Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Arqueologia

Antas de Castelo de Vide

Nove antas de Castelo de Vide são Monumento Nacional desde 1910: sepulcros do Neolítico final, na Serra de São Mamede, quase todos sem estrutura de visita.

Perguntas frequentes Fontes
Anta dos Pombais, em Castelo de Vide: câmara de esteios de granito com paredes de pedra solta nos vãos e laje de cobertura saliente, entre azinheiras
J iglar, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Santiago Maior, Portalegre
Construção
c. 3750–2500 a.C.
Estilo
Megalítico (dólmenes de câmara poligonal)

O concelho de Castelo de Vide, na vertente ocidental da Serra de São Mamede, tem uma das maiores densidades de antas do Alto Alentejo. O registo nacional do Património Cultural inclui nove antas classificadas como Monumento Nacional e mais de uma dezena com proteção de menor grau. Quase nenhuma tem estrutura de visita: são sepulcros de granito isolados em tapadas, azinhais e quintas, hoje parcialmente reaproveitados como abrigo de gado ou arrumo. Este guia reúne as nove, descreve o que o registo diz de cada uma e explica o que esperar de uma visita ao território que rodeia a vila de Castelo de Vide.

Uma paisagem de sepulcros

Uma anta é um sepulcro coletivo de pedra: esteios de granito fechados por uma ou mais lajes de cobertura (o chapéu), por vezes com um corredor de acesso e originalmente cobertos por uma mamoa de terra e pedra. No concelho, o registo situa a construção, de modo geral, entre meados do 4.º e meados do 3.º milénio a.C., isto é, entre o Neolítico final e o Calcolítico. Para as antas de Nave do Grou e de Alcogulo, o registo avança uma datação mais precisa, 3750–3125 a.C., com base na tipologia construtiva, e acrescenta que o espólio indica uso continuado no Calcolítico.

O registo recorda ainda que os monumentos megalíticos da bacia do Rio Sever aparecem em documentos desde 1489, nas Ordenanzas del Concejo de Valencia de Alcántara, onde serviam de marcos territoriais, embora seja quase impossível ligar essas menções a antas concretas. A primeira descrição publicada de várias antas do concelho deve-se a Pereira da Costa, em 1868. Os estudos de Maria da Conceição Rodrigues (Carta Arqueológica do concelho, 1975) e de Jorge de Oliveira (projeto Neolítico e Megalitismo no Nordeste Alentejano, com campanha em 1990) sustentam a maior parte do que hoje se sabe.

As nove antas Monumento Nacional

Todas constam do registo como Monumento Nacional, com remissão para o decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910), a primeira grande lista de monumentos nacionais. Entre parênteses, o código do registo em imovel.patrimoniocultural.gov.pt.

  • Anta de Couleiros (código 69823; freguesia de Santiago Maior). Faz parte da necrópole dos Coureleiros, com cinco monumentos (as outras quatro têm classificação de imóvel de interesse público). É a de maiores dimensões: câmara poligonal de sete esteios, com 4,5 por 3,75 metros, laje de cobertura caída para o interior e corredor paralelo de seis metros. Foi escavada em 1990 por Jorge de Oliveira, que recuperou a planta, o corredor e a couraça de pedra; o espólio inclui pontas de seta, micrólitos geométricos, machados de pedra polida, contas de colar e placas de xisto. Também aparece como Coureleiros II.
  • Antas da Coutada de Alcogulo (70259; Santa Maria da Devesa). Apesar do plural, trata-se de um só monumento, o mais bem conservado da necrópole do Alcogulo: câmara com cerca de 3 metros, cinco esteios no lugar, chapéu original e corredor de cerca de 4 metros com três lajes de cobertura. Foi reutilizada como abrigo de pastores. Escavada em 1981 pelo Grupo de Arqueologia de Castelo de Vide.
  • Anta da Nave do Grou (70261; São João Baptista). Sete esteios maciços, quase quadrangulares, ainda no lugar; a laje, caída, foi recolocada em 1992 pela Câmara. Câmara de 2,5 por 1,5 metros; corredor não confirmado. Escavada em 1982.
  • Anta de Melriço (69822; Santiago Maior). Câmara de 3,5 metros de diâmetro, com sete esteios (quatro partidos), 3,10 metros de altura e chapéu no lugar. Pereira da Costa escavou-a em meados do século XIX sem resultado útil.
  • Anta dos Pombais (70247; Santa Maria da Devesa), a cerca de 2 km da vila. Câmara com cerca de 3,5 metros de diâmetro e 2,20 metros de altura, transformada em abrigo de pastores com vãos tapados por alvenaria; alguns autores admitem uma conversão em capela. É a que aparece na fotografia deste guia.
  • Anta da Casa dos Galhardos (70165; Santa Maria da Devesa). Seis dos sete esteios conservados, mamoa quase desaparecida; escavada em 1982, com espólio sem relatório, que chega à Idade do Bronze.
  • Anta das Tapadas de Pedro Álvaro (70246; Santa Maria da Devesa). Também chamada Anta do Pêro d’Alva; sete esteios inclinados para o interior, usada como galinheiro e escondida atrás de uma casa rural. Nunca foi escavada.
  • Anta de Fonte de Mouratão (70260; São João Baptista). Câmara com 3 por 2,25 metros; uma casa do monte foi adossada à anta, caiada de branco e usada como galinheiro. Sem escavações.
  • Anta da Várzea dos Mourões (69821; Santiago Maior). Muito destruída, reutilizada como pocilga; em 1975 conservavam-se três esteios, só um no lugar. Sem escavações. A cerca de 800 metros fica a Anta do Cerejeiro, de classificação inferior.

