Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

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Chafarizes Monumentos Nacionais

Sete chafarizes classificados como Monumento Nacional: Virtudes e Passeio Alegre no Porto, Esperança em Lisboa, Portas de Moura, Borba, Santarém e Caminha.

Perguntas frequentes Fontes
Chafariz de mármore branco de Borba, a Fonte das Bicas, com frontispício rematado por escudo real, balaústres em volta e árvores ao fundo
Bobacajana, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons

Um chafariz era o ponto final de uma rede de abastecimento: a água chegava por conduta ou galeria e saía por bicas, em geral para tanques separados, um para as pessoas e outro para os animais. Os sete aqui reunidos são Monumentos Nacionais e cobrem seis séculos, do gótico ao barroco, com o Renascimento pelo meio. Os de Évora (Praça do Giraldo) e de Torres Vedras (Chafariz dos Canos) têm página própria. As descrições seguem os registos da Património Cultural.

Um chafariz gótico: Santarém

A Fonte das Figueiras, vulgarmente dita «Fonte Mourisca», fica na cidade de Santarém. O registo vê nela um dos raros exemplos de arquitetura civil gótica de abastecimento de água na Idade Média portuguesa. Tem planta quadrangular, cunhais que sustentam um alpendre ameado e um arco quebrado em cada fachada, o principal maior. Duas pedras de armas nas fachadas sul e oeste mostram que a obra foi feita em conjunto pelo município e pelo rei, D. Dinis ou D. Afonso IV. Um mestre canteiro de sigla alfabetiforme, lido «Ioannis», terá esculpido o capitel «dos três florões» e trabalhado também no claustro de São Francisco de Santarém. O registo compara-a com a fonte de Atouguia da Baleia e com o Chafariz dos Canos de Torres Vedras, contemporâneo.

Os chafarizes renascentistas

O Chafariz das Portas de Moura, em Évora, foi inaugurado a 4 de dezembro de 1556, segundo a inscrição na esfera, e pensa-se que é de Diogo de Torralva, que dirigia as obras do Aqueduto da Prata. Dois tanques retangulares, o principal em plano mais alto, recebem a água de uma esfera de mármore sobre fuste circular, com quatro carrancas em forma de serafins. Faz parte da renovação urbana do Cardeal D. Henrique e inaugura o tipo maneirista de fonte a que o do Giraldo se filia. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 8 218, de 29 de junho de 1922.

O Chafariz da Praça Municipal de Caminha, ou Chafariz do Terreiro, nasceu de uma decisão do concelho em 1551: os moradores tinham de ir buscar água fora da vila, e foi chamado o mestre vianense João Lopes, o Velho. Segue o modelo piramidal que o mestre já usara no Porto e em Pontevedra: grande tanque sobre escadaria, pilar decorado, coluna de grandes proporções e duas taças sobrepostas, a maior com seis mascarões e a segunda com quatro, rematadas por pináculo com o escudo da vila. O registo descreve os mascarões como homens do mar, figuras lendárias e seres híbridos, e admite que representem as «partidas do mundo», já que algumas figuras parecem de raças diferentes. Veja também Caminha.

Os chafarizes barrocos e do século XVIII

O Chafariz das Virtudes, no Porto, foi construído em 1619, também chamado Fonte do Rio Frio, no programa municipal de racionalização da água. Sabe-se pouco da obra; a indicação que sobreviveu atribui a conceção a Pantaleão de Seabra e Sousa, regedor da cidade. É um chafariz barroco de três panos sobre uma parede de fundo, com inscrição em mármore com a data, dois castelos das armas da cidade a ladear um nicho vazio, que se julga destinado a uma imagem de Nossa Senhora das Virtudes, e frontão circular com as armas reais, acrescento posterior de feição neoclássica.

O Chafariz da Esperança, em Lisboa, liga-se ao Aqueduto das Águas Livres. Em 1752 a Câmara comprou terreno ao convento franciscano de Nossa Senhora da Esperança, e o projeto é de Carlos Mardel. A galeria de abastecimento vinha do reservatório das Amoreiras. O conjunto adossa-se a um edifício e tem dois pisos servidos por escadas laterais, com tanque em cada registo: o inferior, ao nível do chão, servia de bebedouro de animais. O remate é um pórtico de gosto pombalino. Tem zona especial de proteção desde 1998 (Portaria n.º 512/98).

