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Igreja de Santa Maria de Almacave

Igreja de Santa Maria de Almacave, em Lamego: templo românico documentado em 1145, refeito no século XIII, com talha dourada posterior e classificação de 1910.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada lateral e portal da Igreja de Santa Maria de Almacave, em Lamego, em cantaria, com a torre sineira quadrangular à direita
Vitor Oliveira (Portuguese_eyes), CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Almacave, Lamego, Viseu
Construção
Documentada em 1145 (séc. XII); refeita no séc. XIII

A Igreja de Santa Maria de Almacave, em Lamego, é a antiga igreja paroquial do bairro de Almacave. É uma das igrejas românicas mais importantes da região: o registo do Património Cultural, I.P. considera-a um notável testemunho da excecionalidade do românico da zona de Lamego, cujas pequenas variantes de planta e volumes formam, nas suas palavras, «um dialeto regional de inegável relevância». Enquadra-se no conjunto geral da arquitetura românica em Portugal.

Origens

O registo situa a igreja sobre uma antiga villa romana, à semelhança de um importante núcleo de igrejas românicas das zonas de Chaves e de Lamego. A construção medieval integra materiais dessa ocupação, nomeadamente dois cipos funerários, e outros vestígios apareceram ao explorar as fundações da capela do Espírito Santo, com destaque para um conjunto de moedas do Baixo Império.

A igreja românica foi construída ainda na primeira metade do século XII e está documentada em 1145, ano em que era reitor um tal João Martins. Sabe-se pouco mais dessa primeira fase: algum tempo depois, o edifício foi integralmente refeito, e o registo, citando Carlos Alberto Ferreira de Almeida (2001), aponta uma cronologia bem dentro do século XIII para a obra que hoje se vê.

A arquitetura

É um edifício de planta longitudinal, de nave única e capela-mor. Do lado direito está adossada uma torre sineira de secção quadrangular, construída muito depois de concluída a obra românica; a capela do Santíssimo Sacramento, anexa à parede nascente da nave, pelo lado sul, é igualmente posterior. O portal principal tem arco apontado e três arquivoltas.

O interior é amplo e sugere, pela discreta aplicação de colunas com capitéis de gosto classicizante, característico da Época Moderna, a existência de três naves. A capela-mor, pelo contrário, está perfeitamente adaptada ao vocabulário românico: dois tramos, o primeiro reto e o último semicircular. Na elevação, a passagem entre os tramos é reforçada por contrafortes e o tramo final inclui colunas adossadas que permitiram abrir, em cada pano, janelas estreitas de arco apontado, numa simetria cuidada.

Séculos XVI a XVIII e o restauro dos anos 1940

A igreja foi muito modificada entre os séculos XVI e XVIII. Foi então que se abriu a capela do Santíssimo Sacramento, se fizeram as «máquinas» de talha dourada e se deu corpo ao coro-alto, entre outras obras. Muitas dessas intervenções foram suprimidas no restauro dos anos 40 do século XX, segundo o registo, que não detalha quais. Quem entra deve, por isso, contar com um interior que mistura a estrutura românica regularizada com elementos de épocas posteriores, e não com uma igreja medieval intacta.

Classificação

É Monumento Nacional desde o Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910), onde figura, no distrito de Viseu, como «Lamego — Igreja de Santa Maria de Almacave». Uma portaria de 16 de abril de 1953 (Diário do Governo, II série, n.º 146, de 24 de junho de 1953) fixou a zona especial de proteção, com zona non aedificandi. O registo indica que a igreja está abrangida pela zona especial de proteção do Alto Douro Vinhateiro, mas não que faça parte do bem inscrito pela UNESCO. Para a catedral da cidade, veja a Sé de Lamego.

Preparar a visita

A igreja fica na Rua das Cortes, em Lamego, na freguesia de Lamego (Almacave e Sé). Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário de visita nem preço publicados numa fonte oficial que pudéssemos ler, pelo que não os indicamos. Confirme junto da Paróquia ou da Câmara Municipal de Lamego, sobretudo em dias de culto. Algumas fontes turísticas associam a igreja a uma tradição sobre as primeiras Cortes, mas não a confirmámos em fonte primária e, por isso, não a tratamos como facto.

Fotografia de Vitor Oliveira (Torres Vedras), de 5 de novembro de 2007. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construída a Igreja de Almacave?
O registo do Património Cultural, I.P. indica uma igreja românica construída na primeira metade do século XII, documentada em 1145, quando era reitor João Martins, e refeita por inteiro, segundo Carlos Alberto Ferreira de Almeida, no século XIII.
O que resta da época românica?
O portal principal, em arco apontado com três arquivoltas, e a capela-mor de dois tramos, o primeiro reto e o segundo semicircular, com contrafortes e janelas de arco apontado entre colunas adossadas.
É Monumento Nacional?
Sim, desde o Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). A zona especial de proteção e a zona non aedificandi constam de portaria de 16 de abril de 1953.
Como visitar?
Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário de visita publicado numa fonte oficial que pudéssemos ler. É igreja paroquial, pelo que convém confirmar com a paróquia ou com a Câmara Municipal de Lamego.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de Santa Maria de Almacave (70429)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 4277)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  4. Wikidata — Igreja de Santa Maria de Almacave (Q39713714)

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