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Palácio Ficalho

Palácio Ficalho, em Serpa: casa senhorial dos Melo encostada à muralha, com salas seiscentistas e jardim, Monumento Nacional desde 2007, visitável por marcação.

Perguntas frequentes Fontes
Longa fachada branca do Palácio Ficalho, com janelas retangulares alinhadas e telhado de quatro águas, vista do alto das muralhas de Serpa
Vitor Oliveira, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Serpa, Beja
Construção
final do século XVI / século XVII (datação segundo as fontes)
Estilo
Maneirista / arquitetura chã

O Palácio Ficalho, também conhecido como Casa do Castelo ou Palácio dos Condes de Ficalho, é uma casa senhorial encostada à muralha medieval de Serpa. Do lado nascente mostra uma longa fachada branca de janelas alinhadas; do lado poente ergue-se sobre o pano das muralhas, integrando dois torreões. Pertence ainda à família que o fez, os Melo, e desde 2021 abre-se a visitas guiadas.

Os Melo, alcaides de Serpa

O decreto de classificação define o palácio como uma das mais importantes casas nobres de Serpa, que evoca a família dos alcaides da vila na época moderna, os Melo, «estirpe incontornável» para a história do Alentejo oriental entre os séculos XVI e XX. Segundo o decreto, foi mandado construir por D. Francisco de Melo, senhor de Ficalho, no final do século XVI, e remodelado de forma importante no século XVII. No final desse século viveu aí o bispo da Guarda, D. Martim Afonso de Melo.

As fontes divergem na datação. A página oficial do palácio descreve uma casa senhorial da segunda metade do século XVII, com projeto atribuído ao arquiteto Mateus do Couto, Sobrinho; a notícia de 2021 sobre a reabertura refere a construção pelos irmãos Pedro e Martim Afonso de Mello nessa época, sobre uma casa já existente nas muralhas no século XV. A leitura mais prudente é que a casa que se vê resulta de uma obra seiscentista sobre estruturas anteriores, num processo ainda por esclarecer.

Arquitetura e interiores

O decreto descreve um conjunto maneirista de qualidade relativa, de valores estéticos sóbrios e austeros, com uma longa fachada de janelas retangulares em sucessão simétrica. A casa aproveita dois torreões da cerca medieval, o que faz dela um elemento essencial para compreender a evolução urbana de Serpa. A página oficial integra-a na chamada arquitetura chã, derivada do maneirismo italiano, e fala de uma arquitetura monumental mas contida, pensada para proteger do calor e da luz.

No interior, o decreto destaca as salas dos Archeiros e dos Espanhóis, que conservam elementos artísticos seiscentistas, em particular uma série de pinturas alusivas à caça, atividade praticada na região pela família, e alguns painéis de azulejos do século XVII. Para o contexto geral destes revestimentos, veja azulejo.

O jardim e a água

O jardim, hoje com a estrutura de uma intervenção dos anos 1950, feita pela última marquesa de Ficalho e pelo engenheiro silvicultor serpense José Pulido Garcia, é composto por uma mata e um pomar de laranjeiras cercado de buxo e de alguns ciprestes. A água vem de uma nora instalada num torreão das muralhas e chega por um aqueduto construído apenas para abastecer o palácio, relação que o palácio considera a sua característica mais emblemática; o decreto refere também o poço e outros elementos do sistema de abastecimento. O percurso do aqueduto e da nora está descrito na página do Castelo de Serpa. A própria família reconhece que a história do jardim está por escrever. Veja também jardins históricos.

Dano, restauro e classificação

O decreto recorda que o imóvel teve um papel importante nas lutas liberais da primeira metade do século XIX e foi um dos conjuntos patrimoniais mais lesados da região, com perda de parte do espólio e de núcleos documentais. O restauro parcial iniciou-se em 1946, por iniciativa de António Martim de Melo; a página oficial indica obras entre 1946 e 1973, e a intervenção foi distinguida em 1984 pelo Institut International des Châteaux Historiques.

O palácio foi classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 6/2007, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 78, de 20 de abril de 2007. A zona especial de proteção ficou para ser fixada por portaria quando se definir a do núcleo intramuros da vila de Serpa. O imóvel é de propriedade particular.

Visitar

O projeto de abertura da família arrancou em 2021, com visitas guiadas por marcação. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava que as visitas incluem a área histórica da casa, o jardim e parte da muralha, são conduzidas na companhia da atual proprietária, duram 60 minutos e exigem marcação com pelo menos 48 horas de antecedência. Os preços indicados eram 7,50 euros para adultos, 4,00 euros para crianças dos 5 aos 12 anos e desconto de 25 % para grupos com mais de dez pessoas.

A morada é Largo dos Condes de Ficalho, s/n, 7830-451 Serpa; as marcações fazem-se por telefone (+351 926 241 073), por correio eletrónico ([email protected]) ou pelo formulário do sítio do palácio. O sítio apresenta também alojamento no palácio, serviço distinto da visita. Para um percurso completo na vila, combine com o Castelo de Serpa e o texto sobre o Alentejo; o enquadramento das casas nobres está em solares e casas senhoriais.

Fotografia de Vitor Oliveira, de 20 de abril de 2006. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quem mandou construir o Palácio Ficalho?
O decreto de classificação atribui-o a D. Francisco de Melo, senhor de Ficalho, no final do século XVI, com importantes remodelações no século XVII. A página oficial do palácio situa a casa seiscentista na segunda metade do século XVII e atribui o projeto a Mateus do Couto, Sobrinho.
O Palácio Ficalho é Monumento Nacional?
Sim. Foi classificado pelo Decreto n.º 6/2007, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 78, de 20 de abril de 2007.
Pode visitar-se?
Sim, em visitas guiadas por marcação. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava duração de 60 minutos, marcação com 48 horas de antecedência e bilhete de adulto a 7,50 euros.
O palácio é propriedade pública?
Não. Continua na posse da família Mello, que iniciou em 2021 um projeto de abertura ao público.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Palácio Ficalho (NINV 1183)
  2. Diário da República — Decreto n.º 6/2007, de 20 de abril
  3. Palácio Ficalho — A Casa
  4. Palácio Ficalho — O Jardim
  5. Palácio Ficalho — Visitas guiadas
  6. Palácio Ficalho — Contactos
  7. Echo Boomer — Palácio Ficalho abre renovado ao público ainda este mês (17-05-2021)
  8. Wikidata — Palácio Ficalho (Q10344068)

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