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Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel

Santuário do Cabo Espichel, em Sesimbra: igreja de 1701–1707, hospedarias dos romeiros, Ermida da Memória, Casa da Água, círios e proteção legal do conjunto.

Perguntas frequentes Fontes
Terreiro do Santuário do Cabo Espichel com cruzeiro de pedra ao centro, as duas alas brancas e arcadas das hospedarias e a igreja ao fundo
Alvesgaspar, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Sesimbra, Setúbal
Construção
1701–1770 (igreja 1701–1707; hospedarias 1745–1760)

No extremo da península de Setúbal, sobre falésias calcárias, o Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel reúne uma igreja, duas longas alas de hospedarias para romeiros e um terreiro aberto entre elas. O município de Sesimbra descreve-o como um conjunto civil e religioso que alia a monumentalidade do edificado à devoção. É também conhecido como Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua. Este nome liga-o a uma lenda e a uma jazida de pegadas de dinossauros no mesmo promontório.

Origens: entre documento e lenda

Segundo o município, as origens do culto remontam pelo menos ao século XIV. Um documento da chancelaria de D. Pedro I, de 1366, refere os caminhos de peregrinação a Santa Maria do Cabo. A tradição oral situa a descoberta da imagem mais tarde. Em 1410, dois velhos, um da Caparica e outro de Alcabideche, avisados em sonhos semelhantes, teriam encontrado no promontório a imagem de Nossa Senhora. O documento é, assim, anterior à data que a tradição atribui à descoberta.

No século XV ergueram-se a Ermida da Memória e a primitiva igreja. A ermida fica no topo da escarpa sul da baía dos Lagosteiros e assinala o lugar onde, segundo a lenda, se deu a aparição. Em 1432 constituiu-se a Confraria de Nossa Senhora do Cabo, sinal da afluência de peregrinos. A nota do Governo de 2021 sobre o santuário acrescenta que nada resta hoje do primitivo santuário descrito nas visitações da Ordem de Santiago.

O santuário do século XVIII

A grande campanha de obras situa-se, segundo o município, entre 1701 e 1770. Desse período datam as principais construções do conjunto: a igreja, as hospedarias, a Casa da Água, o aqueduto, a Mãe d’Água do Poço Velho da Azóia, poços, a Casa da Lenha, três cruzeiros de peregrinação e o cruzeiro de chegada. A nota governamental de 2021 atribui a iniciativa a D. Pedro II e a D. José e dá datas mais precisas. A igreja foi construída entre 1701 e 1707, em estilo chão. As duas alas de hospedarias datam de 1745–1760. A Casa da Água, de 1770, era abastecida por um aqueduto.

As hospedarias são o elemento mais marcante do conjunto. As duas fiadas de habitações para os romeiros formam duas linhas que conduzem o olhar até à igreja. As arcadas do piso térreo e as janelas do andar superior criam um jogo de cheios e vazios e de luz e sombra. A fonte governamental fala de uma arquitetura de traço popular, mas de grande interesse. Para a matriz arquitetónica de época, veja a arquitetura barroca em Portugal. Para outros lugares de peregrinação, consulte santuários e locais de romaria.

O conjunto inclui ainda uma Casa da Ópera e as hortas dos peregrinos. As fontes consultadas não coincidem quanto à data da Casa da Ópera, por isso não lhe atribuímos aqui uma data.

Os círios e a continuidade do culto

Segundo o município, o culto entrou em declínio progressivo com as invasões napoleónicas. Esse declínio foi travado por várias obras de recuperação nas últimas décadas. O culto mantém-se vivo, nomeadamente através das celebrações dos círios de Azoia, Palmela e Sesimbra, com festividades em março e abril e em agosto e setembro.

