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Monumentos
Chalet e Jardim da Condessa d'Edla
Chalet da Condessa d'Edla, no Parque da Pena: casa alpina de D. Fernando II e Elise Hensler, decoração em cortiça, incêndio de 1999, restauro e visita.
- Localização
- Sintra, Lisboa
- Construção
- 1864–1869
O Chalet da Condessa d’Edla é uma casa de recreio escondida na zona ocidental do Parque da Pena, em Sintra. Paredes amarelas que fingem tábuas de madeira, janelas de arco quebrado e trepadeiras de cortiça dão-lhe um ar de cabana alpina transplantada para a serra. Foi o refúgio privado de D. Fernando II e de Elise Hensler, e o jardim que o rodeia faz parte da mesma obra. Do Palácio da Pena, no alto, até aqui, mudam a escala e o tom: em vez da residência régia, uma casa pensada para o casal.
Quem o construiu
Elise Hensler nasceu na Suíça em 1836 e viveu largos anos em Boston. Estudou em Paris, atuou em Milão e cantou nos teatros de São João, no Porto, e de São Carlos, em Lisboa, onde D. Fernando II a conheceu. O rei viúvo de D. Maria II casou com ela em 1869, já com D. Luís I no trono. Para esse casamento, o duque Ernesto II de Saxe-Coburgo e Gotha, primo de D. Fernando, concedeu-lhe o título de condessa d’Edla.
A Parques de Sintra – Monte da Lua, entidade que gere o monumento, data a construção do chalet e do jardim envolvente de 1864–1869 e diz que foi a própria Elise Hensler quem desenhou e projetou o edifício. O registo nacional do património acrescenta que, em 1867, a obra estava já adiantada o suficiente para começarem os revestimentos interiores de estuque e pintura, entregues a Sebastião Ribeiro Alves. Refere também mestres como Gregório e Domingos Martins Freire, mas atribui a conceção e a supervisão a Elise Hensler.
Uma casa alpina em Sintra
O modelo é o dos chalets alpinos, então em voga na Europa. Para o construir, escolheu-se um ponto a poente do palácio, com vista para a Pena, o mar e o vale da Feteira. O exterior é um cenário: segundo o folheto da Parques de Sintra, o reboco imita um revestimento em pranchas de madeira. A cortiça é um dos materiais principais da decoração. Molda as molduras dos vãos, cobre balaústres e finge trepadeiras que sobem pelas paredes. Uma fotografia de cerca de 1870, atribuída a C. Relvas, mostra até mobiliário de jardim em cortiça. Para a matéria-prima e os ofícios, veja o trabalho da cortiça.
O piso térreo divide-se em zona de serviço, com cozinha e copa, e zona de receção. Na Sala das Heras, o estuque reproduz hastes de hera que partem dos cantos, como se o jardim entrasse na sala. A Casa de Jantar tem as paredes forradas a cortiça rugosa. A Parques de Sintra explica que esse revestimento se inspirou no Convento dos Capuchos, então conhecido como Convento da Cortiça. No átrio da escada, a pintura mural de 1869 prolonga a ideia de casa de madeira, e no patamar estão as armas de D. Fernando II. No piso de cima ficam o quarto do casal, com vista para o palácio, e os toilettes do rei e da condessa. Um guarda-roupa servia também de sala de estar e de trabalho a Elise Hensler. O toilette da condessa tem fundo azul e rendas suíças pintadas, moda dos boudoirs do fim da década de 1860.
O conjunto é um exemplo pequeno, mas muito completo, do gosto que marcou a serra no século XIX. Para o enquadrar, veja Romantismo e revivalismos.
O jardim da condessa
O jardim nasceu com a casa. O folheto da Parques de Sintra fala de uma coleção com mais de 200 espécies, entre vegetação autóctone e exemplares exóticos. Destacam-se a Feteira da Condessa, com a coleção de fetos arbóreos mais antiga do parque, as azáleas e os rododendros, introduzidos em 1864 segundo a mesma fonte, e as camélias. Entre as camélias há variedades batizadas «D. Fernando II» e «Condessa d’Edla». Perto do chalet erguem-se as Pedras do Chalet, um caos de blocos de granito com miradouros sobre o palácio. Para quem vem do Palácio da Pena, uma das entradas é a Ponte Nova, uma pérgola de madeira sobre uma ponte rústica. O conjunto ajuda a ler o resto do Parque da Pena, que o casal continuou a plantar.
Herança, abandono, incêndio e restauro
D. Fernando II morreu em 1885 e deixou em testamento à condessa todos os seus bens, incluindo o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros. Seguiu-se um processo judicial para que esse património passasse para a Coroa. Segundo a Parques de Sintra, Elise Hensler acabou por vender o parque, o palácio e o castelo ao Estado e conservou o usufruto do chalet e do jardim até 1904. O folheto da mesma entidade situa a venda em 1889.
