Monumentos
Casa de Serralves
Casa de Serralves, no Porto: moradia Art Déco do Conde de Vizela, de Marques da Silva e Charles Siclis, com parque de Jacques Gréber e Monumento Nacional.
- Localização
- Porto, Porto
- Construção
- 1925–1944
- Estilo
- Art Déco
A Casa de Serralves é a moradia que o 2.º Conde de Vizela mandou construir na zona ocidental do Porto, no meio de um parque desenhado para ela. O registo nacional considera-a um dos mais interessantes exemplos de arquitetura Art Déco do país. Hoje faz parte da Fundação de Serralves, ao lado do Museu de Arte Contemporânea de Álvaro Siza, e recebe exposições, mas continua a ler-se como casa: salões abertos para o jardim, um grande átrio e uma capela.
Uma encomenda nascida em Paris
Carlos Alberto Cabral (1895–1968), 2.º Conde de Vizela, herdou em 1923 a Quinta do Lordelo, residência de verão da família na Rua de Serralves. Segundo a Fundação de Serralves, foi depois de visitar a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas de Paris, em 1925, que decidiu transformar a propriedade. Nos anos seguintes comprou terrenos vizinhos, como a Quinta do Mata-Sete, até chegar, na década de 1940, à extensão atual.
A autoria da casa é partilhada, e as fontes descrevem-na com algumas diferenças de ênfase. A Fundação atribui um papel decisivo ao arquiteto francês Charles Siclis (1889–1944) e indica que José Marques da Silva (1869–1947), o arquiteto portuense da Estação de São Bento, desenvolveu, alterou e executou o projeto. O registo do Património Cultural apresenta Marques da Silva como autor da encomenda e refere que Siclis tinha sido chamado antes para desenhar a casa principal. A Fundação acrescenta os contributos de Jacques-Émile Ruhlmann e Alfred Porteneuve.
As datas também variam conforme a fonte. O registo nacional indica um primeiro projeto de 1925, o risco definitivo de 1931 e a conclusão das obras em 1940. A Fundação situa a construção entre 1925 e 1944, ano em que o conde e a mulher, Blanche Daubin, se instalaram na casa.
A casa
O edifício tem dois pisos e cave. A planta liga-se ao corpo da capela, formando um pátio aberto. Na fachada principal destaca-se o corpo envidraçado avançado que enquadra a entrada. As salas ficavam no piso térreo, os quartos no piso superior e os serviços na cave; o grande átrio de pé-direito duplo e as amplas superfícies envidraçadas ligam os salões aos jardins. O registo nacional salienta que Marques da Silva conjugou aqui o vocabulário Déco com um pragmatismo construtivo que vai além do simples decorativismo.
Os interiores juntaram nomes destacados das artes decorativas francesas do período. A Fundação enumera Ruhlmann, René Lalique, Edgar Brandt, Ivan da Silva Bruhns, Jules Leleu, Jean Perzel e Raymond Subes. Grande parte do mobiliário original não está na casa: foi vendido em leilão depois de a propriedade mudar de dono.
O parque de Jacques Gréber
O arquiteto e urbanista francês Jacques Gréber desenhou o novo jardim; a Fundação data os projetos de 1932. Gréber manteve elementos do jardim oitocentista da Quinta do Lordelo, como o lago e as estruturas de rega, e compôs um classicismo modernizado com apontamentos Déco, inspirado nos jardins franceses dos séculos XVI e XVII. O parque tem hoje 18 hectares e, segundo a Fundação, cerca de 8000 plantas lenhosas de aproximadamente 230 espécies e variedades.
O percurso desce em socalcos: relvados, canteiros e tanques junto à casa, uma escadaria até ao lago romântico, terrenos agrícolas com pastagens e horta, os antigos estábulos, um carvalhal e o roseiral. A Fundação considera-o um dos primeiros exemplos de arte paisagista em Portugal na primeira metade do século XX e o único jardim desse período construído por um particular a partir de um projeto de arquitetura paisagista. Para o comparar com outros jardins, consulte a página sobre jardins históricos.
Do Conde de Vizela à Fundação
O casal viveu poucos anos em Serralves. Em 1955, a propriedade foi vendida a Delfim Ferreira, Conde de Riba d’Ave, com a condição de não ser alterada. O Estado comprou a quinta em dezembro de 1986 para instalar um futuro museu de arte moderna, e a casa e o parque abriram ao público a 29 de maio de 1987.
A Fundação de Serralves foi instituída pelo Decreto-Lei n.º 240-A/89, de 27 de julho de 1989. Em março de 1991 contratou Álvaro Siza para projetar o Museu de Arte Contemporânea, que abriu em 1999 dentro da propriedade. Em 2004, Siza orientou o restauro da casa e dos interiores. O museu está ligado ao percurso do arquiteto descrito na página sobre o Conjunto da Obra Arquitetónica de Álvaro Siza, candidatura da Lista Indicativa portuguesa.
