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Igreja de Santa Maria de Marvila, Santarém

Igreja de Santa Maria de Marvila, em Santarém: reforma manuelina de c. 1530, capela-mor e portal, azulejos de 1617–1642 da chamada catedral do azulejo.

Perguntas frequentes Fontes
Portal manuelino de pedra clara da Igreja de Santa Maria de Marvila, com pináculos e ramos naturalistas esculpidos, aberto numa parede caiada
GualdimG, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Santarém, Santarém
Construção
reforma manuelina concluída c. 1530; azulejos de 1617–1642

A Igreja de Santa Maria de Marvila é a igreja paroquial do bairro de Marvila, na zona alta de Santarém. Por fora, é um edifício de volumes simples, caiado, com um portal de pedra carregado de motivos vegetais e fantásticos. Por dentro, está forrada de azulejos do século XVII que lhe deram fama nacional e um nome pouco modesto: a “catedral do azulejo”.

Dos templários à colegiada

O registo do Património Cultural, I.P. considera que a igreja resulta, provavelmente, da refundação de uma antiga mesquita da medina de Santarém, na sequência da reconquista cristã. Em 1159, D. Afonso Henriques doou-a à Ordem dos Templários. O templo terá tido como designação original Santa Maria de Santarém, o que indicaria a sua primazia sobre as restantes igrejas da cidade, nomeadamente Santa Maria da Alcáçova.

Já cristianizada, foi inteiramente reconstruída em meados do século XIII, num estilo gótico do qual hoje pouco resta. Em 1244, o bispo de Lisboa, D. Aires Vasques, acrescentou-lhe rendimentos e benesses, e a igreja passou a Colegiada de Santa Maria de Marvila. A origem islâmica é uma hipótese (“provavelmente”) do registo, não um facto documentado.

A reforma manuelina

O conjunto sofreu uma reforma e ampliação total no início do século XVI, patrocinada pelo vice-rei da Índia D. Francisco de Almeida e concluída por volta de 1530. Houve nova intervenção por iniciativa de D. João III, mas é a obra manuelina que mais se destaca, embora algo alterada depois. O registo inclui nela:

  • o portal principal, com elementos naturalistas, fabulosos e festivos em talhe “gordo”;
  • os alçados laterais, com janelas de arco quebrado;
  • os arcos de acesso ao coro e à capela batismal;
  • a cabeceira, com capela-mor aberta por arco triunfal polilobado, que simula uma elegante cortina drapeada, e duas capelas laterais, todas com abobadamento nervurado.

Os bocetes da abóbada da capela-mor ostentam emblemas de D. Manuel: a cruz da Ordem de Cristo, as esferas armilares e, no bocete central, o escudo real de cinco quinas. As capelas laterais abrem para o transepto por arcos góticos, que, com as portas do coro e do batistério, são parcos vestígios da construção original. O registo, citando Vítor Serrão, considera-a o testemunho mais importante do manuelino em Santarém.

Da campanha de D. João III, já renascentista, resultou o interior de três naves divididas por arcos de volta perfeita sobre colunas clássicas de capitéis jónicos, e as portas laterais com frontões triangulares. A torre, com alto coruchéu piramidal, foi demolida em 1876; com ela desapareceram os arcosólios góticos da base, que abrigavam duas arcas tumulares, uma das quais se vê hoje no Museu Municipal da cidade.

Os azulejos de 1617 a 1642

O que mais retém o visitante é o revestimento cerâmico. Segundo o registo nacional, a igreja conserva um riquíssimo conjunto de azulejaria seiscentista, executado entre 1617 e 1642, em enxaquetado azul e branco e em composições de “tapete” azul e amarelo. É um bom lugar para compreender o padrão seiscentista numa escala monumental; para o panorama geral, consulte a página sobre o azulejo. A sacristia tem teto decorado a azul e vermelho, datado de 1690, e um silhar de azulejos também seiscentistas.

O mesmo registo refere um púlpito de mármore de finais do século XVII, duas pias de água benta quinhentistas, lajes tumulares com inscrições e a lápide da capela do Santíssimo, de Paulo de Pedrosa Meireles, falecido a 27 de novembro de 1663. O retábulo maneirista da capela-mor perdeu-se na sequência das invasões francesas e foi substituído por uma tela da Assunção da Virgem, de Fuschini, pintor da Ajuda.

Classificação

É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 3 318, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 144, de 27 de agosto de 1917. A zona especial de proteção foi fixada por portaria de 30 de agosto de 1946 (Diário do Governo, II Série, n.º 262, de 11 de novembro de 1946). Não integra nenhuma inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

A igreja fica no Largo de Marvila, em Santarém, e é uma igreja paroquial em uso. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos um horário de visita confirmado numa fonte oficial atualizada: o site do município estava inacessível e a página do Turismo de Portugal exigia verificação automática. Confirme os horários e as condições de entrada junto do município ou da paróquia antes de se deslocar, sobretudo em dias de culto. Na mesma zona da cidade, a Igreja de São João de Alporão e o Convento de São Francisco completam um percurso pelo gótico e pelo manuelino de Santarém.

Fotografia de GualdimG, de 20 de setembro de 2014. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Porque se chama «catedral do azulejo»?
O registo do Património Cultural, I.P. refere que a igreja conserva um riquíssimo património azulejar seiscentista, executado entre 1617 e 1642, em enxaquetado azul e branco e em composições de «tapete» azul e amarelo, o que lhe valeu a designação de «catedral do azulejo».
A igreja é manuelina?
A reforma e ampliação do início do século XVI, patrocinada pelo vice-rei da Índia D. Francisco de Almeida e concluída por volta de 1530, é a que mais sobressai: portal principal, capela-mor e arcos do coro e da capela batismal. O interior atual de três naves resulta de uma campanha renascentista do tempo de D. João III.
É Monumento Nacional?
Sim, pelo Decreto n.º 3 318, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 144, de 27 de agosto de 1917. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.
Qual é o horário de visita?
Não o conseguimos confirmar em fonte oficial atual. Na consulta de 5 de novembro de 2026 o site do município de Santarém estava inacessível e a página do Turismo de Portugal estava protegida por verificação automática. Confirme junto do município ou da paróquia antes de se deslocar.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de Santa Maria de Marvila (70432)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3931)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 3 318, de 27 de agosto de 1917 (I Série, n.º 144)
  4. Wikidata — Igreja de Santa Maria de Marvila (Q5994176)

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