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Real Edifício de Mafra

Real Edifício de Mafra, palácio-convento barroco com basílica, biblioteca e tapada, Património Mundial da UNESCO desde 2019, em Mafra (distrito de Lisboa).

Real Edifício de Mafra
Alvesgaspar, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

O Real Edifício de Mafra, na vila de Mafra (distrito de Lisboa), é o mais monumental conjunto barroco erguido em Portugal e uma das maiores obras do reinado de D. João V. Concebido em simultâneo como palácio régio, basílica e convento franciscano, e rodeado pelo Jardim do Cerco e pela vasta Tapada de caça, traduz em pedra o poderio do ouro do Brasil e a ambição cultural da monarquia portuguesa no século XVIII. Está inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 2019, com a referência n.º 1573, pelo critério (iv).

Origem e construção

A construção teve início em 1717, na sequência de um voto que D. João V terá feito pelo nascimento de descendência. O projeto coube ao arquiteto de origem alemã João Frederico Ludovice (Johann Friedrich Ludwig), formado na tradição romana e barroca da Europa central. O que começou por ser um modesto convento para treze frades transformou-se, à medida que afluíam as riquezas do Brasil, num programa grandioso: um palácio-convento com cerca de 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas e dezenas de pátios.

A empreitada mobilizou dezenas de milhares de operários e tornou-se símbolo do absolutismo joanino. A sagração da basílica, em 1730, marcou o auge da campanha, embora as obras se prolongassem até cerca de 1755. Este episódio de fausto e sacrifício ficaria imortalizado no romance Memorial do Convento, de José Saramago.

Mafra resume, num só edifício, três funções que noutros sítios se distribuem por monumentos distintos — o paço, a igreja e o claustro — fazendo dele um caso quase único na arquitetura europeia do barroco tardio.

A basílica, a biblioteca e os carrilhões

A basílica, ao centro da fachada principal, destaca-se pela cúpula e pelas duas torres sineiras. Guarda uma notável coleção de estatuária italiana em mármore de Carrara e seis órgãos históricos concebidos para tocar em conjunto, caso raro a nível mundial. Nas torres encontram-se dois carrilhões setecentistas, com perto de 92 sinos no total, considerados os maiores conjuntos do género produzidos no século XVIII.

No piso nobre situa-se a biblioteca, um espaço de planta em cruz com cerca de 88 metros de extensão, que reúne aproximadamente 30 000 volumes dos séculos XV a XVIII. É célebre a colónia de morcegos que ali habita há gerações e que, alimentando-se de insetos, ajuda a preservar o acervo. Pela monumentalidade e pela vocação conventual, o Real Edifício de Mafra dialoga com outros grandes conventos e com a tradição dos paços reais portugueses.

A Tapada e o Jardim do Cerco

A poente e a norte, o conjunto estende-se ao Jardim do Cerco, horto murado de traçado regular, e à Tapada Nacional de Mafra, antiga coutada real com cerca de 1200 hectares cercada por um muro de vários quilómetros. A inclusão destes espaços na classificação da UNESCO sublinha a leitura do sítio como uma paisagem integral, em que arquitetura, jardim e floresta de caça formavam um todo destinado ao recreio, ao estudo e à vida religiosa da corte.

O monumento pode ser visitado em duas vertentes complementares: o Palácio Nacional de Mafra, com os seus aposentos régios e salões, e o Convento de Mafra, com a enfermaria, a botica e as celas franciscanas, que dão a medida do quotidiano monástico que coexistiu com a magnificência palaciana.

Häufige Fragen

Quando foi o Real Edifício de Mafra classificado como Património Mundial?
O Real Edifício de Mafra foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 2019, com a referência n.º 1573, pelo critério (iv).
O que abrange o Real Edifício de Mafra?
O conjunto reúne o palácio, a basílica, o convento franciscano, o Jardim do Cerco e a Tapada de Mafra, antiga coutada de caça da Casa Real.
Quem mandou construir o palácio-convento de Mafra?
Foi mandado erguer pelo rei D. João V, a partir de 1717, em cumprimento de um voto, com projeto do arquiteto João Frederico Ludovice.

Quellen

  1. UNESCO – Royal Building of Mafra (ref. 1573)
  2. Palácio Nacional de Mafra (sítio oficial)
  3. Wikipédia – Palácio Nacional de Mafra