O registo nacional indica que o edifício foi abandonado nas décadas de 1930 e 1940. Em 1999, um incêndio destruiu grande parte do edifício. Segundo a candidatura premiada pela Europa Nostra, caíram coberturas, pavimentos, paredes divisórias e a varanda. O projeto de recuperação, apoiado pelos EEA Grants, começou em 2007 com a recolha de vestígios, o estudo das técnicas originais e a modelação 3D. As obras arrancaram em 2010: reforço das alvenarias, reconstrução dos elementos interiores em madeira, conservação dos rebocos exteriores que imitam tábuas e restauro da decoração em cortiça. O chalet reabriu ao público em 2011. Em 2013, o restauro recebeu o Prémio da União Europeia para o Património Cultural – Europa Nostra, na categoria de Conservação.
Classificação e Património Mundial
O registo nacional identifica o Chalé da Condessa de Edla, também denominado «Chalé da Condessa», como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 45/93, de 30 de novembro, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 280. O diploma situa-o «no Parque da Pena, Sintra, freguesia de São Pedro de Penaferrim».
O chalet fica dentro do perímetro da Paisagem Cultural de Sintra, inscrita na Lista do Património Mundial em 1995. A declaração de valor universal da UNESCO cita o chalet ao falar das obras de restauro da Parques de Sintra, não na lista dos marcos da paisagem. Essa inscrição não é uma inscrição própria do edifício. A UNESCO indica que todo o bem inscrito está também classificado como Monumento Nacional, enquadramento que o registo nacional repete na ficha do chalet. Para o conjunto, veja a Paisagem Cultural de Sintra.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava que o chalet abria das 09h00 às 17h30, com última entrada às 17h00, e o Parque da Pena das 09h00 às 19h00. A entrada no chalet e no jardim estava incluída nos bilhetes do Parque da Pena e do Parque e Palácio Nacional da Pena. O portão de entrada do chalet fechava entre as 12h00 e as 14h00, mas os bilhetes e o acesso continuavam disponíveis pelas outras entradas do parque. Confirme horários e preços na página da Parques de Sintra.
A mesma página informava que não é permitido circular em viatura particular nos acessos ao monumento. A partir da estação ferroviária de Sintra, indicava o autocarro 434 da Scotturb. Para quem vai a pé, apresentava três percursos sinalizados até ao Parque da Pena: o de Santa Maria, o da Vila Sassetti e o de Seteais, que parte do Palácio de Seteais.
Fotografia de Kent Wang, de 14 de fevereiro de 2026. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem construiu o Chalet da Condessa d'Edla?
- D. Fernando II e Elise Hensler, que só recebeu o título de condessa d'Edla em 1869, ano do casamento. A Parques de Sintra data o chalet e o jardim de 1864–1869 e afirma que foi Elise Hensler quem o desenhou e projetou.
- Onde está a cortiça no chalet?
- No exterior, a cortiça molda as molduras dos vãos, balaústres e falsas trepadeiras que sobem pelas paredes. No interior, a sala de jantar tem paredes forradas a cortiça rugosa, que a Parques de Sintra relaciona com o Convento dos Capuchos.
- O que aconteceu em 1999?
- Um incêndio destruiu grande parte do edifício. Depois de recolha de vestígios e estudos iniciados em 2007, as obras arrancaram em 2010 e o chalet reabriu em 2011. O restauro recebeu em 2013 o Prémio da União Europeia para o Património Cultural – Europa Nostra.
- Que proteção tem o chalet?
- Está classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 45/93, de 30 de novembro. Fica dentro do perímetro da Paisagem Cultural de Sintra, inscrita na Lista do Património Mundial em 1995; não tem inscrição UNESCO própria.
Fontes
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Chalet e Jardim da Condessa d'Edla
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Chalet e Jardim da Condessa d'Edla: história
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Chalet da Condessa d'Edla: Casa de Jantar
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Chalet da Condessa d'Edla: Átrio da Escada
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Chalet da Condessa d'Edla: Sala das Heras
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Jardim da Condessa d'Edla
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Pedras do Chalet
- Parques de Sintra – Monte da Lua — Folheto «Jardim e Chalet da Condessa» (PDF)
- Património Cultural, I.P. — Chalé da Condessa de Edla (72946)
- Diário da República — Decreto n.º 45/93, de 30 de novembro (I Série-B, n.º 280)
- Europa Nostra — European Heritage Awards: The Chalet of the Countess of Edla, Sintra (2013)
- UNESCO — Cultural Landscape of Sintra (723)
- Wikidata — Chalet da Condessa de Edla (Q54253293)
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