Monumentos
Praça do Comércio
Praça do Comércio, em Lisboa: o antigo Terreiro do Paço, refeito após 1755 com arcadas, estátua de D. José e Arco da Rua Augusta; Monumento Nacional desde 1910.
- Localização
- Lisboa, Lisboa
- Construção
- Reconstrução após 1755; arco concluído em 1861
- Estilo
- Urbanismo e arquitetura pombalinos
A Praça do Comércio, ainda conhecida como Terreiro do Paço, abre a Baixa de Lisboa ao Tejo. É uma praça de três alas iguais, com arcadas no piso térreo, aberta no quarto lado para o rio. O registo nacional dá-a como Monumento Nacional e explica que substituiu, depois do terramoto de 1755, o espaço do antigo paço real.
Do Terreiro do Paço à praça mercantil
A nota histórica do Património Cultural, I.P. recorda que, desde o século XVI, o Terreiro do Paço albergava o paço real, que formava conjunto com a Alfândega, a Casa da Índia, a Casa da Moeda, o Arsenal e o Teatro da Ópera do Tejo, inaugurado meses antes da catástrofe.
Logo após o sismo, Sebastião de Carvalho e Melo, ministro de D. José, tomou a seu cargo medidas para superar os problemas urbanísticos, sociais e económicos. Em 1756 formou-se a Casa do Risco das Obras Públicas, com engenheiros militares chefiados por Manuel da Maia, entre os quais Eugénio dos Santos de Carvalho e Carlos Mardel. Entre as hipóteses estudadas, escolheu-se a mais radical: arrasar a zona baixa e reconstruir os bairros segundo um plano novo, com harmonia entre a largura das ruas e a altura dos edifícios. A planta, desenhada por Eugénio dos Santos, organizou oito ruas sul–norte entre o Rossio e o Terreiro do Paço, cruzadas por nove ruas este–oeste. O estilo que daí resultou é tratado em estilo pombalino.
No lugar do terreiro planeou-se uma praça real ao gosto da place royale francesa, aberta ao rio. Um alvará de junho de 1759 já lhe chama Praça do Comércio. Passou a albergar a Bolsa do Comércio e os edifícios que a delimitam ficaram a cargo dos comerciantes da capital, o que a fez, segundo o registo, o espaço da nova burguesia mercantil protegida por Pombal.
Arcadas, estátua e arco
A praça é delimitada por três blocos iguais de três pisos. O piso térreo tem arcadas com sobrelojas; o intermédio, janelas de sacada com guarda de ferro; o último, mezaninos; a cornija remata o conjunto. Cada ala lateral termina num torreão, que recria o torreão desenhado por Terzi para o Paço Real, mandado construir por Filipe I em 1581.
No centro ergue-se a estátua equestre de D. José, de Machado de Castro, cuja execução só se concluiu em 1775. Ao fundo, entre a Rua Augusta e a praça, está o arco triunfal. A estrutura segue o desenho de Eugénio dos Santos, mas a morosidade das obras fez com que o remate só fosse executado na segunda metade do século XIX, segundo projeto do arquiteto Veríssimo José da Costa, e ficou completo em 1861, com um grupo escultórico de Antoine Calmels e Vítor Bastos. Sobre a escultura ao ar livre em Portugal, veja estatuária e monumentos comemorativos.
Classificação
A praça está classificada como Monumento Nacional pelo decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910; a designação oficial é Praça do Comércio, com a outra designação Antigo Terreiro do Paço. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o registo não indicava zona especial de proteção fixada. Mostrava um processo de 2006 para uma ZEP conjunta e, em outubro de 2011, o despacho que devolvia o processo para propostas individuais.
O registo refere ainda o Café Martinho da Arcada, classificado como estabelecimento no seu todo, o Castelo de São Jorge e restos das cercas, e a Lisboa Pombalina. Esta consta da Lista Indicativa portuguesa à UNESCO; uma lista indicativa reúne candidaturas possíveis, e a praça não é Património Mundial.
Visitar
A praça é um espaço público, e as arcadas podem ser percorridas a pé. O registo documenta também o Cais das Colunas. Os horários e a acessibilidade de espaços dentro das alas, incluindo estabelecimentos e equipamentos culturais, são definidos pelos respetivos responsáveis, e esta página não os confirma. Mais a nascente ficam a Casa dos Bicos e a Sé de Lisboa.
Fotografia de amanderson2, de 25 de abril de 2022. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Praça do Comércio e Terreiro do Paço são o mesmo lugar?
- Sim. O Terreiro do Paço era a praça do paço real, com palácio desde o século XVI. Depois do terramoto de 1755 foi substituída por uma nova praça real, que um alvará de junho de 1759 já chama Praça do Comércio.
- Quem desenhou a praça e o arco?
- O registo do Património Cultural atribui a planta da nova Baixa a Eugénio dos Santos de Carvalho, colaborador de Manuel da Maia, e o desenho do arco a Eugénio dos Santos. O remate do arco foi executado depois, segundo projeto de Veríssimo José da Costa, e ficou completo em 1861.
- Quem fez a estátua do rei?
- A estátua equestre de D. José é de Machado de Castro. Segundo o registo, a obra só ficou concluída em 1775.
- A Praça do Comércio é Património Mundial?
- Não. É Monumento Nacional desde o decreto de 16 de junho de 1910. A Lisboa Pombalina, de que a praça faz parte, consta da Lista Indicativa portuguesa à UNESCO, mas esta não é uma inscrição.
Fontes
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
lugaresLisboaPatrimónio de Lisboa: da Torre de Belém e do Mosteiro dos Jerónimos à Baixa Pombalina, Alfama e ao Castelo de São Jorge, na capital portuguesa.
periodosEstilo PombalinoO estilo pombalino: a arquitetura racional e antissísmica da reconstrução de Lisboa após 1755, da gaiola pombalina ao traçado ortogonal da Baixa Pombalina.unesco tentativeLisboa Pombalina (Lista Indicativa)A Baixa Pombalina de Lisboa, reconstruída após o terramoto de 1755, candidata a Património Mundial na Lista Indicativa da UNESCO desde 2004.
tipologiasEstatuária e monumentos comemorativosEstatuária pública e monumentos comemorativos em Portugal: das estátuas régias oitocentistas à escultura cívica e à evocação histórica no espaço urbano.
palaciosCasa dos BicosCasa dos Bicos, em Lisboa: fachada de pontas de diamante de Brás de Albuquerque, reconstruída após 1981, vestígios romanos e sede da Fundação José Saramago.
sesSé de Lisboa (Santa Maria Maior)A Sé de Lisboa (Santa Maria Maior), catedral românica fundada em 1147 na colina do castelo, com claustro gótico, capela-mor e tesouro.