O Chafariz do Passeio Alegre, na Foz do Douro (Porto), é setecentista, do último quartel do século XVIII, e a sua história «permanece envolta em contradições». Atribuiu-se a Nicolau Nasoni e à Quinta da Prelada, mas alguns autores citados no registo dizem que veio do claustro do Convento de São Francisco, destruído em 1833, onde está hoje o Palácio da Bolsa. Tem um tanque quadrilobado, taça polilobada em coluna fusiforme e quatro carrancas na taça; o jardim, projetado em 1870 por Emílio David, abriu em 1888. Ver Porto.

O Chafariz de Borba, ou Fonte das Bicas, é a obra de maior escala. É barroco, de mármore branco, e o município mandou-o erguer em 1781 para assinalar a visita de D. Maria I e D. Pedro III, como diz a inscrição. O desenho é do engenheiro José Álvares de Barros, a execução de José Mendes da Silva e do escultor António Franco Painho, e o exame final, em 1785, foi dos artistas locais António e Angélico Velez. Tem três tanques, bustos dos reis, grinaldas neoclássicas e um frontispício com medalhão da rainha. Anexo, um longo tanque entra no Jardim Municipal e termina num bebedouro e num lavadouro, o que une o monumento comemorativo às necessidades quotidianas.

Ler o conjunto

O mais antigo e o mais tardio mostram duas lógicas. Em Santarém, a fonte medieval é obra da conjunção entre município e coroa. Em Borba, mais de quatro séculos depois, é a vila que encomenda uma peça de propaganda real e de serviço público. No meio, o Renascimento de Évora e Caminha e o abastecimento de Lisboa pelas Águas Livres. Para a tipologia, veja fontes e chafarizes.

Os chafarizes estão em espaço público e podem visitar-se a qualquer hora. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos fonte oficial recente sobre o estado de funcionamento da água em cada um; informe-se junto do município.

Fotografia de Bobacajana (Chafariz de Borba, 10 de junho de 2007). Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quais destes chafarizes são góticos?
Apenas a Fonte das Figueiras, em Santarém, que o registo oficial descreve como rara arquitetura civil gótica de abastecimento de água, do século XIV, com arcos quebrados e alpendre ameado.
Quais são anteriores ao século XVII?
A Fonte das Figueiras (século XIV), o Chafariz das Portas de Moura (inaugurado em 1556) e o Chafariz da Praça Municipal de Caminha (mandado fazer em 1551). Os outros são seiscentistas ou setecentistas.
Há outros chafarizes Monumento Nacional?
Sim: o da Praça do Giraldo, em Évora, e o Chafariz dos Canos, em Torres Vedras, têm página própria neste guia. Há ainda outros no Atlas, como o de Viana do Castelo, que não tratamos aqui.
Quando foram classificados?
Seis pelo decreto de 16 de junho de 1910. O das Portas de Moura foi classificado pelo Decreto n.º 8 218, de 29 de junho de 1922.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Chafariz das Virtudes (registo 70202, NINV 3718)
  2. Património Cultural, I.P. — Chafariz do Passeio Alegre (registo 70686, NINV 3720)
  3. Património Cultural, I.P. — Chafariz da Esperança (registo 70183, NINV 3224)
  4. Património Cultural, I.P. — Chafariz das Portas de Moura (registo 69787, NINV 2710)
  5. Património Cultural, I.P. — Chafariz de Borba (registo 70230, NINV 2669)
  6. Património Cultural, I.P. — Fonte das Figueiras (registo 70663, NINV 3923)
  7. Património Cultural, I.P. — Chafariz da Praça Municipal, Caminha (registo 70682, NINV 4101)
  8. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado
  9. Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910
  10. Diário do Governo, I Série, n.º 130, de 29 de junho de 1922 (Decreto n.º 8 218)