Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Cartuxa de Évora (Scala Coeli)

Cartuxa de Évora (Scala Coeli): primeira casa cartusiana em Portugal, fundada em 1587, da Fundação Eugénio de Almeida. Igreja Monumento Nacional e visitas.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada de mármore da igreja da Cartuxa de Évora, com galilé de arcos, balaustrada e frontão com nicho, sob um céu azul
Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Bacelo e Senhora da Saúde, Évora, Évora
Construção
Fundado em 1587; comunidade instalada em 1598

A Cartuxa de Évora, ou Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (a “escada do céu”), fica nos arredores de Évora, na freguesia de Bacelo e Senhora da Saúde. Foi a primeira casa da Ordem dos Cartuxos em Portugal e acolheu monges cartuxos de 1587 a 1834 e de 1960 a 2019. Pertence à Fundação Eugénio de Almeida, a mesma entidade da adega que usa o nome Cartuxa, e a igreja é Monumento Nacional.

Fundação

Segundo a Fundação Eugénio de Almeida, em 1583 D. Teotónio de Bragança, arcebispo de Évora, escreveu ao papa Gregório XIII oferecendo-se para financiar a primeira casa cartusiana portuguesa, e o pedido foi aprovado. O Capítulo Geral da Ordem enviou sete monges, que chegaram a Évora a 8 de setembro de 1587. O projeto, escolhido pelo arcebispo, é do arquiteto e engenheiro militar Giovanni Vincenzo Casale, e a comunidade mudou-se para a nova casa a 15 de dezembro de 1598, com as principais obras concluídas.

Do abandono à refundação

A revolução liberal extinguiu as ordens masculinas em 1834. A comunidade foi expulsa, os bens passaram para a Fazenda Nacional e o edifício teve usos efémeros até cair em ruína. Foi comprado em 1871 por José Maria Eugénio de Almeida; o filho, Carlos Maria Eugénio de Almeida, fez dele a sede da Casa Agrícola Eugénio de Almeida. Um texto jornalístico recorda que o edifício serviu ainda de hospício de donzelas pobres e de escola agrícola regional.

Vasco Maria Eugénio de Almeida, que herdou o mosteiro e fundou a Fundação em 1963, decidiu restituir-lhe a função original. As obras decorreram de 1948 a 1960, e a vida contemplativa regressou a 14 de setembro de 1960, com sete monges, tantos quantos os fundadores de 1587. A comunidade, então reduzida a quatro monges e um irmão leigo, saiu de Évora a 31 de outubro de 2019. Em agosto de 2020 realizaram-se as primeiras visitas guiadas ao interior, organizadas pela Fundação.

Segundo a Fundação, a 4 de setembro de 2022 religiosas do Instituto das Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará, ramo feminino da Família Religiosa do Verbo Encarnado, retomaram a vida claustral. O mosteiro é, assim, de novo uma casa contemplativa, o que explica as regras de acesso mais restritivas.

O que se vê e o que não se vê

A fachada da igreja, em mármore, é o elemento mais conhecido e a única parte do conjunto que a fotografia desta página mostra: um galilé de arcos sob uma balaustrada e, por cima, um corpo central com frontão e nicho. O texto da Fundação destaca os espaços de uma casa cartusiana, como o Pátio da Lavoura, onde trabalhavam os irmãos conversos, o claustro monumental, a igreja e as celas individuais, mas essas zonas não estão abertas livremente. A organização do eremitério, com celas independentes em torno de um claustro, é o que distingue a arquitetura cartusiana da de outros mosteiros; para comparar, veja a página geral de mosteiros e, em Évora, a Sé e a Igreja de São Francisco.

O arquiteto Luís Ferro, que acompanhou a comunidade durante dez anos, conduziu as visitas de 2020 e publicou em 2019 O Eremitério da Cartuxa de Évora: Arquitetura e vida monástica. Os números do claustro que circulam em guias divergem entre si, por isso não os repito.

Classificação

O Atlas do Património Classificado regista a Igreja da Cartuxa (Scala Coeli) como Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. O mesmo Atlas regista também o Conjunto Monástico da Cartuxa de Évora como em vias de classificação, com abertura do procedimento pelo Anúncio n.º 93/2022, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 96, de 18 de maio de 2022. Não encontrei decisão final de classificação do conjunto. Não encontrei referência a uma inscrição UNESCO específica; o Centro Histórico de Évora é Património Mundial, mas não confirmei que o mosteiro integre essa inscrição.

Preparar a visita

Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Fundação Eugénio de Almeida indicava que a igreja está aberta todos os dias, das 8h30 às 17h30, e que as visitas guiadas se fazem de terça-feira a domingo, com marcação prévia através da página “Visite-nos” da Fundação. O telefone indicado é o 266 748 300. Os regimes de visita mudaram várias vezes desde 2020, por isso consulte a página oficial do mosteiro antes de ir. Sendo uma casa de clausura, respeite o silêncio e as áreas reservadas.

Fotografia de Vitor Oliveira, de 16 de fevereiro de 2007. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi fundada a Cartuxa de Évora?
Segundo a Fundação Eugénio de Almeida, sete monges enviados pela Ordem chegaram a Évora a 8 de setembro de 1587, a pedido de D. Teotónio de Bragança, e a comunidade passou para a nova casa a 15 de dezembro de 1598. O projeto é atribuído ao arquiteto e engenheiro militar Giovanni Vincenzo Casale.
Ainda há cartuxos em Évora?
Não. A comunidade cartusiana, então com quatro monges e um irmão leigo, deixou Évora a 31 de outubro de 2019. Segundo a Fundação, a 4 de setembro de 2022 religiosas do Instituto das Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará retomaram a vida claustral no mosteiro.
Qual é a classificação do monumento?
O Atlas do Património Classificado regista a Igreja da Cartuxa (Scala Coeli) como Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). O Conjunto Monástico da Cartuxa de Évora consta como em vias de classificação, por anúncio de 18 de maio de 2022.
Posso visitar a Cartuxa?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Fundação Eugénio de Almeida indicava a igreja aberta diariamente das 8h30 às 17h30 e visitas guiadas de terça-feira a domingo, com marcação prévia pela Fundação. Confirme na página oficial.

Fontes

  1. Fundação Eugénio de Almeida — Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (Cartuxa de Évora)
  2. Fundação Eugénio de Almeida — Fundador e História
  3. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2723)
  4. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  5. Diário da República — Anúncio n.º 93/2022, 2.ª série, n.º 96, de 18 de maio de 2022
  6. Observador — Visitas guiadas pela primeira vez na Cartuxa de Évora mostram rituais dos monges (4-08-2020)
  7. SNPCultura — Mosteiro que acolheu cartuxos em Évora recebe visitas guiadas (2020)
  8. Portugal Look — O Mosteiro da Cartuxa em Évora (9-03-2025)
  9. Wikidata — Convento da Cartuxa (Q17117440)

Continue a explorar

Património por perto

Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.

Explorar o atlas