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Chafariz dos Canos (Torres Vedras)

Chafariz dos Canos, em Torres Vedras: fonte gótica de planta sextavada referida em 1331, reformada em 1561 por D. Maria e classificada Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Pavilhão gótico em pedra clara do Chafariz dos Canos, com arcos ogivais, contrafortes de colunas e coroamento de merlões e pináculos, junto a um muro caiado em Torres Vedras
GualdimG, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Torres Vedras, Lisboa
Construção
séc. XIV (primeira referência em 1331); reformado em 1561

O Chafariz dos Canos é a fonte monumental da vila de Torres Vedras. Para a Património Cultural é a mais monumental fonte gótica nacional que chegou até hoje. Tem arcos ogivais, um tanque com duas bicas no interior e um coroamento de merlões e pináculos que a reforma de 1561 acrescentou à estrutura gótica.

Uma referência de 1331

A primeira referência conhecida ao chafariz data de 1331. A ficha oficial conclui por isso que a construção deve ter ocorrido ainda no reinado de D. Dinis, praticamente ao mesmo tempo que se fazia outra importante fonte gótica, a das Figueiras, em Santarém. A data exata da construção não é conhecida: 1331 é a primeira menção documental, não uma data de fundação.

O nome vem dos «canos» que traziam a água. O chafariz era alimentado pelo aqueduto de Torres Vedras, também classificado como Monumento Nacional pelo mesmo decreto de 1910, com a designação de Aqueduto da Fonte dos Canos. Esta ficha trata apenas do chafariz.

Um pavilhão sextavado

A comparação com Santarém ajuda a perceber a ideia do projeto. Em Santarém escolheu-se o esquema mais comum, de planta quadrangular, alpendre com arcos quebrados e tanque anexo. Em Torres Vedras o modelo é outro, pensado para reforçar a monumentalidade: uma planta centralizada, sextavada, cuja face maior se adossa a uma muralha que delimita a praça.

Cada uma das cinco faces livres tem os ângulos reforçados por contrafortes formados por colunas adossadas, com capitéis vegetalistas em dois andares. Os panos são abertos por arcos apontados de duas arquivoltas de aduelas moldeadas, e o coroamento mostra os modilhões de proa típicos do gótico. No interior há um tanque retangular com duas bicas e um pequeno corredor em volta, e a cobertura é uma abóbada de cruzaria de ogivas assente em mísulas de perfil cónico.

O registo sublinha ainda a presença de lápides com as armas reais e municipais, sinal da participação das duas autoridades numa obra que tinha grande peso social e económico. É um traço comum com a fonte de Santarém.

1561: a campanha da infanta D. Maria

Cerca de dois séculos depois, o chafariz foi alvo de uma campanha patrocinada pela infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, em 1561, provavelmente motivada por reparações na cobertura. A estrutura inferior não parece ter sido alterada. No coroamento introduziram-se grossos merlões e pináculos de feição manuelina e gárgulas com animais fantásticos. A empreitada serviu menos para atualizar o estilo do que para reforçar a monumentalidade, dando mais altura e impacto visual.

Em 1613 refere-se que o chafariz mostrava sinais de degradação, mas a documentação só menciona uma obra de reparação em 1831, por iniciativa do corregedor Pedro Quintela Emauz, que a assinalou com duas lápides em latim. No século XX, a DGEMN fez restauros em 1958 e 1966. Em 2000, escavações arqueológicas revelaram parte da muralha medieval da cidade, a zona da Porta da Corredoura, que passava junto à fonte. Uma empresa de conservação refere um projeto de restauro em 2012, com estudo de cor de arquitetos da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa.

Classificação

O registo nacional identifica o Chafariz dos Canos como Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. O registo indica que está abrangido pela zona de proteção da Igreja de São Pedro. Não deve ser confundido com as Linhas de Torres Vedras, as fortificações da Guerra Peninsular, que são de outra época e com outra função.

Como visitar

O inventário oficial dá como morada a Rua Cândido dos Reis, em Torres Vedras, na freguesia de Santa Maria, São Pedro e Matacães. O chafariz está à vista do espaço público, junto ao centro histórico. A Rede Histórica das Linhas de Torres descreve-o como a fonte da vila, classificada como Monumento Nacional, junto à antiga Porta da Corredoura. Para saber se o interior está acessível, se a água corre ou se há visitas guiadas, confirme junto do município de Torres Vedras, porque nenhuma das fontes consultadas em 5 de novembro de 2026 indica horários.

Para situar o chafariz na história da arquitetura, veja também arquitetura gótica em Portugal, e para a tipologia, as fontes e chafarizes e os aquedutos.

Fotografia de GualdimG, de 19 de outubro de 2017. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando surgiu o Chafariz dos Canos?
A primeira referência conhecida data de 1331, segundo o registo oficial, pelo que a construção deve situar-se ainda no reinado de D. Dinis. A data exata de construção não é conhecida.
O que mudou em 1561?
A infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, patrocinou uma campanha de obras que introduziu no coroamento grossos merlões e pináculos de feição manuelina e gárgulas com animais fantásticos. A estrutura inferior não parece ter sido alterada.
O chafariz ainda tem água?
O registo oficial descreve um tanque retangular com duas bicas no interior. A informação disponível não permite afirmar se a água corre hoje; confirme no município.
Está classificado?
Sim, como Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Chafariz dos Canos (registo 70374, NINV 3454), cópia arquivada de 2022
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (NINV 3454 e 3449)
  3. Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910
  4. Rede Histórica das Linhas de Torres — Chafariz dos Canos
  5. Nova Restauração — Chafariz dos Canos
  6. Wikidata — Chafariz dos Canos (Q9739319)

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