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Monumentos

Igreja de Santa Maria de Airães

Igreja de Santa Maria de Airães, em Felgueiras: românica tardia, ampliada a três naves, com portal de arquivoltas e azulejos seiscentistas; Monumento Nacional.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada principal da Igreja de Santa Maria de Airães, em granito, com o portal de arquivoltas sob um frontão, uma fresta na empena e uma cruz no topo, vista do adro lajeado
Alegna13, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lugar do Mosteiro, Airães, Felgueiras, Porto
Construção
Finais do século XIII ou inícios do XIV; ampliada nos séculos XVII e XVIII

A Igreja de Santa Maria de Airães fica no Lugar do Mosteiro, na freguesia de Airães, concelho de Felgueiras. É um bom exemplo de como as formas românicas se prolongaram no tempo no território do Tâmega e Sousa: a construção medieval é tardia, tem elementos de gramática gótica e foi depois ampliada e revestida de decoração barroca. Faz parte da Rota do Românico.

Do século XI ao século XIV

A Rota do Românico refere registos de uma igreja neste local desde 1091. O registo do Património Cultural, I.P. fala de referências documentais que apontam para a existência do templo nos finais do século XI e acrescenta uma data hipotética, 1184, que estaria inscrita numa pedra do púlpito entretanto desaparecida, mencionada nas primeiras décadas do século XVIII por Francisco Xavier da Serra Craesbeeck. Trata-se, portanto, de uma data transmitida por uma fonte setecentista, e não de uma inscrição que hoje se possa ver.

O edifício que subsiste foi construído, segundo a Rota, no final do século XIII ou no início do século XIV, a avaliar pelo aspeto tardio dos capitéis do portal principal e pelas molduras e capitéis da abside. O registo oficial fala de uma remodelação entre os séculos XIII e XIV, que dotou o templo de elementos e decoração de filiação gótica e alargou o interior de uma para três naves. As obras dos séculos XVII e XVIII ampliaram as naves laterais e renovaram os interiores. Para a comparação com o estilo, veja a arquitetura românica e a arquitetura gótica em Portugal.

O que ver

A planta é longitudinal. Do exterior, o registo identifica uma sacristia e uma torre sineira laterais, esta com acesso pelo exterior. Entra-se pelo portal principal, de quatro arquivoltas perfeitas apoiadas em impostas sobre colunas de fuste liso, mas com capitéis e bases lavrados com motivos vegetalistas e círculos entrelaçados. Segundo a Rota, o interior conserva a abside, coberta por abóbada de berço quebrado, e o corpo central da fachada principal, que pertencem à construção românica de nave única.

Na base das paredes veem-se silhares almofadados de aspeto romano, o que levou a Rota a admitir um edifício anterior no mesmo local, eventualmente uma igreja paleocristã ou suevo-visigótica. É uma hipótese e não um facto comprovado.

O período barroco deixou a sua marca na capela-mor, revestida de painéis de azulejo (de padrão seiscentista, policromos, em azul e amarelo), com altar central e sacrário em talha dourada e retábulos colaterais em talha policroma com decoração fitomórfica e concheados. Sobre estes revestimentos, veja as páginas do azulejo e da talha dourada. A Rota destaca ainda a imagem de Santa Maria, em calcário policromado, e, na sacristia, uma peça decorativa que acolhe um presépio rococó.

Classificação

É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I série, n.º 226, de 29 de setembro de 1977. O registo do Património Cultural refere uma proposta de zona especial de proteção, com parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR de 12 de novembro de 2008, mas não indica a publicação de uma portaria. A igreja não integra nenhuma inscrição da UNESCO.

Restauros

A Rota regista obras de preservação e restauro em 1980 (pela paróquia, com orientação técnica da DGEMN), em 1989 (cobertura, drenagem exterior e instalação elétrica) e em 1992 (coberturas, teto e altares). Em 1998 a igreja entrou na Rota do Românico do Vale do Sousa, seguindo-se obras em 2004, 2005 e 2013-2014 nas coberturas e paredes exteriores.

Preparar a visita

A morada indicada pela Rota é Rua de Santa Maria, Airães. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Rota do Românico indicava visita mediante marcação, missa ao sábado às 16h00 e ao domingo às 10h20, e que o monumento não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida. A festa da padroeira é a 15 de agosto. Confirme condições e marcações na página oficial da Rota (rotadoromanico.com).

Na mesma região, o Mosteiro de Pombeiro, também em Felgueiras, é uma referência maior do românico do Vale do Sousa.

Fotografia de Alegna13, de 22 de setembro de 2011. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Desde quando existe a igreja de Airães?
A Rota do Românico refere registos de uma igreja neste local desde 1091, mas considera que o edifício medieval que subsiste terá sido construído no final do século XIII ou início do XIV. O registo do Património Cultural menciona ainda 1184 como data hipoteticamente inscrita numa pedra do púlpito entretanto desaparecida, citada no século XVIII.
É uma igreja românica ou gótica?
É uma obra românica tardia. O registo oficial refere uma remodelação nos séculos XIII e XIV com elementos de gramática gótica e o alargamento do interior de uma para três naves; a Rota do Românico destaca o aspeto tardio dos capitéis do portal e conserva a abside e o corpo central da fachada da construção românica.
A igreja pode ser visitada?
Segundo a Rota do Românico, na consulta de 5 de novembro de 2026, a visita faz-se mediante marcação e o monumento não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida. A missa indicada era ao sábado às 16h00 e ao domingo às 10h20.
Qual é a classificação?
Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I série, n.º 226, de 29 de setembro de 1977.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de Santa Maria de Airães (71193)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3624)
  3. Diário da República — Decreto n.º 129/77, de 29 de setembro de 1977 (I série, n.º 226)
  4. Rota do Românico — Igreja de Santa Maria de Airães
  5. Wikidata — Igreja de Santa Maria de Airães (Q5994174)

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