal de turismo do concelho situa a construção da torre em meados do século XIV; é uma divergência que o registo e o município não resolvem.
O filho, Leonel de Lima, foi nomeado visconde de Vila Nova de Cerveira por D. Afonso V. O registo lembra que a família Lima foi a mais importante do Alto Minho durante a dinastia de Avis, e que a ela se devem também obras no castelo e paço de Ponte de Lima e em Cerveira.
A torre é uma fortis domus de planta quadrangular. Tem acesso principal pelo alçado nascente, ao nível do segundo piso, e quase não tem aberturas: só uma janela sobre o portal e uma fresta a norte. A solidez militar, um balcão com matacães e o remate de ameias dão-lhe o aspeto de uma torre de menagem, o que o registo liga à intenção de fazer dali a cabeça do território, diante do antigo Castelo de Santa Cruz. Para este tipo de edifício, veja torres senhoriais e casas-fortes.
O paço manuelino
No reinado de D. Manuel a torre foi incorporada num grande paço, mas só de forma simbólica: não se abriu nenhuma passagem entre ela e o novo corpo habitacional. A reforma deve-se ao terceiro visconde, D. Francisco de Lima, e as obras situam-se entre 1508 (quando entrou no título) e 1527 (quando o paço já é referido). O corpo é retangular, de dois pisos, com uma sala central mais ampla ladeada por duas câmaras.
A fachada principal volta-se a poente. O portal de arco quebrado leva um brasão dos Lima e abriga-se num corpo saliente com balcão. Na fachada sul abre-se a janela mais decorada, de quádruplo arco quebrado, com moldura retangular torsa, que o registo associa à principal câmara do paço. Para o estilo, veja estilo manuelino.
Do declínio ao município
O portal de turismo de Arcos de Valdevez, que não cita fontes, diz que o edifício ficou concluído em 1573, que em 1662 a artilharia portuguesa o danificou ao expulsar o general espanhol Pantoja, que houve alterações nos séculos XVII e XVIII e que a partir do século XIX começou um declínio e abandono. A mesma fonte indica que em 1999 o imóvel foi adquirido pela autarquia.
Classificação e visita
O Paço da Giela é Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). O Atlas do Património Classificado não lista zona especial de proteção.
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal de turismo do concelho indicava horário de terça a domingo, das 9h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30, com última visita à torre até 30 minutos antes do fecho, e encerramento a 1 de janeiro, Domingo de Páscoa, 1 de maio, 11 de julho, 1 de novembro e 25 de dezembro. A morada é Giela, 4970-155 Arcos de Valdevez; o contacto indicado é o telefone 258 520 529 e o correio [email protected]. Não encontrámos preços de bilhete confirmados, por isso confirme-os com o município. Para o enquadramento regional, veja o Norte e as casas de granito do Minho.
Fotografia de Vitor Oliveira, de 21 de abril de 2020. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- O que é o Paço da Giela?
- Um conjunto senhorial de Arcos de Valdevez formado por uma torre medieval do século XV e por um paço construído no reinado de D. Manuel, entre 1508 e 1527, segundo o registo da Património Cultural. Ficava sobranceiro à vila, diante do antigo Castelo de Santa Cruz.
- Quem o mandou construir?
- A torre pertenceu a Fernão Anes de Lima, a quem D. João I doou a propriedade em 1399. O paço manuelino deve-se a D. Francisco de Lima, terceiro visconde de Vila Nova de Cerveira. Alguns autores admitem uma primeira construção no século XIV, ligada a D. João Domingues, abade de Sabadim.
- Está classificado?
- Sim, como Monumento Nacional, por decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910.
- Pode visitar-se?
- Sim. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal de turismo de Arcos de Valdevez indicava horário de terça a domingo, das 9h30 às 13h00 e das 14h00 às 17h30, com encerramento em seis dias do ano. O imóvel pertence ao município desde 1999.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Paço da Giela (registo 70543), cópia arquivada de 2018
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Paço da Giela (NINV 4091)
- Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910
- Turismo de Arcos de Valdevez — Paço de Giela (história, contactos e horário)
- Wikidata — Paço da Giela (Q10347010)
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