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Igreja de São Martinho de Cedofeita

Igreja de São Martinho de Cedofeita, no Porto: templo românico de nave única abobadada, capitéis do século IX, escultura coimbrã, Monumento Nacional desde 1910.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada principal e lateral sul da Igreja de São Martinho de Cedofeita, em granito, com portal de arcos concêntricos, campanário e arruamento ao fundo
António Amen, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Porto, Porto
Construção
Capitéis do final do séc. IX ou início do séc. X; campanha de 1087; obra românica na viragem para o séc. XIII

A Igreja de São Martinho de Cedofeita fica no Largo do Priorado, no Porto, numa zona hoje cercada de casario do século XIX. Por fora é um templo pequeno, de granito, com fachada simples, campanário e um portal de arcos concêntricos. O registo do Património Cultural, I.P. dá-lhe um lugar de destaque na história do românico português: é um dos primeiros monumentos do Norte a repetir o repertório escultórico e iconográfico de Coimbra e uma das obras de referência do chamado românico tardio do Douro Litoral. Para o enquadramento do estilo, veja arquitetura românica em Portugal.

Um lugar com vários templos

O registo nacional avisa que pelo menos dois templos precederam a atual igreja românica. Uma inscrição colocada em 1767 no tímpano do portal principal, que provavelmente copia uma anterior, fala de um primitivo templo suevo do século VI. Isso alimentou a ideia de um passado mais recuado do que aquele que se consegue provar.

Os vestígios mais antigos que se conservam datam de finais do século IX ou inícios do século X. Depois da presúria do Porto por Vímara Peres, em 868, terá sido (re)construído aqui um templo, de que restam os dois capitéis do arco triunfal, reaproveitados na obra românica. São de calcário brando, ao que tudo indica da região de Coimbra, ao contrário do granito usado depois, e relacionam-se estilisticamente com obras tardo-asturianas como São Salvador de Valdediós e Priesca. Para esse horizonte, veja arte asturiana e pré-românica.

Houve ainda uma campanha do século XI, atribuída ao patrocínio do bispo de Braga, D. Pedro, que sagrou o templo em 1087. Dela restam as partes baixas da capela-mor, com arcarias cegas assentes em bases muito arcaicas.

A obra românica

A fase plenamente românica é tardia: situa-se na viragem para o século XIII. Um documento do reinado de D. Afonso II menciona a reconstrução do edifício no tempo de D. Afonso Henriques, mas o registo nacional sublinha que a arqueologia ainda não o confirmou.

A planta é de nave única, formada por dois corpos justapostos, a capela-mor e a nave, uma solução que o registo interpreta como indício de persistência pré-românica. O edifício é totalmente abobadado, característica que, segundo a bibliografia citada, não se repete em nenhuma outra igreja românica de nave única que tenha chegado aos nossos dias. O projeto previa ainda uma fachada harmónica, com portal e janela ao centro entre duas torres; a do lado norte chegou a ser construída, como mostra um desenho de 1906.

Escultura ligada a Coimbra

A importância artística de Cedofeita está na decoração. A maioria dos capitéis repete modelos das oficinas de Coimbra, que se dispersaram depois de concluídas a Sé Velha e a Igreja de Santiago: aves a debicar, leões afrontados e outros motivos. No tímpano do portal norte há um Agnus Dei, o cordeiro místico do Apocalipse, envolvido por laçaria vegetal em espiral, cuja anatomia e composição são, segundo o registo, praticamente idênticas às de uma peça do Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra.

O mesmo registo considera provável que Cedofeita tenha sido obra contemporânea do projeto românico tardio da Sé do Porto, onde terá trabalhado Soeiro Anes, nome ligado à Sé Velha de Coimbra. Seria essa a explicação da ligação evidente ao românico da cidade do Mondego.

Classificação

A igreja é Monumento Nacional, classificada pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A zona especial de proteção e a zona non aedificandi foram fixadas pela Portaria de 2 de novembro de 1971 (Diário do Governo, II série, n.º 263, de 9 de novembro de 1971).

O campo «Outra classificação» do registo está vazio. A igreja encontra-se próxima do Centro Histórico do Porto, inscrito pela UNESCO em 1996, mas não encontrámos fonte que a inclua nesse bem. Para outras igrejas do Porto, veja a página da cidade do Porto. Quem quiser comparar com o românico do vale do Sousa e do Tâmega encontra-o na Rota do Românico, que reúne monumentos dos vales do Sousa, Douro e Tâmega.

Preparar a visita

A igreja é uma igreja paroquial em uso. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário de visita nem de culto publicado numa fonte oficial atualizada: o registo nacional não os indica e os horários que circulam em diretórios turísticos não são verificáveis. Confirme junto da paróquia ou da Diocese do Porto antes de se deslocar e respeite as celebrações. O largo fica no centro da cidade, a curta distância da Rua de Cedofeita.

Fotografia de António Amen, de 9 de dezembro de 2004. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construída a Igreja de Cedofeita?
A obra românica que hoje se vê situa-se na viragem para o século XIII. O registo do Património Cultural, I.P. identifica antes dela um templo do final do século IX ou início do X, de que restam dois capitéis, e uma campanha do século XI, sagrada em 1087.
É verdade que a igreja foi fundada pelos suevos no século VI?
Essa tradição assenta numa inscrição de 1767 que verosimilmente copia outra anterior. O registo nacional avisa que o passado do local não pode ser provado para além do que os vestígios conservados mostram.
A Igreja de Cedofeita é Monumento Nacional?
Sim, pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). A zona de proteção foi fixada pela Portaria de 2 de novembro de 1971.
O que há de especial na escultura da igreja?
Os capitéis e o tímpano do portal norte, com um Agnus Dei, repetem modelos das oficinas românicas de Coimbra, e por isso a igreja é uma referência do românico tardio do Douro Litoral.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de São Martinho de Cedofeita (70398)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3745)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  4. Wikidata — Igreja de São Martinho de Cedofeita (Q3780685)
  5. Wikimedia Commons — António Amen, Igreja de São Martinho de Cedofeita (CC BY-SA 3.0)

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