Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

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Casa de Serralves

Casa de Serralves, no Porto: moradia Art Déco do Conde de Vizela, de Marques da Silva e Charles Siclis, com parque de Jacques Gréber e Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada cor-de-rosa da Casa de Serralves, com corpo central curvo e envidraçados verticais, vista do jardim com sebes, relvados e escadarias em socalcos
Julian Frost, CC BY 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Porto, Porto
Construção
1925–1944
Estilo
Art Déco

A Casa de Serralves é a moradia que o 2.º Conde de Vizela mandou construir na zona ocidental do Porto, no meio de um parque desenhado para ela. O registo nacional considera-a um dos mais interessantes exemplos de arquitetura Art Déco do país. Hoje faz parte da Fundação de Serralves, ao lado do Museu de Arte Contemporânea de Álvaro Siza, e recebe exposições, mas continua a ler-se como casa: salões abertos para o jardim, um grande átrio e uma capela.

Uma encomenda nascida em Paris

Carlos Alberto Cabral (1895–1968), 2.º Conde de Vizela, herdou em 1923 a Quinta do Lordelo, residência de verão da família na Rua de Serralves. Segundo a Fundação de Serralves, foi depois de visitar a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas de Paris, em 1925, que decidiu transformar a propriedade. Nos anos seguintes comprou terrenos vizinhos, como a Quinta do Mata-Sete, até chegar, na década de 1940, à extensão atual.

A autoria da casa é partilhada, e as fontes descrevem-na com algumas diferenças de ênfase. A Fundação atribui um papel decisivo ao arquiteto francês Charles Siclis (1889–1944) e indica que José Marques da Silva (1869–1947), o arquiteto portuense da Estação de São Bento, desenvolveu, alterou e executou o projeto. O registo do Património Cultural apresenta Marques da Silva como autor da encomenda e refere que Siclis tinha sido chamado antes para desenhar a casa principal. A Fundação acrescenta os contributos de Jacques-Émile Ruhlmann e Alfred Porteneuve.

As datas também variam conforme a fonte. O registo nacional indica um primeiro projeto de 1925, o risco definitivo de 1931 e a conclusão das obras em 1940. A Fundação situa a construção entre 1925 e 1944, ano em que o conde e a mulher, Blanche Daubin, se instalaram na casa.

A casa

O edifício tem dois pisos e cave. A planta liga-se ao corpo da capela, formando um pátio aberto. Na fachada principal destaca-se o corpo envidraçado avançado que enquadra a entrada. As salas ficavam no piso térreo, os quartos no piso superior e os serviços na cave; o grande átrio de pé-direito duplo e as amplas superfícies envidraçadas ligam os salões aos jardins. O registo nacional salienta que Marques da Silva conjugou aqui o vocabulário Déco com um pragmatismo construtivo que vai além do simples decorativismo.

Os interiores juntaram nomes destacados das artes decorativas francesas do período. A Fundação enumera Ruhlmann, René Lalique, Edgar Brandt, Ivan da Silva Bruhns, Jules Leleu, Jean Perzel e Raymond Subes. Grande parte do mobiliário original não está na casa: foi vendido em leilão depois de a propriedade mudar de dono.

O parque de Jacques Gréber

O arquiteto e urbanista francês Jacques Gréber desenhou o novo jardim; a Fundação data os projetos de 1932. Gréber manteve elementos do jardim oitocentista da Quinta do Lordelo, como o lago e as estruturas de rega, e compôs um classicismo modernizado com apontamentos Déco, inspirado nos jardins franceses dos séculos XVI e XVII. O parque tem hoje 18 hectares e, segundo a Fundação, cerca de 8000 plantas lenhosas de aproximadamente 230 espécies e variedades.

O percurso desce em socalcos: relvados, canteiros e tanques junto à casa, uma escadaria até ao lago romântico, terrenos agrícolas com pastagens e horta, os antigos estábulos, um carvalhal e o roseiral. A Fundação considera-o um dos primeiros exemplos de arte paisagista em Portugal na primeira metade do século XX e o único jardim desse período construído por um particular a partir de um projeto de arquitetura paisagista. Para o comparar com outros jardins, consulte a página sobre jardins históricos.