Classificação
A proteção abrange o conjunto, e não apenas a casa. O Decreto n.º 2/96, de 6 de março, classificou como Imóvel de Interesse Público o “Casal de Santa Maria (conjunto edificado e zona envolvente), também denominado «Parque de Serralves» ou «Quinta do Riba de Ave»”, com a habitação principal, os jardins, a zona rural e as casas agrícolas. A zona especial de proteção foi fixada pela Portaria n.º 593/99. A pedido da Fundação, o Decreto n.º 31-G/2012, de 31 de dezembro, reclassificou o conjunto como Monumento Nacional. O texto do decreto refere expressamente o valor acrescentado pelo programa de requalificação e pelo novo museu.
A Casa de Serralves não é Património Mundial.
Preparar a visita
A casa visita-se com os bilhetes da Fundação de Serralves. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava o Bilhete Serralves a 24 euros, com acesso ao museu, ao parque, ao Treetop Walk, à Casa de Serralves e à Casa do Cinema Manoel de Oliveira; o bilhete só para o parque custava 15 euros. Para residentes em Portugal, comprados na bilheteira, os valores eram de 20 e 12 euros, com entrada gratuita no primeiro domingo de cada mês. A entrada era gratuita para menores de 12 anos e havia descontos para jovens, estudantes e seniores. Os horários mudam entre a época de outubro a março e a de abril a setembro: confirme-os, tal como as exposições em curso, na página Visitar Serralves. A Fundação indica as linhas 201, 207, 502 e 504 da STCP e o Metrobus como opções de transporte público. Para o contexto do estilo, continue em Art Déco em Portugal e modernismo em Portugal.
Fotografia de Julian Frost, de 14 de outubro de 2010. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem projetou a Casa de Serralves?
- Foi encomendada pelo 2.º Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral. A Fundação de Serralves atribui um papel decisivo ao arquiteto francês Charles Siclis e indica que José Marques da Silva desenvolveu, alterou e executou o projeto. Jacques-Émile Ruhlmann e Alfred Porteneuve também contribuíram, e o parque é de Jacques Gréber.
- Quando foi construída?
- A Fundação de Serralves situa a construção entre 1925 e 1944. O registo do Património Cultural indica um primeiro projeto de 1925, o risco definitivo da casa em 1931 e a conclusão das obras em 1940; o conde e a mulher instalaram-se na casa em 1944.
- A Casa de Serralves está classificada?
- Sim, em conjunto com o parque, as zonas agrícolas e os anexos. Foi classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 2/96, de 6 de março, e reclassificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 31-G/2012, de 31 de dezembro.
- A casa pode ser visitada?
- Sim. A casa integra o percurso da Fundação de Serralves e recebe exposições. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Bilhete Serralves, que inclui a casa, o museu e o parque, custava 24 euros; confirme horários e tarifas no site da Fundação.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Casal de Santa Maria / Casa de Serralves (74212)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 4801)
- Diário da República — Decreto n.º 31-G/2012, de 31 de dezembro
- Fundação de Serralves — Serralves Villa (história da casa)
- Fundação de Serralves — Parque: história
- Fundação de Serralves — The Foundation: history
- Fundação de Serralves — Visitar Serralves
- Wikidata — Casa de Serralves (Q2940773)
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
periodosArt Déco em PortugalO Art Déco em Portugal: a linguagem geometrizada das décadas de 1920 e 1930 na arquitetura, no mobiliário e nas artes gráficas, de Lisboa ao Porto.
tipologiasJardins históricosJardins históricos de Portugal: cercas conventuais, tapadas, jardins barrocos e parques românticos como património vivo, das suas origens à classificação…
lugaresPortoPorto, cidade do Norte de Portugal: o centro histórico classificado pela UNESCO, a Sé, a Ribeira, a Ponte Luiz I e as caves do Vinho do Porto em Gaia.
periodosModernismo na Arquitetura PortuguesaO Modernismo na arquitetura portuguesa: do betão armado e do racionalismo da geração de 1920 às tensões com o nacionalismo do Estado Novo.
obras publicasEstação de São BentoEstação de São Bento, no Porto: obra de Marques da Silva inaugurada em 1916, cerca de 20 000 azulejos de Jorge Colaço no átrio e classificação como IIP.
unesco tentativeConjunto da Obra Arquitetónica de Álvaro Siza em Portugal (Lista Indicativa)Candidatura serial das obras de Álvaro Siza Vieira em Portugal, na Lista Indicativa da UNESCO desde 2017, com oito edifícios do Porto, Lisboa e do litoral de Leça.