Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Arqueologia

Antas do distrito de Viseu e da Beira Alta

Dez antas e dólmenes Monumento Nacional entre Viseu, Dão-Lafões e a Serra da Estrela: câmaras com corredor, pinturas a vermelho e preto e covinhas gravadas.

Perguntas frequentes Fontes
Anta de Cunha Baixa, em Mangualde: corredor de esteios de granito alinhados em fila e câmara com laje de cobertura, num recinto vedado entre pinheiros
Concierge.2C, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Cunha Baixa, Mangualde, Viseu
Estilo
Megalítico (dólmenes de câmara poligonal e corredor, Beira Alta)

O planalto entre Viseu, o Dão e a Serra da Estrela concentra um dos grupos de dólmenes mais característicos do Portugal megalítico: câmaras poligonais de granito, por vezes com corredores muito longos, e esteios decorados com pinturas a vermelho e preto ou com covinhas gravadas. O Atlas do Património Classificado lista aqui vários Monumentos Nacionais, a maioria desde o decreto de 16 de junho de 1910. Este guia reúne dez, oito no distrito de Viseu e dois, Carapito e Paranhos, no da Guarda, que pertencem à mesma paisagem da Beira Alta. Para o enquadramento geral, veja o guia do megalitismo e a arte megalítica portuguesa. A cidade de Viseu serve de base natural.

Vários registos (Mamaltar, Cunha Baixa, Antelas, Juncais e Carapito) remetem para o “Conjunto de Monumentos Megalíticos do Grupo de Viseu Dão Lafões”. A bibliografia citada no registo do Mamaltar refere-se ao “Grupo de Viseu” estudado por E. Shee, em 1981, sobretudo pela sua arte pintada e gravada. As fichas descrevem os monumentos como do Neolítico final e do Calcolítico, o que corresponde, no essencial, ao Neolítico final e ao Calcolítico da região.

Concelho de Viseu e arredores

  • Anta de Mamaltar do Vale de Fachas (Rio de Loba, Viseu; código 69768; Atlas NINV 4415). Está a cerca de 580 metros de altitude, na Serra do Mundão, junto ao rio de Loba, e integra uma necrópole com mais dois monumentos. A câmara poligonal alongada tem nove esteios de granito que chegavam a três metros de altura; três deles tinham pinturas a vermelho e preto, hoje muito desvanecidas, com vestígios de motivos circulares. O corredor, com cerca de 8,65 metros, ainda tem três lajes de cobertura no lugar, uma delas com uma covinha. A mamoa, bem conservada, ronda os 2,5 metros de altura e os 12 de diâmetro. O registo situa a construção na transição do 4.º para o 3.º milénio a.C. e atribui a descoberta a José Coelho, em 1912; desde então não houve nova escavação. Foi classificada em 1910 (então como Anta de Mamaltar, no concelho de Albergaria-a-Velha) e a designação foi corrigida em 1993.
  • Anta de Cunha Baixa (Cunha Baixa, Mangualde; código 70677; NINV 4292). É a da fotografia deste guia: câmara de nove esteios com cerca de 3 metros de diâmetro e 3,20 metros de altura, ainda coberta pelo chapéu, e corredor com 7,17 metros delimitado por oito esteios de cada lado, com uma laje de cobertura no lugar. Tem covinhas no chapéu e num esteio do corredor e um pictograma muito deteriorado noutro. Já não há vestígios da mamoa. O registo data-a do último quartel do 4.º milénio a meados do 3.º, com espólio que chega à Idade do Bronze. Há referências desde 1870, uma escavação de Leite de Vasconcelos em 1902 e outra, em 1987, de Raquel Vilaça e Domingos da Cruz, que recuperou a planta, descobriu as gravuras e fez trabalhos de conservação.
  • Dólmen da Orca, ou Lapa da Orca (Oliveira do Conde, Carregal do Sal; código 70598; NINV 4248). Conhecido localmente como Orca de Fiais da Telha, está no Planalto do Ameal, entre o Mondego e a ribeira da Azenha. Mantém os nove esteios da câmara, com 3 metros de altura, o chapéu e um corredor de 7,5 metros com quinze esteios, sob uma mamoa de quase 20 metros de diâmetro. Foi estudado nas décadas de 1980 e 1990 por J. C. Senna-Martínez e J. M. Quintã Ventura, com espólio que vai do Neolítico à Idade do Bronze, e foi consolidado depois, com os esteios caídos recolocados. Classificado pelo Decreto n.º 735/74, de 21 de dezembro.
  • Anta pintada de Antelas (Pinheiro, Oliveira de Frades; código 70456; NINV 4317). Na Serra das Talhadas, a mamoa tem até 20 metros de diâmetro e cerca de 2,5 de altura, e cobre uma câmara de oito esteios graníticos e um corredor com pouco menos de 3,5 metros; entre a entrada e o corredor há um segmento intratumular de quase 5,5 metros, precedido de um pátio oval pavimentado a pedra. Todos os esteios da câmara têm pinturas e algumas gravuras, a preto e em duas tonalidades de vermelho, em composições geométricas, simbólicas e figurativas organizadas em torno do esteio de cabeceira. As campanhas dos anos 1950 (Luís de Albuquerque e Castro, O. da Veiga Ferreira e Abel Viana) foram seguidas de novo enterramento do monumento, para preservar as pinturas. Foi classificada pelo Decreto n.º 29/90 e a designação foi atualizada pelo Decreto n.º 45/93.

