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Quinta da Penha Verde

Quinta da Penha Verde, em Sintra: quinta de recreio do vice-rei D. João de Castro, com ermida de 1542, capelas e fontes, Monumento Nacional desde 1953; privada.

Perguntas frequentes Fontes
Localização
Sintra, Lisboa
Construção
séculos XVI a XVIII (ermida de 1542; capelas de 1638 a 1651)
Estilo
Renascimento / Maneirismo

A Quinta da Penha Verde, na encosta norte da serra de Sintra, foi criada por D. João de Castro, vice-rei da Índia, como quinta de recreio e lugar de recolhimento. É Monumento Nacional desde 1953 e continua a ser propriedade privada. Neste texto, o que se sabe do seu jardim de capelas, fontes e inscrições vem dos registos oficiais e de um inventário de jardins históricos, e não de uma visita.

A quinta de um vice-rei

Segundo o registo da Património Cultural, os terrenos da Penha Verde e da vizinha Quinta dos Cedros foram doados por D. Manuel no início do século XVI a D. João de Castro, que decidiu fazer ali uma quinta de recreio. O SIPA acrescenta que mandou arrancar as árvores de fruto e deixar crescer a vegetação, determinando que a quinta nunca fosse de produção. O palacete primitivo, de dimensões reduzidas, data de cerca de 1534.

Em 1542 mandou construir a ermida de Nossa Senhora do Monte, de planta circular. Uma inscrição sobre a porta, transcrita pelo SIPA, diz que a dedicou à Virgem em cumprimento de um voto, e nas ombreiras lêem-se as datas de 1542 e 1543. O registo atribui o tempietto a Francisco de Holanda; o inventário dos jardins históricos fala de um desenho de Miguel Arruda, e o SIPA lista ambos como atribuições. Em 1543 D. João III doou-lhe o monte das Alvíssaras, depois chamado Alto de Santa Catarina. D. João de Castro morreu na Índia em 1548.

Capelas, fontes e pedras da Índia

Entre 1638 e 1651, o neto D. Francisco de Castro, inquisidor-geral, ampliou o palacete e mandou construir capelas: a de Santa Catarina, no ponto mais alto (inscrições de 1638 e 1641), a de São João Baptista, revestida de painéis de azulejo com a vida do santo, e a de São Brás, integrada na casa. O registo situa nessa época a entrada atual, com portal maneirista e brasão dos Castro. Os jardins que antecedem a casa, de desenho formal, são do século XVIII.

O resto está na mata. As fontes de Neptuno, dos Azulejos e dos Passarinhos (esta com azulejos datados de 1651) pontuam os caminhos, e o SIPA refere duas lápides com inscrição em sânscrito junto ao percurso para a ermida. O inventário da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos lê nelas as recordações da Índia de D. João de Castro e considera a quinta um dos jardins mais notáveis do país, mas essa avaliação é do inventário, não do registo oficial.

Classificação

A Quinta da Penha Verde é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 39 175, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 77, de 17 de abril de 1953. O registo indica que está abrangida pela zona de proteção do Palácio de Seteais e pela Paisagem Cultural de Sintra, inscrita na Lista do Património Mundial; não verificámos esta pertença nos documentos da UNESCO. Sobre o contexto, veja Sintra, jardins históricos e quintas de recreio.

Propriedade e acesso

O SIPA regista a propriedade como privada, de pessoa coletiva, e resume a sucessão: arrendada em 1873 a Sir Francis Cook, vendida em 1913 ao segundo visconde de Monserrate, em 1940 à Sociedade da Quinta da Penha Verde, Lda., da família Rau, e adquirida em 1991 por duas firmas inglesas. A recuperação dos jardins começou em 1992, sob a coordenação do arquiteto paisagista Gerald Luckhurst. O proprietário atual não foi identificado.

Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos nenhuma entidade oficial ou operador que anunciasse visitas, e a quinta não consta como gerida pela Parques de Sintra. O inventário dos jardins históricos, consultado em 2014 e 2020, classifica-a como residencial e não visitável. Quem quiser ver outras quintas da mesma encosta pode continuar para o Palácio de Seteais, a Quinta da Regaleira ou o Palácio de Monserrate; confirme as condições de visita em cada operador.

Perguntas frequentes

Quem fundou a Quinta da Penha Verde?
D. João de Castro, vice-rei da Índia, a quem D. Manuel I doou os terrenos nas primeiras décadas do século XVI. Mandou erguer um palacete simples por volta de 1534 e a ermida de Nossa Senhora do Monte em 1542, segundo o registo da Património Cultural.
Está classificada?
Sim, como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 39 175, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 77, de 17 de abril de 1953. O registo indica que está abrangida pela Paisagem Cultural de Sintra, inscrita na Lista do Património Mundial.
Pode visitar-se?
Não há acesso público confirmado. A quinta é propriedade privada: o registo SIPA indica propriedade de pessoa coletiva e o inventário da Associação Portuguesa dos Jardins Históricos, consultado em 2014 e 2020, classifica-a como não visitável.
Quem gere a quinta?
Não consta como gerida pela Parques de Sintra. É propriedade privada, e o proprietário atual não foi identificado nas fontes consultadas.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Quinta da Penha Verde (registo 70450), cópia arquivada de 2018
  2. SIPA — Quinta da Penha Verde / Quinta da Fonte de El-Rei (IPA.00022684), cópia arquivada
  3. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Quinta da Penha Verde (NINV 3440)
  4. Diário do Governo — Decreto n.º 39 175, de 17 de abril de 1953
  5. Associação Portuguesa dos Jardins Históricos — Quinta da Penha Verde (inventário)
  6. Wikidata — Solar da Quinta da Penha Verde (Q66814435)

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