- Início
- Tipologias do património edificado
- Mosteiros de Portugal
- Convento de São Francisco de Santarém
Monumentos
Convento de São Francisco de Santarém
Convento de São Francisco de Santarém: igreja gótica mendicante do século XIII, coro alto de D. Fernando, claustro, incêndio de 1940 e classificação nacional.
- Localização
- Santarém, Santarém
- Construção
- convento fundado em 1240, obras desde 1242; igreja concluída até 1282
O Convento de São Francisco de Santarém é um dos grandes conjuntos góticos mendicantes de Portugal, e um dos mais desafortunados. A sua igreja, de dimensões invulgares, foi pensada como templo franciscano ao estilo austero do século XIII e acabou escolhida por um rei como panteão. Um incêndio em 1940 deixou-a em ruína. Fica na zona norte do centro histórico de Santarém, na Rua 31 de Janeiro.
Fundação e construção
Segundo o registo do Património Cultural, I.P., os franciscanos instalaram-se em Santarém em 1240, num local privilegiado da cidade, e começaram a construir o convento em 1242. O registo descreve uma tipologia austera, comum a todo o ciclo construtivo mendicante europeu do século XIII: volumes severos, predomínio das linhas horizontais e retas sobre a verticalidade, e nenhuma decoração para além dos motivos vegetais dos capitéis. Essa sobriedade vem da influência da arquitetura cisterciense, proposta como modelo a franciscanos e dominicanos no IV Concílio de Latrão, em 1215.
A igreja tem um amplo corpo de três naves de cinco tramos, com cobertura de madeira, um longo transepto saliente e uma cabeceira muito desenvolvida de cinco capelas quadrangulares escalonadas. O registo sublinha o caráter excecional da cabeceira: este esquema só se repete, no século XIII português, em três outras igrejas, todas mendicantes (Santa Clara de Santarém e, possivelmente, São Domingos de Santarém e São Francisco de Lisboa). As dimensões do templo foram atribuídas por Pradalié ao envolvimento pessoal do rei na construção dos conventos mendicantes de Santarém. Um projeto assim levou decerto décadas; a igreja deve estar concluída na segunda metade do século, o mais tardar em 1282, segundo Pedro Dias. Para o contexto do estilo, veja a arquitetura gótica em Portugal.
O panteão de D. Fernando
O convento acolheu numerosos enterramentos ao longo dos primeiros séculos. O caso mais excecional foi o do rei D. Fernando, que, na segunda metade do século XIV, patrocinou a construção de um coro alto nos três tramos médios da nave central, para nele ser sepultado. O registo cita Mário Tavares Chicó para dizer que esta construção é “a mais bela manifestação de arte gótica do país, antes da construção do Mosteiro da Batalha”, sem paralelo na arquitetura nacional; as analogias mais evidentes parecem encontrar-se em território espanhol, em obras da antiga coroa de Aragão.
Pensado como panteão régio, a escolha de São Francisco significou também uma recusa do panteão de Alcobaça, onde está sepultado o pai de D. Fernando, D. Pedro. Em 1376 o rei mandou transferir para o coro alto as ossadas da mãe, D. Constança, e o seu escudo figura ao lado do dos Meneses, casa a que pertencia D. Leonor Teles. O registo nacional não diz onde está hoje o túmulo do rei; o que o texto afirma é que o projeto do panteão se concretizou no coro alto.
Claustro e capelas
Nos séculos seguintes o convento foi engrandecido por sucessivas campanhas. O claustro terá sido construído, ao que tudo indica, em duas ou três fases. No interior da igreja restam elementos decorativos de grande qualidade, como o arco renascentista da Capela de Santa Ana e o traçado maneirista da Capela das Almas, panteão dos Meneses e obra do arquiteto Pedro Nunes Tinoco.
Incêndio, ruína e futuro
Depois de um incêndio em 1940, o edifício ficou em ruína. As obras de restauro que se seguiram não foram concluídas, e o registo nacional descreve um monumento de aspeto ainda “desolador”, mas assinala um renovado interesse, na década anterior à redação da ficha, em transformá-lo em núcleo museológico.
