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Arqueologia
Antas de Montemor-o-Novo
Sete antas de Montemor-o-Novo são Monumento Nacional, entre elas a Anta Grande da Comenda da Igreja, protótipo do megalitismo eborense, e uma anta-ermida.
- Localização
- Nossa Senhora do Bispo, Montemor-o-Novo, Évora
- Construção
- c. 3500–2500 a.C.
- Estilo
- Megalítico (dólmenes de câmara poligonal e corredor)
O concelho de Montemor-o-Novo, no Alentejo Central, é um dos mais ricos em arquitetura funerária megalítica. O registo do Património Cultural lembra que os pioneiros da arqueologia portuguesa o percorreram, no último quartel do século XIX, à procura de antas que mostrassem a antiguidade do megalitismo português face ao ibérico. Hoje, sete antas constam como Monumento Nacional, a que se somam outras com classificação inferior ou em vias de classificação. Este guia reúne as sete, com o que o registo diz sobre cada uma, e enquadra-as no megalitismo da região de Évora.
O megalitismo eborense
Os registos usam a expressão “megalitismo eborense” para designar as antas da região de Évora e de Montemor, construídas entre os finais do 4.º e meados do 3.º milénio a.C.: câmara poligonal de sete ou oito esteios de granito, laje de cobertura, corredor e mamoa. O registo identifica a Anta Grande da Comenda da Igreja, em Montemor, como o protótipo do conjunto, e é por referência a ela que descreve as antas vizinhas. Para o panorama geral, veja o guia do megalitismo; a mais famosa do mesmo universo, a Anta Grande do Zambujeiro, fica já no concelho de Évora.
As sete antas Monumento Nacional
Entre parênteses, o código do registo em imovel.patrimoniocultural.gov.pt e o diploma de classificação indicado.
- Anta Grande da Comenda da Igreja (69719; Nossa Senhora do Bispo; Decreto n.º 26 236, de 20 de janeiro de 1936). Câmara poligonal com cerca de 4 metros de diâmetro, oito esteios com 6 metros de altura e corredor de 11 metros, com lajes de quase 2 metros de altura. O registo descreve-a em bom estado, com o corredor praticamente intacto e parte da mamoa no lugar. É a âncora de qualquer visita.
- Antas Grandes do Paço (70279; 1936). Duas antas frente a frente, a cerca de 30 metros uma da outra, numa vertente sobre a Ribeira de Lavre. O registo compara-as à Comenda da Igreja pelas câmaras e corredores monumentais e diz que estão estruturalmente intactas, com cobertura e corredores integrados na mamoa.
- Anta da Velada, na Herdade da Comenda do Coelho (70280; Nossa Senhora do Bispo; 1936). Isolada na margem de um atoleiro que, nos níveis máximos, a submerge parcialmente. Da câmara resta o esteio da cabeceira; o chapéu jaz derrubado ao lado; do corredor, dois esteios e alguns dintéis.
- Anta da Herdade das Comendas, também Anta da Comenda Grande (70156; Nossa Senhora do Bispo; decreto de 16 de junho de 1910). Oito esteios da câmara no lugar, o chapéu no lugar e um esteio do corredor.
- Anta da Herdade da Serranheira (70577; Nossa Senhora da Vila; 1910). Câmara de sete esteios e corredor com dois esteios a sul e um a norte; a laje de cobertura está fraturada no interior. O registo diz o monumento muito danificado por agentes atmosféricos, com vestígios de mamoa.
- Anta da Herdade dos Tourais (70131; Nossa Senhora da Vila; 1910). Câmara de sete esteios, sem corredor, restaurada por consolidação com alvenaria. O registo acrescenta que é visível da EN 90, no sentido Montemor–Évora.
- Anta-Ermida de Nossa Senhora do Livramento (73365; Santiago do Escoural). Ver abaixo.
O diploma de 1910 é o decreto de 16 de junho, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910; o de 1936 é o Decreto n.º 26 236, publicado no n.º 16 de 20 de janeiro. No caso do Livramento, a ficha do registo cita o Decreto n.º 41 191, de 18 de julho de 1957, enquanto o Atlas indica o decreto de 1910: não consegui resolver esta diferença com o texto dos diplomas.
Uma anta que é capela
A Anta-Ermida de Nossa Senhora do Livramento, também chamada Anta de São Brissos, é o caso mais invulgar. O registo conta que a anta, de que restam cinco esteios, foi convertida em capela em pleno século XVII: o espaço da câmara é hoje o átrio da ermida, ainda se vê a laje de cobertura e há indícios do corredor, com dois esteios no lugar. No interior está a imagem de Nossa Senhora do Livramento, local de romaria, sobretudo no período pascal, com práticas populares que o registo associa à forma como o cristianismo assimilou costumes anteriores. O mesmo texto identifica-a como a anta n.º 7 de São Brissos. Sobre outras capelas e ermidas, veja o guia de capelas e ermidas. Fica na mesma freguesia da Gruta do Escoural, o santuário paleolítico que dá a Montemor uma profundidade de ocupação pré-histórica ainda maior.
Como visitar
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o registo não indicava restrições de acesso às sete antas, mas não publica horários, condições de visita nem percursos; vários monumentos estão em herdades. A Anta dos Tourais, junto à EN 90, é a de acesso mais simples. Para as restantes, confirme o acesso e a autorização do proprietário junto da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo antes de se deslocar, e respeite as vedações. Quem preparar um percurso pela região deve juntar o Cromeleque dos Almendres e a cidade de Évora.
Fotografia de Vitor Oliveira (Portuguese eyes), de 12 de novembro de 2005. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quantas antas de Montemor-o-Novo são Monumento Nacional?
- O registo nacional do Património Cultural indica sete: Comenda da Igreja (a Anta Grande), Antas Grandes do Paço, Velada, Herdade das Comendas, Serranheira, Tourais e a Anta-Ermida de Nossa Senhora do Livramento. Outras antas do concelho estão classificadas com graus inferiores ou em vias de classificação.
- Qual é a anta mais importante?
- A Anta Grande da Comenda da Igreja, descrita no registo como protótipo do megalitismo eborense: câmara com cerca de 4 metros de diâmetro, oito esteios de 6 metros de altura e corredor de 11 metros, em bom estado de conservação.
- O que é a Anta-Ermida de Nossa Senhora do Livramento?
- É uma anta transformada em capela no século XVII, em Santiago do Escoural. A antiga câmara funciona hoje como átrio da ermida e o local é de romaria, sobretudo no período pascal.
- Posso visitar as antas?
- O registo não indica restrições legais, mas não publica horários nem condições de acesso. A Anta dos Tourais, restaurada, é visível da EN 90, segundo o registo. Confirme com a Câmara Municipal antes de ir.
Fontes
- Património Cultural — Anta Grande da Comenda da Igreja
- Património Cultural — Antas Grandes do Paço
- Património Cultural — Anta da Velada (Comenda do Coelho)
- Património Cultural — Anta da Herdade das Comendas
- Património Cultural — Anta da Herdade da Serranheira
- Património Cultural — Anta da Herdade dos Tourais
- Património Cultural — Anta-Ermida de Nossa Senhora do Livramento
- Património Cultural — Atlas do Património Classificado (serviço geográfico)
- Diário do Governo n.º 16, de 20 de janeiro de 1936 — Decreto n.º 26 236
- Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 — Decreto de 16 de junho de 1910
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