Do Conde de Vizela à Fundação

O casal viveu poucos anos em Serralves. Em 1955, a propriedade foi vendida a Delfim Ferreira, Conde de Riba d’Ave, com a condição de não ser alterada. O Estado comprou a quinta em dezembro de 1986 para instalar um futuro museu de arte moderna, e a casa e o parque abriram ao público a 29 de maio de 1987.

A Fundação de Serralves foi instituída pelo Decreto-Lei n.º 240-A/89, de 27 de julho de 1989. Em março de 1991 contratou Álvaro Siza para projetar o Museu de Arte Contemporânea, que abriu em 1999 dentro da propriedade. Em 2004, Siza orientou o restauro da casa e dos interiores. O museu está ligado ao percurso do arquiteto descrito na página sobre o Conjunto da Obra Arquitetónica de Álvaro Siza, candidatura da Lista Indicativa portuguesa.

Classificação

A proteção abrange o conjunto, e não apenas a casa. O Decreto n.º 2/96, de 6 de março, classificou como Imóvel de Interesse Público o “Casal de Santa Maria (conjunto edificado e zona envolvente), também denominado «Parque de Serralves» ou «Quinta do Riba de Ave»”, com a habitação principal, os jardins, a zona rural e as casas agrícolas. A zona especial de proteção foi fixada pela Portaria n.º 593/99. A pedido da Fundação, o Decreto n.º 31-G/2012, de 31 de dezembro, reclassificou o conjunto como Monumento Nacional. O texto do decreto refere expressamente o valor acrescentado pelo programa de requalificação e pelo novo museu.

A Casa de Serralves não é Património Mundial.

Preparar a visita

A casa visita-se com os bilhetes da Fundação de Serralves. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página oficial indicava o Bilhete Serralves a 24 euros, com acesso ao museu, ao parque, ao Treetop Walk, à Casa de Serralves e à Casa do Cinema Manoel de Oliveira; o bilhete só para o parque custava 15 euros. Para residentes em Portugal, comprados na bilheteira, os valores eram de 20 e 12 euros, com entrada gratuita no primeiro domingo de cada mês. A entrada era gratuita para menores de 12 anos e havia descontos para jovens, estudantes e seniores. Os horários mudam entre a época de outubro a março e a de abril a setembro: confirme-os, tal como as exposições em curso, na página Visitar Serralves. A Fundação indica as linhas 201, 207, 502 e 504 da STCP e o Metrobus como opções de transporte público. Para o contexto do estilo, continue em Art Déco em Portugal e modernismo em Portugal.

Fotografia de Julian Frost, de 14 de outubro de 2010. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quem projetou a Casa de Serralves?
Foi encomendada pelo 2.º Conde de Vizela, Carlos Alberto Cabral. A Fundação de Serralves atribui um papel decisivo ao arquiteto francês Charles Siclis e indica que José Marques da Silva desenvolveu, alterou e executou o projeto. Jacques-Émile Ruhlmann e Alfred Porteneuve também contribuíram, e o parque é de Jacques Gréber.
Quando foi construída?
A Fundação de Serralves situa a construção entre 1925 e 1944. O registo do Património Cultural indica um primeiro projeto de 1925, o risco definitivo da casa em 1931 e a conclusão das obras em 1940; o conde e a mulher instalaram-se na casa em 1944.
A Casa de Serralves está classificada?
Sim, em conjunto com o parque, as zonas agrícolas e os anexos. Foi classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 2/96, de 6 de março, e reclassificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 31-G/2012, de 31 de dezembro.
A casa pode ser visitada?
Sim. A casa integra o percurso da Fundação de Serralves e recebe exposições. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o Bilhete Serralves, que inclui a casa, o museu e o parque, custava 24 euros; confirme horários e tarifas no site da Fundação.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Casal de Santa Maria / Casa de Serralves (74212)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 4801)
  3. Diário da República — Decreto n.º 31-G/2012, de 31 de dezembro
  4. Fundação de Serralves — Serralves Villa (história da casa)
  5. Fundação de Serralves — Parque: história
  6. Fundação de Serralves — The Foundation: history
  7. Fundação de Serralves — Visitar Serralves
  8. Wikidata — Casa de Serralves (Q2940773)

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