Uma notícia da agência Lusa de 2 de abril de 2019 acrescenta que a câmara de Santarém coordenava com a Direção-Geral do Património Cultural trabalhos para fechar aberturas cobertas provisoriamente com plástico ou rede e que o convento deveria ser requalificado juntamente com a Incubadora d’Artes. Não encontrámos confirmação da conclusão dessas obras.
Classificação
O conjunto está classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 3 027, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 38, de 14 de março de 1917, com a designação «Igreja e Claustro do extinto Convento de São Francisco». A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada por portaria de 30 de outubro de 1946. O imóvel está afeto ao Património Cultural, I.P. Não integra nenhuma inscrição da UNESCO.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site do município de Santarém estava inacessível e não encontrámos fonte oficial atual sobre abertura ao público, horário ou preço, pelo que não os indicamos. Antes de planear uma deslocação, confirme junto do município e do Património Cultural, I.P. se há visitas e em que condições. A fachada e a envolvente podem ser vistas da rua. Perto, a Igreja de São João de Alporão e a Igreja de Santa Maria de Marvila permitem comparar outros momentos da arquitetura da cidade.
Fotografia de Threeohsix, de 1 de outubro de 2023. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi fundado o convento?
- Segundo o registo do Património Cultural, I.P., os franciscanos instalaram-se em Santarém em 1240 e deram início à construção do convento dois anos depois. A conclusão da igreja deve situar-se na segunda metade do século XIII, o mais tardar em 1282.
- Porque é importante o coro alto?
- Foi mandado construir pelo rei D. Fernando, na segunda metade do século XIV, nos três tramos médios da nave central, para ali ser sepultado. O registo cita Mário Tavares Chicó, que o considerou a mais bela manifestação de arte gótica do país antes do Mosteiro da Batalha.
- O que aconteceu em 1940?
- Um incêndio deixou o edifício em ruína. As obras de restauro que se seguiram não foram concluídas, e o registo nacional descreve o monumento como de aspeto ainda desolador, com renovado interesse na sua transformação em núcleo museológico.
- Pode visitar-se?
- Não conseguimos confirmar. Na consulta de 5 de novembro de 2026 o site do município estava inacessível e não encontrámos fonte oficial atual sobre abertura ao público. Uma notícia da Lusa de 2019 referia a requalificação prevista do convento. Confirme junto do município.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Igreja e Claustro do extinto Convento de São Francisco (69797)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3937)
- Diário do Governo — Decreto n.º 3 027, de 14 de março de 1917 (I Série, n.º 38)
- Lusa / Diário de Notícias — Santarém quer abrir museu de S. João de Alporão «o mais rapidamente possível» (2-04-2019)
- Wikidata — Convento de São Francisco (Santarém) (Q17117710)
Continue a explorar
Património por perto
Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.
Relacionado
lugaresSantarém, Capital do Gótico PortuguêsSantarém, capital do gótico português no Ribatejo: igrejas medievais, as Portas do Sol sobre o Tejo e o túmulo de Pedro Álvares Cabral.
periodosArquitetura e Arte Gótica em PortugalO gótico em Portugal, do despojamento cisterciense de Alcobaça à exuberância flamejante da Batalha, passando pela arquitetura mendicante dos séculos XIII e XIV.
igrejasIgreja de São João de Alporão, SantarémIgreja de São João de Alporão, em Santarém: templo hospitalário de origem românica, cabeceira gótica pioneira, antigo museu, classificação e estado de visita.
igrejasIgreja de Santa Maria de Marvila, SantarémIgreja de Santa Maria de Marvila, em Santarém: reforma manuelina de c. 1530, capela-mor e portal, azulejos de 1617–1642 da chamada catedral do azulejo.
tipologiasMosteiros de PortugalOs mosteiros de Portugal: casas de beneditinos e cistercienses que, de Alcobaça a Tibães, moldaram a paisagem, a economia e a arte do território português.
lugaresLisboa e Vale do TejoPatrimónio de Lisboa e Vale do Tejo: da capital ribeirinha a Sintra, Mafra, Tomar e Santarém, com monumentos da UNESCO, palácios reais e fortalezas.