Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Igreja de Gatão

Igreja de Gatão, em Amarante: capela-mor românica com arcos cegos lombardos, pinturas murais dos séculos XV e XVI e túmulo de Teixeira de Pascoaes.

Perguntas frequentes Fontes
Igreja de Gatão com a galilé de arcos de granito, a torre sineira de duas sineiras e a fachada caiada, sob céu azul
Joseolgon, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Gatão, Amarante, Porto
Construção
Capela-mor românica (meados do século XIII, segundo a hipótese citada pelo registo); corpo refeito na época moderna; restauro de 1941-1951

A Igreja de Gatão (Igreja de São João Baptista, de Gatão) fica no Largo da Igreja, no lugar de Gatão, no concelho de Amarante. A sua designação oficial é «Igreja de Gatão, incluindo as pinturas murais a fresco que a decoram». É Monumento Nacional e um dos monumentos da Rota do Românico. Interessa por duas razões: uma capela-mor românica de importância superior à sua modéstia e um conjunto de pinturas murais de fim da Idade Média, ainda hoje à vista.

Origens por esclarecer

Segundo o registo do Património Cultural, I.P., as origens da igreja permanecem por esclarecer. Uma tradição, «por enquanto lendária» mas sistematicamente repetida na historiografia, atribui a fundação ao século IX, no tempo da organização do território em torno do Douro por iniciativa da monarquia asturiana. A parte mais antiga que hoje se conserva é a capela-mor, românica, de data não identificada que, segundo a hipótese de Carlos Alberto Ferreira de Almeida citada pelo registo, pode coincidir com meados do século XIII. A Rota do Românico descreve a construção como estendida pelos séculos XIII e XIV, com os elementos românicos mais significativos na cabeceira.

A capela-mor românica

Apesar da relativa modéstia construtiva e da planta quadrangular comum, a capela-mor é, para o registo, uma peça de importância superior no contexto do românico da região de Amarante. No exterior, as estreitas frestas contrastam com a elegância das arcadas cegas de volta perfeita, à maneira lombarda, que antecedem a cornija onde assenta o telhado. Almeida aproxima-as das de Roriz e vê nelas a influência direta das oficinas românicas da região de Guimarães na zona de Amarante. No lado sul há vestígios de um alpendre adossado, certamente posterior.

No interior, o arco triunfal é de volta perfeita com duas arquivoltas, a exterior envolvida por cercadura enxaquetada, um dos motivos mais frequentes do românico português. Assenta em duas colunas atarracadas com capitéis de decoração vegetalista que, segundo o historiador galego Xosé Lois García, citado no registo, têm conteúdo alegórico: o trigo e a videira simbolizam o pão e o vinho, numa representação direta da Eucaristia. Para o enquadramento do estilo, veja a arquitetura românica em Portugal; na própria vila, a Igreja de São Gonçalo é de outra época e de outro estilo.

As pinturas murais

Na transição para a Idade Moderna a igreja foi muito alterada, sobretudo nos elementos devocionais do interior. Grande parte das paredes foi coberta por painéis de pintura mural, de que restam seis grandes conjuntos. O registo diz que aguardam um estudo monográfico que esclareça a sua importância no contexto da pintura mural nortenha dos últimos decénios da Idade Média. Em posição axial sobre o arco triunfal está um Calvário, composição de figuras estáticas e hieráticas; a ladear o arco há quatro painéis com santos em nichos, como se fossem esculturas; na parede do fundo da capela-mor há Santo António e Cristo a caminho do Calvário, o que faz supor que existiriam outros painéis com os últimos momentos da vida de Cristo.

A Rota do Românico data os frescos dos séculos XV e XVI, refere a Coroação da Virgem, o martírio de São Sebastião, Santa Catarina de Alexandria e Santa Luzia, e indica que o padre Manuel Couto chamou a atenção para as pinturas em 1937 e que foram incluídas numa intervenção de conservação em 2015. O registo oficial e a Rota descrevem de forma diferente os temas, pelo que a lista exata dos painéis deve ser confirmada no local.

Do corpo românico ao restauro

O corpo românico foi substituído por outro na época moderna; exceto a galilé que antecede a igreja, a proporção medieval da nave deverá ter-se mantido. No século XVII ergueu-se o campanário, adossado à fachada pelo lado norte, em dois registos. No início da década de 1950 a DGEMN restaurou o monumento, reconstruindo a parede sul da nave e a fachada principal da galilé e substituindo telhados e pavimentos; a Rota do Românico indica um restauro principal em 1941-1951. No cemitério anexo está o túmulo do poeta Teixeira de Pascoaes (1877-1952), amarantino ilustre.

Classificação

É Monumento Nacional, incluindo as pinturas murais a fresco. O Atlas do Património Classificado indica o Decreto n.º 33 587, de 27 de março de 1944 (Diário do Governo, I série, n.º 63); o registo lista também os decretos n.º 30 762, de 26 de setembro de 1940, e n.º 30 838, de 1 de novembro de 1940 (este último suspendeu o anterior quanto aos imóveis de propriedade particular), e a Rota do Românico refere a classificação como de 1940. A zona de proteção foi fixada pela Portaria de 23 de janeiro de 1951 (Diário do Governo, II série, n.º 38, de 16 de fevereiro de 1951). O texto do decreto de 1944 é uma digitalização de imagem que não conseguimos transcrever. A igreja não integra nenhuma inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página da Rota do Românico indicava visitas por marcação (telefones +351 255 810 706 e +351 918 116 488; correio [email protected]) e, para o culto, missa ao domingo às 11h15 e ao sábado às 16h30 nos meses de janeiro, abril e outubro. A mesma página não indicava preço. Estes dados podem mudar: confirme-os na página oficial do monumento antes de se deslocar. Para o resto do concelho, veja Amarante e a página do Norte.

Fotografia de Joseolgon, de 8 de setembro de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

A igreja de Gatão é mesmo do século IX?
Não há prova disso. O registo do Património Cultural, I.P. diz que as origens permanecem por esclarecer e que a atribuição da fundação ao século IX é uma tradição por enquanto lendária. A parte mais antiga que se conserva é a capela-mor, românica, de data não identificada, que pode coincidir com meados do século XIII.
O que há de especial no interior?
As pinturas murais. O registo fala de seis grandes conjuntos, com um Calvário sobre o arco triunfal, quatro santos em nichos a ladear o arco e, na parede do fundo da capela-mor, Santo António e Cristo a caminho do Calvário. A Rota do Românico data os frescos dos séculos XV e XVI e refere uma intervenção de conservação em 2015.
Faz parte da Rota do Românico?
Sim. A Igreja de São João Baptista de Gatão consta da lista de monumentos da Rota do Românico, que indica visitas por marcação.
Qual é a classificação?
Monumento Nacional, incluindo as pinturas murais a fresco. O Atlas do Património Classificado indica o Decreto n.º 33 587, de 27 de março de 1944; o registo refere ainda os decretos n.º 30 762 e n.º 30 838, ambos de 1940.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de Gatão, incluindo as pinturas murais a fresco que a decoram (70372)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3603)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 33 587, de 27 de março de 1944 (I série, n.º 63)
  4. Rota do Românico — Church of Saint John the Baptist of Gatão
  5. Wikidata — Igreja de Gatão (Q39865077)

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