- Início
- Tipologias do património edificado
- Estações Ferroviárias
- Estação de São Bento
Monumentos
Estação de São Bento
Estação de São Bento, no Porto: obra de Marques da Silva inaugurada em 1916, cerca de 20 000 azulejos de Jorge Colaço no átrio e classificação como IIP.
- Localização
- Porto, Porto
- Construção
- 1900–1916 (edifício atual; estação provisória de 1896)
- Estilo
- Beaux-Arts / ecletismo
A Estação de São Bento ocupa o lugar de um antigo convento no centro do Porto, junto à Praça de Almeida Garrett. É uma estação em funcionamento e, ao mesmo tempo, um dos conjuntos azulejares mais visitados do país. A sua história junta três momentos que convém separar: a chegada do caminho de ferro em 1896, a construção do edifício de José Marques da Silva entre 1900 e 1916 e o grande revestimento de azulejos de Jorge Colaço no átrio.
Do convento à estação provisória
O registo nacional do património indica que o local foi ocupado, desde o século XVI, pelo convento das freiras beneditinas de São Bento de Avé-Maria. O mosteiro foi expropriado pela Câmara Municipal em 1887, quando se preparava a ligação ferroviária de Campanhã ao centro da cidade.
Antes de existir o edifício atual, já havia comboios em São Bento. A estação provisória, em barracões de madeira, foi inaugurada a 7 de novembro de 1896. O comboio inaugural parou junto à igreja do convento, que nessa altura ainda estava de pé. Parte do mosteiro já tinha sido demolida para essas instalações; a demolição da igreja e do resto do convento só começou em 1900.
O edifício de Marques da Silva
O projeto foi entregue ao arquiteto portuense José Marques da Silva (1869–1947), formado em Paris. Ao longo de 1896–1900 reformulou várias vezes a proposta, também por causa da indefinição do programa, que chegou a incluir os serviços de correios e telégrafos. A primeira pedra foi lançada pelo rei D. Carlos e pela rainha D. Amélia a 22 de outubro de 1900, no cunhal da Rua da Madeira.
As obras arrastaram-se durante anos. A inauguração oficial realizou-se a 5 de outubro de 1916, nas comemorações do sexto aniversário da República. O registo nacional descreve uma gare de oito linhas terminais e cinco cais e um exterior de linguagem neoclássica tardia, marcado pela formação Beaux-Arts do arquiteto. A gare metálica e a boca do túnel fazem parte da classificação e ligam o edifício à história da arquitetura do ferro.
Marques da Silva é também o autor do Teatro Nacional São João, inaugurado em 1920, a poucos minutos a pé. Os dois edifícios mostram a mesma formação académica aplicada a programas diferentes.
Os azulejos de Jorge Colaço
O átrio é a parte mais conhecida da estação. O pintor Jorge Colaço apresentou o plano a 31 de julho de 1905. O conselho de administração aprovou-o em princípio a 23 de agosto e uma portaria de 4 de novembro de 1905 sancionou a despesa. A encomenda foi contratada a 10 de janeiro de 1906, para uma superfície de 551 m². Os painéis foram pintados antes de o átrio estar pronto e só foram assentes em 1915. Por isso, a data de 1905–1916 que costuma aparecer descreve o período entre o plano e a inauguração; a pintura decorreu dentro desse intervalo, antes do assentamento de 1915.
Cerca de 20 000 azulejos revestem as paredes entre as cantarias de granito. Os grandes painéis são azuis e brancos e, no alto, corre um friso policromo sobre a evolução dos transportes. A ideia inicial, de 1905, previa paisagens da região, costumes populares e factos da história regional.
O estudo dos painéis feito na Universidade do Porto identifica:
- cenas históricas: o Encontro de Valdevez, a Entrega de Egas Moniz, o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre e a Conquista de Ceuta;
- cenas religiosas e populares: a Romaria de São Torcato e a procissão de Nossa Senhora dos Remédios;
- alegorias das quatro estações;
- o friso dos transportes: do cortejo de coches e carroções à chegada do primeiro comboio ao Minho, em 1875.
À esquerda de quem entra, do lado da Rua da Madeira, o Encontro de Valdevez ocupa o painel superior, com a Entrega de Egas Moniz por baixo. Nem todos os azulejos que hoje se veem são originais: a mesma investigação refere peças substituídas em reparações. Para enquadrar a obra na azulejaria do início do século XX, leia o artigo sobre o azulejo da Arte Nova e do Modernismo. Aqui, ao contrário do azulejo de fachada dos prédios portuenses, o revestimento está no interior.