Leitura do conjunto

O que distingue o concelho é a variedade de destinos dados às antas depois do fim do uso funerário. Pombais, Fonte de Mouratão e Tapadas de Pedro Álvaro mostram como câmaras de pedra serviram de curral, galinheiro ou abrigo durante séculos, o que explica as paredes de pedra solta e a argamassa visíveis na fotografia. Couleiros e Alcogulo, escavadas e com corredor reconhecível, são as melhores para compreender a arquitetura. Em termos regionais, estas antas pertencem ao megalitismo do nordeste alentejano e da Serra de São Mamede, com câmaras poligonais de sete esteios. Mais a sul, na região de Évora, o megalitismo atinge a escala da Anta Grande do Zambujeiro, um contraste útil. Para o enquadramento geral, veja também a arte megalítica portuguesa, o Neolítico e, no mesmo distrito, as antas de Elvas e Marvão.

Como visitar

Na consulta de 5 de novembro de 2026, nenhum dos nove registos indicava restrições legais de acesso, mas várias antas estão junto a casas rurais ou em terrenos agrícolas, e os registos não publicam horários nem indicações de percurso. Uma publicação de turismo sobre a Anta de Melriço refere que, por estar em terreno particular, a visita deve ser pedida à Câmara Municipal. O mais seguro é contactar a Câmara Municipal de Castelo de Vide (Posto de Turismo, +351 245 908 227, segundo uma pesquisa de 5 de novembro de 2026; confirme o contacto no site municipal) antes de ir. Não entre em terrenos vedados sem autorização e feche as cancelas. As fichas do registo trazem a localização de cada monumento.

Fotografia de J iglar, de 24 de março de 2025. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quantas antas de Castelo de Vide são Monumento Nacional?
Nove registos: Várzea dos Mourões, Pombais, Casa dos Galhardos, Nave do Grou, Tapadas de Pedro Álvaro, Couleiros, Fonte de Mouratão, Melriço e as Antas da Coutada de Alcogulo. Todos remetem para o decreto de 16 de junho de 1910. Há ainda várias outras antas do concelho com classificação inferior.
As antas de Castelo de Vide podem ser visitadas?
Várias estão junto a casas rurais ou em terrenos agrícolas. O registo nacional não indica restrições legais, mas a Anta de Melriço, por exemplo, é referida como de visita sujeita a pedido à Câmara Municipal. Convém confirmar com o município antes de ir.
De que época são?
O registo situa-as entre meados do 4.º e meados do 3.º milénio a.C. (Neolítico final e Calcolítico). Para as antas de Nave do Grou e de Alcogulo, o registo propõe o Neolítico final, entre 3750 e 3125 a.C., por razões de tipologia construtiva.
Qual é a mais completa?
A Anta de Couleiros destaca-se pela câmara e pelo corredor bem diferenciados, com seis metros de corredor, e foi escavada em 1990. A da Coutada de Alcogulo conserva a laje de cobertura no lugar e um corredor com cerca de quatro metros.

Fontes

  1. Património Cultural — Anta da Várzea dos Mourões
  2. Património Cultural — Anta de Melriço
  3. Património Cultural — Anta de Couleiros
  4. Património Cultural — Anta da Casa dos Galhardos
  5. Património Cultural — Anta das Tapadas de Pedro Álvaro
  6. Património Cultural — Anta dos Pombais
  7. Património Cultural — Antas da Coutada de Alcogulo
  8. Património Cultural — Anta de Fonte de Mouratão
  9. Património Cultural — Anta da Nave do Grou
  10. Património Cultural — Atlas do Património Classificado (serviço geográfico)
  11. Lifecooler — Anta de Melriço
  12. Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 — Decreto de 16 de junho de 1910

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