Denkmäler

Sé de Braga

A Sé de Braga, em Braga, é a catedral mais antiga de Portugal, sede primaz das Espanhas, com camadas românicas, góticas e barrocas sobrepostas.

Sé de Braga
Autor desconhecido, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons

A Sé de Braga, dedicada a Santa Maria, é a mais antiga das catedrais portuguesas e um dos monumentos mais densamente estratificados do país. Erguida no coração da cidade que reivindica o título de primaz das Espanhas, a sua história confunde-se com a do próprio reino: foi consagrada em 28 de agosto de 1089, meio século antes de D. Afonso Henriques se intitular rei. Quem hoje a percorre lê, em pedra, quase mil anos de sucessivas reformulações — do românico fundador ao ouro do barroco minhoto. Classificada como Monumento Nacional em 1910, é peça central entre as sés e catedrais de Portugal.

Das origens romanas à reconquista

A diocese de Braga conta-se entre as mais antigas da Península Ibérica, com raízes documentadas desde o século III, quando Bracara Augusta era um importante centro romano. Após o domínio suevo e visigótico e a longa interrupção da presença islâmica, a sé episcopal foi restaurada por volta de 1071, no contexto da reconquista cristã. Coube ao bispo D. Pedro iniciar a construção da nova catedral, sobre vestígios de edificações anteriores, dando-lhe a planta basilical de três naves, transepto e cabeceira com ábside ladeada por absidíolos.

A campanha românica prosseguiu sob o arcebispo D. Paio Mendes, no segundo quartel do século XII, num momento em que Braga se afirmava como metrópole eclesiástica — fora elevada a arquidiocese em 1107. A inspiração veio do românico borgonhês, na esteira da grande igreja abacial de Cluny, e ainda se reconhece com nitidez no portal sul, nas arquivoltas e nos capitéis historiados.

A Sé de Braga não é um monumento de um só tempo: é um palimpsesto onde cada arcebispo quis deixar a sua marca, sobrepondo o seu gosto ao dos antecessores sem nunca apagar por completo o que recebeu.

Camadas de gótico, manuelino e barroco

A partir do século XIV, o gótico introduziu novas capelas e abóbadas. A mais célebre é a Capela dos Reis, erguida por volta de 1374 sobre o local onde haviam sido sepultados o Conde D. Henrique e D. Teresa, pais do primeiro rei. Os seus túmulos foram substituídos no início do século XVI por novos jacentes, transformando a capela num verdadeiro panteão fundacional do reino. Junto a ela guarda-se também a memória do arcebispo D. Diogo de Sousa, grande mecenas que, no dealbar de Quinhentos, mandou refazer a frontaria e abrir o pórtico manuelino.

A intervenção mais transformadora chegou, porém, com o barroco. Entre os séculos XVII e XVIII, a talha dourada invadiu o interior: dois imponentes órgãos tubulares de feição joanina, o coro alto, capelas revestidas de azularia e retábulos exuberantes conferiram à catedral o ambiente cenográfico que ainda hoje a distingue. Esta predileção pelo ornamento ligaria Braga ao seu monumento mais emblemático deste período, o Santuário do Bom Jesus do Monte, e à arte da azulejaria que recobre tantos templos minhotos.

Tesouro e contexto monumental

Ao conjunto edificado soma-se o Tesouro-Museu da Sé, um dos mais ricos acervos de arte sacra do país, com ourivesaria, paramentos, marfins e o célebre cálice atribuído a São Geraldo. A catedral integra-se numa rede de grandes monumentos do Norte que vale a pena ler em diálogo: a vizinha Sé do Porto, igualmente de matriz românica fortificada, e o Mosteiro de Tibães, casa-mãe beneditina cuja oficina de talha tanto influenciou o barroco bracarense.

Visitar a Sé de Braga é, assim, percorrer simultaneamente a história da arquitetura religiosa portuguesa e a génese do próprio país. Cada nave, cada capela e cada órgão contam um capítulo distinto, e é dessa acumulação — e não de uma unidade estilística impossível — que nasce a sua singular grandeza.

Häufige Fragen

Porque é considerada a catedral mais antiga de Portugal?
A sua construção começou por volta de 1070, e foi sagrada em 28 de agosto de 1089, antes da fundação do reino de Portugal, sendo a primeira catedral erguida no território.
Quem está sepultado na Sé de Braga?
Na Capela dos Reis repousam o Conde D. Henrique e D. Teresa, pais de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, em túmulos com estátuas jacentes.
Que estilos arquitetónicos se podem ver na Sé de Braga?
O edifício conserva a estrutura românica original e acumulou intervenções góticas, manuelinas e, sobretudo, uma exuberante decoração barroca.

Quellen

  1. Sé de Braga — Wikipédia
  2. Braga Cathedral — Wikipedia
  3. Catedral de Santa Maria de Braga — Sé de Braga