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Monumentos
Igreja de São João de Alporão, Santarém
Igreja de São João de Alporão, em Santarém: templo hospitalário de origem românica, cabeceira gótica pioneira, antigo museu, classificação e estado de visita.
- Localização
- Santarém, Santarém
- Construção
- últimas décadas do século XII (campanha românica); campanha gótica posterior
A Igreja de São João de Alporão ergue-se no centro histórico de Santarém, perto da Torre das Cabaças. Foi construída por uma ordem militar e hospitalária no final do século XII e é hoje um dos edifícios medievais mais discutidos do país, porque mostra, na mesma construção, o fim do românico e os primeiros passos do gótico. Durante muito tempo foi também a sede do museu da cidade.
A Ordem do Hospital em Santarém
O registo do Património Cultural, I.P. atribui a fundação à Ordem de São João do Hospital, cuja fixação em Santarém se situa entre 1159 e 1185. O foral de 1179 permite já inferir a presença dos hospitalários, mas a data exata do estabelecimento continua desconhecida. Como a datação da igreja não pode ser ligada à chegada da ordem, as datas propostas para a construção variam; o registo considera, ainda assim, que não restam grandes dúvidas sobre uma conceção inicialmente românica, das últimas décadas do século XII.
Entre o românico e o gótico
O registo nacional descreve um “produto híbrido”. Do lado românico, indica a estrutura maciça da nave, que se filia nas igrejas de nave única do Douro Interior, o portal principal de arquivoltas em arco de volta perfeita, os contrafortes sem função estrutural e o caráter fortificado do conjunto, a que se adossava uma pesada torre circular, demolida em 1785 para deixar passar o coche real de D. Maria I. Para o contexto do estilo, veja a arquitetura românica em Portugal.
Do lado gótico, destacam-se a cabeceira poligonal, com amplas janelas de arco ogival entre contrafortes, e a cobertura original dos três tramos da nave, em abóbada nervurada de cruzaria de ogivas. A obra principal desta fase é a galeria que se prolonga para lá da capela-mor até ao limite exterior da cabeceira, que o registo cita como a “primeira galeria gótica da arquitetura portuguesa”. A sua função é ainda discutida; provavelmente servia para aceder à torre românica. O registo admite que seja um exemplo da influência normanda no eixo Lisboa–Santarém–Coimbra desde a segunda metade do século XII.
Os autores citados coincidem em duas campanhas construtivas autónomas. Ou o projeto românico ficou por concluir, ou a primitiva abóbada de berço da nave ruiu; seja como for, a segunda campanha levantou uma cabeceira inteiramente nova, atribuída a promotores e construtores provavelmente de origem francesa. Para o conjunto do estilo, consulte a arquitetura gótica em Portugal.
De igreja a museu
Depois de extintas as ordens religiosas, a igreja serviu de teatro. Em 1877, a Comissão Administrativa do Museu Distrital de Santarém iniciou obras de restauro para a adaptar a museu, dirigidas por João Fagundo da Silva. Segundo o registo nacional, privilegiaram a consolidação em vez da recriação, embora tenham usado cimento hidráulico na abóbada e transformado o portal lateral num janelão. Nas bases de dados nacionais, o edifício aparece com os nomes alternativos de Núcleo Museológico de Arte e Arqueologia Medievais e Museu Municipal de Santarém.
Estado atual da visita
Este ponto merece cautela. Uma notícia da agência Lusa, de 2 de abril de 2019, informava que o museu estava encerrado desde 2012 por razões de segurança: um estudo do Instituto Superior Técnico, de 2004, tinha identificado infiltrações de água a partir das fundações, agravadas pela pedra local e por reparações anteriores com argamassa de cimento. A câmara dizia querer reabrir o espaço “o mais rapidamente possível”, sem data, e preparava uma intervenção provisória com a Direção-Geral do Património Cultural.
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o site do município de Santarém estava inacessível e não encontrámos outra fonte oficial que dissesse se o edifício reabriu ou em que condições se visita. Por isso não indicamos horário nem preço. Antes de se deslocar, confirme junto do município e do Turismo de Santarém. A igreja fica no Largo Zeferino Sarmento.
Classificação
É Monumento Nacional por decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). A zona especial de proteção, com zona non aedificandi, foi fixada por portaria de 14 de janeiro de 1947 (Diário do Governo, II Série, n.º 50, de 3 de março de 1947), e é partilhada com a Torre das Cabaças. Não integra nenhuma inscrição da UNESCO. Na cidade, vale a pena comparar este templo com o Convento de São Francisco, de gótico mendicante, e com a Igreja de Santa Maria de Marvila, de reforma manuelina.
Fotografia de Rei-artur, de 17 de maio de 2008. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quem mandou construir a Igreja de São João de Alporão?
- O registo do Património Cultural, I.P. atribui a fundação à Ordem de São João do Hospital, cuja fixação em Santarém se situa entre 1159 e 1185. A data exata de estabelecimento é desconhecida e a conceção inicial românica é datada das últimas décadas do século XII.
- Porque é um edifício tão estudado?
- Porque combina soluções românicas, como a nave maciça e o portal de arco de volta perfeita, com elementos já góticos, como a cabeceira poligonal e a galeria que o registo nacional apresenta como a primeira galeria gótica da arquitetura portuguesa. Os autores citados reconhecem duas campanhas construtivas distintas.
- Pode visitar-se o museu hoje?
- Não conseguimos confirmar. Uma notícia da Lusa de 2 de abril de 2019 dava o museu como encerrado desde 2012 por razões de segurança, com infiltrações de água. Na consulta de 5 de novembro de 2026 o site do município de Santarém estava inacessível e não encontrámos fonte oficial atual. Confirme junto do município.
- É Monumento Nacional?
- Sim, por decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). A zona especial de proteção abrange também a Torre das Cabaças.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Igreja de São João de Alporão (70434)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3934)
- Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
- Lusa / Diário de Notícias — Santarém quer abrir museu de S. João de Alporão «o mais rapidamente possível» (2-04-2019)
- Wikidata — Igreja de São João de Alporão (Q10300766)
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