Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Arqueologia

Antas do concelho de Évora

Dez antas do concelho de Évora, além do Zambujeiro, são Monumento Nacional desde 1910: câmaras de sete esteios, corredores e covinhas gravadas, em herdades.

Perguntas frequentes Fontes
Anta do Barrocal, perto da Tourega, com esteios verticais de granito e uma laje de cobertura horizontal, num terreno aberto com eucaliptos ao fundo
Roundtheworld, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Nossa Senhora da Tourega, Évora, Évora
Construção
c. 4000–2500 a.C.
Estilo
Megalítico (dólmenes de câmara poligonal e corredor)

À volta da cidade de Évora espalha-se um dos mais densos conjuntos de sepulcros megalíticos da Península Ibérica. A Anta Grande do Zambujeiro tem página própria; este guia trata das outras dez antas do concelho classificadas como Monumento Nacional, todas pelo mesmo decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). São monumentos mais modestos, em herdades, que ajudam a perceber o que o registo chama o “universo megalítico eborense”: antas de câmara poligonal com sete esteios, corredor e mamoa, construídas entre o início do 4.º e meados do 3.º milénio a.C.

O que as une

Os textos do registo repetem uma fórmula: estas antas seguem o modelo da Anta Grande da Comenda da Igreja, em Montemor-o-Novo. A câmara tem cerca de 3 metros de diâmetro e sete esteios de granito; o corredor, quando existe, é de planta oblonga e coberto por dintéis dispostos em sequência, enquanto a câmara leva uma só laje. Várias conservam covinhas gravadas, pequenas concavidades na pedra. Trata-se de arquitetura funerária coletiva, do tipo que o guia do megalitismo explica em geral; o Cromeleque dos Almendres, do mesmo concelho, é outro capítulo da mesma paisagem pré-histórica.

As dez antas

Entre parênteses, o código do registo em imovel.patrimoniocultural.gov.pt e a freguesia indicada.

  • Anta do Paço da Vinha (70470; Canaviais). Câmara alongada, com cerca de 4 metros de largura e sete esteios com 2 metros de altura, que mantém intacta a cobertura original. O corredor, de cerca de 9,5 metros, é considerado um dos mais compridos da região; conserva seis dos dez esteios possíveis e duas lajes de cobertura com covinhas na face exterior.
  • Anta de Paredes (70116; Nossa Senhora da Graça do Divor). Câmara de cerca de 3 metros, sete esteios de cerca de 2 metros, corredor de 3,5 metros do qual restam dois esteios fragmentados e duas lajes. Uma laje tem 31 covinhas. Vestígios de mamoa com 0,5 metros de altura e 9 de diâmetro.
  • Anta de Silvadas (70115; Divor). Câmara de 3,5 metros e corredor de cerca de 4 metros, com sete dintéis (três caídos). É a que melhor mostra a cobertura diferenciada: uma laje na câmara, vários dintéis no corredor. Tem outros nomes no registo (Silval).
  • Anta da Herdade da Galvoeira (70386; Bacelo e Senhora da Saúde). Corredor com quatro esteios de xisto, o que a distingue das restantes, em granito; laje de cobertura de grandes proporções na câmara e pequenos dintéis no corredor.
  • Anta do Barrocal (70649; Nossa Senhora da Tourega e Nossa Senhora de Guadalupe). Câmara de sete esteios, cinco no lugar, com 3 metros de diâmetro e 2,30 metros de altura; corredor visivelmente destruído. É a da fotografia.
  • Anta da Herdade da Murteira (70448; Torre de Coelheiros). Sete esteios da câmara no lugar; do corredor só restam dois esteios fraturados, achados dentro da câmara, e três fragmentos da cobertura.
  • Anta da Herdade da Tisnada (70737; Torre de Coelheiros). Muito deteriorada: conserva cinco dos nove esteios da câmara, a cerca de 1,5 metros do solo. Georg Leisner tratou-a em 1949.
  • Anta de Pinheiro do Campo (70296). Escavada por Gabriel Pereira no século XIX; câmara com sete esteios no lugar, laje de cobertura, laje de fecho com arquitrave e dois esteios de corredor. Nota: o Atlas coloca-a no concelho de Évora, mas a ficha do registo indica a freguesia de Nossa Senhora da Vila (Montemor-o-Novo) e observa que o decreto de 1910 a refere em Évora.
  • Anta da Herdade do Zambujal (70738; Tourega). Já muito destruída quando Possidónio Narciso da Silva a descobriu, no século XIX, e já invisível no tempo dos Leisner; resta a planta publicada, com três esteios. É um monumento classificado que só existe no papel.
  • Anta da Herdade de Montinho (70384; Nossa Senhora de Machede). O registo diz que perdeu há muito o rasto, com a hipótese de coincidir com a Anta 2 do Paço das Vinhas.