O Decreto n.º 37 728, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1950, classificou como Imóvel de Interesse Público o «conjunto da Igreja de Nossa Senhora do Cabo, no Cabo Espichel, casa dos círios e terreiro». O registo nacional usa hoje a designação Conjunto da Igreja de Nossa Senhora do Cabo, casa dos círios e terreiro. A zona especial de proteção foi fixada por portaria de 6 de novembro de 1963, publicada no Diário do Governo, II série, n.º 280, de 29 de novembro de 1963. O texto do decreto não enumera separadamente a Ermida da Memória, a Casa da Água ou o aqueduto. Quem precise de saber o estatuto de cada elemento deve confirmá-lo junto da Património Cultural, I.P.

O santuário fica na área do Parque Natural da Arrábida. A Pedra da Mua, no mesmo cabo, conserva lajes calcárias com trilhos de pegadas de dinossauros saurópodes do Jurássico. O município associa a jazida à lenda de Nossa Senhora do Cabo. Segundo o município, a jazida tem proteção própria como Monumento Natural, pelo Decreto-Lei n.º 20/97, de 7 de maio.

Propriedade e futuro das hospedarias

A propriedade do conjunto não está numa só entidade. Segundo a nota do Governo de 2021, a ala norte das hospedarias pertence ao domínio privado do Município de Sesimbra. A ala sul integra um imóvel da Confraria de Nossa Senhora do Cabo, e a concessão abrangia essa parte. Nesse ano abriu-se, no âmbito do programa Revive, um concurso de concessão por 50 anos destas áreas. A concessão abrangia 5 937 m² de construção e destinava-se a um estabelecimento hoteleiro ou a outro projeto turístico. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não foi possível confirmar em fonte oficial o resultado desse concurso nem o estado atual das obras nas hospedarias.

Preparar a visita

O Cabo Espichel fica a cerca de 15 km de Sesimbra, segundo o município. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos um horário oficial publicado para a igreja nem condições de visita ao interior das hospedarias. Antes de planear a deslocação, confirme a informação junto do Município de Sesimbra ou do posto de turismo. A igreja é um lugar de culto: respeite as celebrações em curso. Para continuar pelo concelho, veja o Castelo de Sesimbra. Na serra, o Convento da Arrábida é outro marco religioso na paisagem.

Fotografia de Alvesgaspar, de 28 de fevereiro de 2015. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O que está classificado no Cabo Espichel?
O Decreto n.º 37 728, de 5 de janeiro de 1950, classificou como Imóvel de Interesse Público o conjunto da Igreja de Nossa Senhora do Cabo, a casa dos círios e o terreiro. Uma portaria de 6 de novembro de 1963 fixou a respetiva zona especial de proteção.
Quando foi construído o santuário atual?
O município situa entre 1701 e 1770 as principais edificações do conjunto. O Governo indicava em 2021 que a igreja foi construída entre 1701 e 1707 e que as duas alas de hospedarias datam de 1745–1760, com a Casa da Água datada de 1770.
O culto no santuário ainda está ativo?
Sim. Segundo o município de Sesimbra, o culto mantém-se vivo, nomeadamente através das celebrações dos círios de Azoia, Palmela e Sesimbra, com festividades em março e abril e em agosto e setembro.
Que relação tem o santuário com a Pedra da Mua?
A jazida de pegadas de dinossauros da Pedra da Mua, no Cabo Espichel, está associada pela tradição à lenda de Nossa Senhora do Cabo. É uma proteção distinta: segundo o município, a jazida foi classificada como Monumento Natural pelo Decreto-Lei n.º 20/97, de 7 de maio.

Fontes

  1. Município de Sesimbra — Santuário do Cabo
  2. Município de Sesimbra — Cabo Espichel
  3. Município de Sesimbra — Jazida de icnofósseis da Pedra da Mua
  4. Governo de Portugal — Revive: aberto concurso para concessão do Santuário do Cabo Espichel (2021)
  5. Diário do Governo — Decreto n.º 37 728, de 5 de janeiro de 1950
  6. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado: Conjunto da Igreja de Nossa Senhora do Cabo, casa dos círios e terreiro (NINV 4041)
  7. Wikidata — Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel (Q3344716)

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