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Mosteiro de Ermelo

Mosteiro de Ermelo, em Arcos de Valdevez: abadia cisterciense pobre e de planta reduzida, com igreja românica, claustro em ruínas e classificação de 1977.

Perguntas frequentes Fontes
Vista aérea do conjunto do Mosteiro de Ermelo, com a igreja de telhado de duas águas e a torre sineira, rodeada de casas, vegetação e, ao fundo, a água do rio
Joseolgon, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Ermelo, Arcos de Valdevez, Viana do Castelo
Construção
Cabeceira não anterior ao fim do 1.º quartel do séc. XIII; redução da igreja concluída em 1760

O Mosteiro de Ermelo ocupa um outeiro sobranceiro ao rio, na União das Freguesias de São Jorge e Ermelo, no concelho de Arcos de Valdevez. Do que foi uma abadia cisterciense, o Atlas do Património Classificado protege os «restos da igreja e da abadia cisterciense»: uma igreja românica reduzida, com um claustro de que sobra uma pequena arcada, rodeada de quintais com laranjais. A sua história é a de uma casa pobre e atribulada, que nunca chegou a concluir o plano com que foi começada, e que o inventário nacional considera, ainda assim, a primeira igreja do foco do Alto Minho e do grupo das igrejas da Ribeira Lima.

Origens e declínio

O inventário SIPA não data a fundação do primitivo edifício conventual, que se associa habitualmente a D. Teresa; nota, porém, que o padre Avelino de Jesus da Costa considera aceitável a existência de um mosteiro anterior, caso em que D. Teresa teria sido apenas benfeitora. Ficam, em vez disso, referências documentais datadas: no século XII, D. Afonso Henriques coutou São Pedro do Vale a favor do mosteiro; em 1221, D. Afonso II legou-lhe 100 morabitinos para a celebração do seu aniversário; em 1283, D. Dinis apresentou o abade de Santa Maria de Ermelo; em 1388, D. João I autorizou a anexação das igrejas de Britelo e Soajo, para remediar a crise da casa.

A decadência foi rápida. Em 1498, o mosteiro tinha um rendimento anual de 40 000 reais, o mais baixo de todos os mosteiros de Cister. Em 1533, a visitação do abade de Claraval verificou que estava sujeito ao de Fiães e que tinha apenas 25 ducados de ouro de rendas; mandou que se celebrassem os ofícios divinos e que, se sobrasse dinheiro, se reparassem as casas para neles poderem viver dois monges ou um. Em 1553 estava deserto; em 1560, o cardeal D. Henrique suprimiu o mosteiro, e a igreja passou a paroquial. O último abade conhecido foi Tomé de Macedo Pacheco, em 1664. Para as outras casas da ordem, veja a página das rotas de Cister em Portugal e a Igreja de Fiães, ligada a Ermelo por esta dependência.

Um projeto reduzido

O registo explica a planta pela história económica da casa. Segundo o inventário, talvez por desafogo financeiro inicial optou-se por uma planta de três naves e de uma cabeceira de três capelas quadrangulares, a central mais desenvolvida e alta do que as laterais, no esquema cisterciense; ainda se conservam vestígios nas arcadas que davam para os absidíolos. O programa não se concluiu e foi drasticamente reduzido a uma planta que ocupa pouco mais do que a nave central do projeto original. Uma parte da arcada, um pouco afastada da igreja, indica a escala que se pensou para as dependências conventuais.

Quanto à datação, o inventário cita Carlos Alberto Ferreira de Almeida: a decoração de capitéis e cachorros resulta de uma evolução de modelos da bacia do Minho e, pelas bases bulbiformes, de plinto decorado, as obras da cabeceira não deverão ser anteriores aos finais do primeiro quartel do século XIII. A época de construção indicada é «séc. 13 / 18», porque as obras de redução e de transformação do espaço interior foram concluídas em 1760.