Vila Nova de Paiva, Penedono e Beira Alta

  • Orca dos Juncais ou Anta da Queiriga (Queiriga, Vila Nova de Paiva; código 69836; NINV 4410). Câmara poligonal de nove esteios e corredor longo, com oito esteios do lado norte. Seis esteios da câmara e um do corredor têm pinturas. Classificada em 1910 (então no concelho de Sátão) e reclassificada pelo Decreto n.º 45/93. Não fazia parte da lista pedida, mas pertence ao mesmo conjunto.
  • Anta de Cas-Freires (Queiriga, Vila Nova de Paiva; NINV 4342). O Atlas indica também os nomes Anta de Casfreires e Orca do Tanque e o decreto de 1910; não consegui consultar a ficha de registo, pelo que não se acrescenta mais.
  • Dólmen da Capela de Nossa Senhora do Monte (Penela da Beira, Penedono; código 70452; NINV 4325). O Atlas dá-o como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 44 075, de 5 de dezembro de 1961. Não foi possível ler a descrição do registo.
  • Anta da Arca (Arca e Varzielas, Oliveira de Frades; NINV 4316). O Atlas dá também o nome Pedra dos Mouros e indica o decreto de 1910, embora a ficha de Antelas sugira que a Anta da Arca não constava dessa lista, por ter sido identificada depois. Não foi possível ler a ficha própria.
  • Dólmen de Carapito I, ou Casa da Moura (Carapito, Aguiar da Beira, distrito da Guarda; código 70161; NINV 2895). Câmara poligonal simples, de grandes dimensões, sem corredor identificado. As escavações de V. Leisner e L. Ribeiro encontraram uma lareira com micrólitos geométricos, contas de colar de variscite e machados polidos, e camadas posteriores com cerâmica lisa. Dois esteios têm gravuras de círculos, raiados, linhas onduladas verticais e círculos concêntricos. Decreto n.º 735/74, de 21 de dezembro de 1974 (o diploma indica o distrito de Coimbra).
  • Antas de Paranhos (Paranhos, Seia, distrito da Guarda; código 71115; NINV 3011). São dois exemplares, mas o destaque vai para uma anta de câmara poligonal de quase 3 metros de diâmetro e 2 de altura máxima, com nove esteios inclinados para o interior e o chapéu no lugar; o corredor está fragmentado e semienterrado. Foi construída no Neolítico final e reutilizada no Calcolítico. Martins Sarmento examinou-a no âmbito da expedição científica à Serra da Estrela (1881). O registo refere o risco criado pela extração de areias no local.

Leitura do conjunto

Os corredores longos e bem diferenciados da câmara (Mamaltar com 8,65 metros, Orca com 7,5, Cunha Baixa com 7,17) e a decoração pintada, presente em Antelas, Juncais e Mamaltar, distinguem este grupo. Nas antas de Castelo de Vide, por exemplo, os registos descrevem sobretudo câmaras de sete esteios. A ficha de Antelas regista que o monumento foi enterrado de novo depois das escavações, justamente para preservar as pinturas.

Como visitar

Na consulta de 5 de novembro de 2026, as fichas do registo não indicavam horários nem restrições legais de acesso. Convém confirmar com a Câmara Municipal de Viseu, Mangualde, Carregal do Sal, Oliveira de Frades, Vila Nova de Paiva, Penedono, Aguiar da Beira ou Seia, conforme o caso, e não entrar em terrenos particulares sem autorização.

Fotografia de Concierge.2C, de 25 de setembro de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quantas antas Monumento Nacional há no distrito de Viseu?
Este guia reúne dez monumentos: oito no distrito de Viseu (Mamaltar do Vale de Fachas, Cas-Freires, Orca dos Juncais, Cunha Baixa, Dólmen da Orca, Antelas, Anta da Arca e Dólmen da Capela de Nossa Senhora do Monte) e dois no distrito da Guarda (Carapito I e Paranhos), da mesma paisagem megalítica da Beira Alta. A contagem corresponde ao Atlas do Património Classificado consultado em 5 de novembro de 2026.
Que antas têm pinturas?
Segundo o registo nacional, a Anta pintada de Antelas tem pinturas em todos os esteios da câmara; a Orca dos Juncais tem pinturas em seis dos nove esteios da câmara e num do corredor; o Mamaltar do Vale de Fachas conserva vestígios muito desvanecidos em três esteios.
De que época são estas antas?
Os registos situam-nos, de modo geral, entre o final do Neolítico e o Calcolítico, entre o último quartel do 4.º milénio e meados do 3.º milénio a.C. A Anta de Cunha Baixa e o Mamaltar têm datações deste tipo; o espólio de Cunha Baixa mostra visitas posteriores até à Idade do Bronze.
Posso visitá-las?
Os registos consultados não indicam horários nem condições de acesso, e não referem restrições legais. Convém confirmar com a câmara municipal respetiva antes de ir e respeitar propriedades e vedações.

Fontes

  1. Património Cultural — Anta de Mamaltar do Vale de Fachas
  2. Património Cultural — Anta de Cunha Baixa
  3. Património Cultural — Dólmen da Orca, ou Lapa da Orca
  4. Património Cultural — Anta pintada de Antelas
  5. Património Cultural — Orca dos Juncais ou Anta da Queiriga
  6. Património Cultural — Dólmen de Carapito I
  7. Património Cultural — Antas de Paranhos
  8. Património Cultural — Atlas do Património Classificado (serviço geográfico)
  9. Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 — Decreto de 16 de junho de 1910

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