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Igreja de Azurara (Igreja de Santa Maria)

Igreja de Azurara, em Vila do Conde: matriz tardo-gótica do séc. XV com portal manuelino, abóbada de 1552, talha, azulejo joanino e classificação de 1910.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada ocidental da Igreja de Azurara, em granito, com a torre sineira à esquerda, o portal manuelino com alfiz ao centro e o adro murado em primeiro plano
Joseolgon, CC BY 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Azurara, Vila do Conde, Porto
Construção
Final do séc. XV; abóbada da capela-mor concluída em 1552

A Igreja de Azurara, igreja matriz de Santa Maria de Azurara, domina um largo da freguesia de Azurara, no concelho de Vila do Conde. O Atlas do Património Classificado regista-a como «Igreja de Azurara», também denominada Igreja Matriz de Azurara ou Igreja de Santa Maria. É um templo de construção tardo-gótica, iniciado nos finais do século XV, com um portal manuelino, abóbada de caixotões na capela-mor e um interior onde se sucedem a talha maneirista, a talha barroca e o azulejo joanino. Não se deve confundir com a Igreja Matriz de Vila do Conde, no centro de Vila do Conde, também manuelina mas dedicada a São João Baptista.

Uma igreja que levou mais de meio século a acabar

A cronologia do inventário SIPA situa o início da construção nos finais do século XV, quando as rendas de Azurara e de Árvore foram dadas ao Cabido da Sé do Porto (a doação foi confirmada pelo papa Alexandre VI em 1492). Em 1502 D. Manuel I concedeu auxílio régio para a obra; em 1517 o registo menciona o contrato com os empreiteiros a quem foi entregue a obra de pedraria do corpo da igreja, a fazer de acordo com «mostras» enviadas; e em 1552 foi concluída a abóbada artesoada pelo mestre de pedraria Gonçalo Lopes, segundo a inscrição, terminando a construção num local onde existira a capela de Nossa Senhora da Apresentação, cuja imagem se encontra no nicho da fachada principal.

A igreja foi depois acrescentada ao longo dos séculos. O inventário data do século XVII a torre sineira que ladeia a fachada ocidental, embora na descrição a classifique como típica de Quinhentos, e de 1720 a capela de Nossa Senhora da Graça, no exterior, adossada à fachada posterior. As Memórias Paroquiais de 1758 dão como orago Nossa Senhora da Conceição, com festa a 8 de dezembro, e descrevem uma igreja de três naves e sete altares.

Arquitetura e elementos manuelinos

O inventário descreve uma igreja de planta retangular com três naves escalonadas, capela-mor, sacristia e torre sineira do lado esquerdo, com fachadas de granito aparente rematadas por cornija e por ameias decorativas, gárgulas zoomórficas e esferas armilares na empena. A fachada principal tem um portal de volta perfeita com arquivoltas de decoração fitomórfica, envolvido por alfiz e flanqueado por pilares torsos, sobre o qual se vê um nicho com baldaquino; acima, um óculo circular com molduras múltiplas. A torre sineira, em quatro registos, tem balcão assente em três mísulas e duas ventanas em cada face.

No interior, as naves dividem-se em cinco tramos, com arcos de arestas biseladas assentes em pilares facetados de capitéis cordiformes com motivos vegetalistas, características que o registo situa no século XVI. O arco triunfal assenta em feixes de colunelos manuelinos. A cobertura da capela-mor, em abóbada polinervada, tem bocetes com motivos régios manuelinos: escudo, esfera armilar e cruz de Cristo.

Para o contexto geral, veja as páginas sobre o estilo manuelino e a arquitetura gótica em Portugal.

Talha, pintura e azulejo

O interior mostra séculos de sucessivas encomendas:

  • Os retábulos colaterais de talha maneirista têm painéis pintados; o inventário refere que Francisco Correia terá pintado, em 1573–1574, os painéis do retábulo de Nossa Senhora do Rosário. Hoje há painéis com cenas da Paixão e da Ressurreição.
  • Em 1677, o entalhador Domingos Lopes é referido numa obra de talha na igreja.
  • O retábulo-mor, de talha dourada do estilo barroco nacional, foi feito em 1722–1723 por Francisco Machado, segundo o registo, num modelo semelhante ao da Capela dos Terceiros do Porto. Veja a página sobre a talha dourada.
  • Em 1737 foram encomendados a António Vital Rifarto os azulejos da capela-mor; o inventário descreve hoje dois painéis de azulejo figurativo joanino, com o pelicano a alimentar as crias e a fénix renascida. Veja o azulejo.

No pavimento da nave há lápides sigladas e sepulcrais, e na capela-mor uma sepultura armoriada com a data de 1661.

Classificação

A igreja é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo, I série, n.º 136, de 23 de junho de 1910). Em Azurara estão também classificados, como Imóveis de Interesse Público, o Pelourinho, o Cruzeiro e a Igreja de São Francisco de Azurara (antiga igreja do convento de Nossa Senhora dos Anjos), segundo o Atlas do Património Classificado. A igreja é propriedade da Igreja Católica (Diocese do Porto) e não integra nenhuma inscrição da UNESCO. Sobre o tipo de monumento, veja a página dos pelourinhos.

Restauro recente

O inventário regista que em 2018 foi assinado um protocolo entre a Direção Regional da Cultura do Norte, a Direção-Geral do Tesouro e Finanças e a Câmara Municipal de Vila do Conde para o restauro da igreja, num investimento de cerca de 200 mil euros, dos quais 140 mil assegurados pelo Estado e 60 mil pelo município. O Município de Vila do Conde promoveu, a 18 de abril de 2026 (Dia Internacional dos Monumentos e Sítios), uma visita orientada à igreja para mostrar os trabalhos de conservação e restauro do património móvel.

Preparar a visita

O inventário dá como acessos Azurara, Rua Padre Serafim das Neves e Rua Nossa Senhora de Fátima; a agenda municipal indica a Rua Nossa Senhora da Conceição como morada do evento de 2026. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário regular de abertura nem regras de visita publicados numa fonte oficial que pudéssemos ler. Trata-se de uma igreja paroquial em uso: confirme o acesso junto da paróquia ou do Município de Vila do Conde (cm-viladoconde.pt).

Fotografia de Joseolgon, de 14 de agosto de 2024. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construída a Igreja de Azurara?
O inventário SIPA refere o início da construção nos finais do século XV, o auxílio régio de D. Manuel I em 1502, o contrato da pedraria do corpo da igreja em 1517 e a conclusão da abóbada artesoada, por Gonçalo Lopes, em 1552.
Qual é o orago da igreja?
Em termos de classificação, a igreja é a Igreja de Azurara, também denominada Igreja de Santa Maria ou Igreja Matriz de Azurara. As Memórias Paroquiais de 1758 dão como orago Nossa Senhora da Conceição.
O que há de manuelino na igreja?
O portal axial, com alfiz e decoração fitomórfica, os colunelos do arco triunfal e os bocetes da abóbada da capela-mor, com escudo, esfera armilar e cruz de Cristo, segundo o inventário SIPA.
Qual é a classificação?
Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de Azurara (70407)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3823)
  3. DGPC — SIPA: Igreja de Azurara / Igreja de Santa Maria (IPA.00005240)
  4. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  5. Município de Vila do Conde — Dia Internacional dos Monumentos e Sítios: visita orientada à Igreja Matriz de Azurara (18-04-2026)
  6. Wikidata — Igreja de Santa Maria de Azurara (Q25440581)

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