O que ver

Por fora, a igreja tem frontispício em empena com cruz sobre peanha e portal de arco pleno com tímpano vazado por uma cruz equilátera. Na fachada sul há um portal idêntico, de tímpano liso, e perpendicularmente a parede testeira do antigo absidíolo, com um vão de dupla arquivolta sobre colunas de capitel coríntio. A cobertura da nave repousa numa cornija com cachorros lisos ou decorados, que corta parte de uma rosácea inteiramente esculpida.

No interior, o teto é de madeira, de perfil curvo, e o arco triunfal, apontado, tem colunas com bases de losangos e garras e capitéis de folhagem. Na capela-mor, uma fresta com colunas e capitéis pintados é encimada por uma representação do Padre Eterno e por atributos de São Tiago; atrás do retábulo, o registo refere um fresco com sobreposição de pinturas que cobre toda a parede, exceto a parte baixa, que está danificada. Em 1706, o padre Carvalho da Costa dizia que os frescos da capela representavam a Virgem Maria e São Bento. A talha dos altares e as pinturas do teto são neoclássicas segundo o resumo do inventário, que numa nota acrescenta que, em data não apurada, o teto da nave foi restaurado e deixaram de existir os medalhões com os quatro Evangelistas e a Virgem. Do antigo convento restam, a sul da igreja, a pequena arcada de arcos plenos, hoje entaipados.

Classificação

O mosteiro é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 129/77 (Diário da República, I série, n.º 226, de 29 de setembro de 1977), com a designação «Mosteiro de Ermelo (restos da igreja e da abadia cisterciense)». É propriedade da Igreja Católica, usada como igreja, e não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO. O Atlas regista também, em Mondim de Basto, um «Pelourinho de Ermelo» e uma «Ponte de Ermelo»: são monumentos de outro lugar com o mesmo nome e não fazem parte deste conjunto. Para o contexto de região, veja a página do Norte; para o tipo de edifício, a dos mosteiros.

Preparar a visita

O inventário descreve o acesso como pedonal, por caminhos escarpados entre quintais com laranjais, a partir da estrada municipal, no Lugar da Igreja. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário de visita nem regras de acesso publicados numa fonte oficial que pudéssemos ler, e o interior é de uma igreja em uso. Confirme com o Município de Arcos de Valdevez (cm-arcos-valdevez.pt) ou com a paróquia antes de se deslocar. O inventário descreve o enquadramento como rural e isolado, num adro murado, com as antigas construções conventuais cobertas de vegetação.

Fotografia aérea de Joseolgon, de 6 de junho de 2023. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi extinto o Mosteiro de Ermelo?
Segundo o inventário SIPA, o cardeal D. Henrique suprimiu o mosteiro em 1560 e a igreja passou a paroquial. Já em 1441, por ser de «muy poucas rendas», tinha sido reduzido a igreja paroquial, e em 1553 estava deserto.
Porque tem a igreja uma planta tão pequena?
O inventário explica que se começou uma planta de três naves e cabeceira de três capelas, que não se concluiu e foi drasticamente reduzida a pouco mais do que a nave central do projeto inicial. As obras de redução ficaram concluídas em 1760.
O mosteiro depende de que casa de Cister?
Em 1533, a visitação do abade de Claraval verificou que estava sujeito ao Mosteiro de Fiães, segundo o inventário SIPA.
Qual é a classificação?
Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 129/77 (Diário da República, I série, n.º 226, de 29 de setembro de 1977), com a designação «Mosteiro de Ermelo (restos da igreja e da abadia cisterciense)». Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Mosteiro de Ermelo (restos da igreja e da abadia cisterciense) (70415)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 4090)
  3. DGPC — SIPA: Mosteiro de Ermelo / Igreja de Ermelo (IPA.00005250)
  4. Diário da República — Decreto n.º 129/77 (I série, n.º 226, 29-09-1977)
  5. Wikidata — Mosteiro de Ermelo (Q372509)

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