Um conjunto para ver em contexto

Estas antas pertencem à nuvem de monumentos que inclui, ainda no concelho, os quatro dólmenes de Vale de Rodrigo, os menires da Casbarra e o Menir dos Almendres, protegidos como imóveis de interesse público, e o complexo megalítico de Monsaraz, noutro concelho. Em Évora, o que se ganha é a comparação entre exemplares: um corredor longo em Paço da Vinha, covinhas em Paredes, xisto na Galvoeira, ruína em Tisnada, ausência em Zambujal e Montinho.

Como visitar

Na consulta de 5 de novembro de 2026, as fichas do registo não indicavam restrições de acesso nem horários, e descrevem os monumentos por indicações de herdade e caminho vicinal (a Silvadas, por exemplo, a cerca de 18 km de Évora, junto ao Monte da Herdade do Silval). Trata-se de terrenos agrícolas privados: confirme o acesso com a Câmara Municipal de Évora antes de se deslocar, deixe as cancelas como as encontrou e não suba aos monumentos se houver gado ou culturas. A Anta Grande do Zambujeiro e o cromeleque dos Almendres têm páginas próprias com a informação de visita.

Fotografia de Roundtheworld, de 11 de outubro de 2019. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quantas antas do concelho de Évora são Monumento Nacional?
O registo nacional indica onze, incluindo a Anta Grande do Zambujeiro, que tem página própria. As outras dez são Tisnada, Paredes, Zambujal, Murteira, Galvoeira, Montinho, Pinheiro do Campo, Barrocal, Paço da Vinha e Silvadas.
Todas existem ainda?
Não em estado completo. O registo descreve a Anta do Zambujal como já desaparecida quando os Leisner a procuraram, restando apenas a planta do século XIX, e a Anta de Montinho como perdida, possivelmente identificada com uma das antas do Paço das Vinhas.
O que são as covinhas?
Pequenas concavidades gravadas na pedra. O registo refere 31 covinhas numa laje do corredor da Anta de Paredes e covinhas na face exterior de duas lajes do corredor da Anta do Paço da Vinha.
Posso visitar estas antas?
As fichas do registo não indicam restrições nem horários e descrevem os acessos por caminhos vicinais de herdades. Confirme o acesso com a Câmara Municipal de Évora antes de ir e respeite as propriedades.

Fontes

  1. Património Cultural — Anta da Herdade da Tisnada
  2. Património Cultural — Anta de Paredes
  3. Património Cultural — Anta da Herdade do Zambujal
  4. Património Cultural — Anta da Herdade da Murteira
  5. Património Cultural — Anta da Herdade da Galvoeira
  6. Património Cultural — Anta da Herdade de Montinho
  7. Património Cultural — Anta de Pinheiro do Campo
  8. Património Cultural — Anta do Barrocal
  9. Património Cultural — Anta do Paço da Vinha
  10. Património Cultural — Anta de Silvadas
  11. Património Cultural — Atlas do Património Classificado (serviço geográfico)
  12. Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 — Decreto de 16 de junho de 1910

Continue a explorar

Património por perto

Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.

Explorar o atlas