Proteção e Património Mundial
A estação está classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 67/97, de 31 de dezembro. O diploma inclui expressamente a gare metálica, os painéis de azulejos e a boca de entrada no túnel. No mesmo decreto foi classificada a zona histórica do Porto.
A estação não tem uma inscrição própria na Lista do Património Mundial. A declaração de Valor Universal Excecional do Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar menciona a Estação de São Bento (1900–1916) entre as construções mais recentes desse centro histórico. O registo nacional também associa o imóvel a essa inscrição. É, portanto, um edifício referido no bem inscrito, e não um bem Património Mundial autónomo.
Visitar e usar a estação
A estação continua a servir comboios da CP e integra a rede ferroviária nacional. Em setembro de 2020, a Infraestruturas de Portugal anunciou obras de conservação do teto do átrio. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o horário de bilheteiras da CP, em vigor desde 2 de novembro de 2026, indicava para Porto São Bento 07h00–20h00 em dias úteis e aos fins de semana e feriados. Confirme horários de comboios e serviços no site da CP.
O átrio é um espaço de passagem de passageiros: observe os painéis sem bloquear as portas de acesso à gare, sobretudo nas horas de maior movimento. Para continuar o percurso, a estação fica perto da Igreja de Santo Ildefonso e do Teatro São João. Outras gares históricas estão reunidas em estações ferroviárias.
Fotografia de Joseolgon, de 7 de fevereiro de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem projetou a Estação de São Bento e quando foi inaugurada?
- O edifício é do arquiteto portuense José Marques da Silva. A primeira pedra foi lançada a 22 de outubro de 1900 e a inauguração oficial ocorreu a 5 de outubro de 1916. Os comboios chegavam ao local desde 7 de novembro de 1896, numa estação provisória.
- Quantos azulejos tem o átrio e quem os pintou?
- O átrio é revestido por cerca de 20 000 azulejos de Jorge Colaço, numa superfície de 551 m². O plano foi aprovado em 1905 e os painéis foram assentes em 1915. Algumas peças foram entretanto substituídas em reparações.
- A Estação de São Bento está classificada?
- Sim. É Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 67/97, de 31 de dezembro de 1997. A classificação abrange a gare metálica, os painéis de azulejos e a boca de entrada no túnel.
- A estação faz parte do Património Mundial?
- Não tem inscrição própria. A declaração de Valor Universal Excecional do Centro Histórico do Porto, Ponte Luiz I e Mosteiro da Serra do Pilar refere a estação entre as construções mais recentes desse centro histórico.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Estação dos Caminhos de Ferro de São Bento (72342)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 4948)
- Diário da República — Decreto n.º 67/97, de 31 de dezembro
- UNESCO — Historic Centre of Oporto, Luiz I Bridge and Monastery of Serra do Pilar (755)
- Universidade do Porto — Ednilson Fernandes, Os painéis de azulejo da Estação de S. Bento: história, contexto e iconografia (2010)
- Infraestruturas de Portugal — Estação de São Bento: preservação do património
- CP — Horário de bilheteiras, Linhas do Minho e Douro (em vigor a 2 de novembro de 2026)
- Wikidata — Estação Ferroviária de Porto — São Bento (Q579250)
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
lugaresPortoPorto, cidade do Norte de Portugal: o centro histórico classificado pela UNESCO, a Sé, a Ribeira, a Ponte Luiz I e as caves do Vinho do Porto em Gaia.
tipologiasEstações FerroviáriasAs estações ferroviárias portuguesas, do ferro e vidro oitocentistas à grande azulejaria de fachada, como tipologia do património edificado.
artesAzulejo Arte Nova e modernoA azulejaria portuguesa do século XX, da Arte Nova de Jorge Colaço ao modernismo abstrato de Maria Keil e Querubim Lapa, entre Lisboa e o Porto.unesco culturalCentro Histórico do Porto, Ponte Luís I e Mosteiro da Serra do PilarCentro Histórico do Porto, Ponte Luís I e Mosteiro da Serra do Pilar, paisagem urbana sobre o Douro inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 1996.
teatrosTeatro Nacional São João, PortoConheça o São João, no Porto: o teatro de Marques da Silva inaugurado em 1920, o antecessor de 1798, a classificação nacional, visitas e documentação.
periodosArquitetura do Ferro em PortugalA arquitetura do ferro em Portugal: pontes, gares, mercados e elevadores oitocentistas que casaram ferro fundido e vidro de Lisboa ao Porto.