Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

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Castelo de Lamego

Castelo de Lamego e cisterna medieval abobadada: torre de menagem, cerca urbana e Centro de Memória aberto em 2013. Monumento Nacional (1910; cisterna em 1951).

Perguntas frequentes Fontes
Torre de menagem quadrangular do Castelo de Lamego, em silharia de granito com ameias e uma janela gradeada, ao lado do pano curvo da muralha
Nmmacedo, CC BY-SA 3.0 — Wikimedia Commons
Localização
Lamego, Viseu
Construção
Séculos XII–XIII (torre de menagem e cisterna)

O Castelo de Lamego ocupa o ponto mais alto da cidade, a cerca de 543 metros de altitude, segundo a Câmara Municipal. Em volta estende-se o Bairro do Castelo, o antigo burgo amuralhado. O conjunto classificado tem duas peças principais: o castelo propriamente dito, dominado por uma torre de menagem quadrangular, e uma cisterna medieval abobadada, considerada uma das melhores do género em Portugal. É um bom ponto de partida para conhecer Lamego, antes de descer à Sé e ao centro.

Origens: de posto avançado leonês a castelo português

O registo nacional do Património Cultural, I.P. descreve Lamego como um centro estratégico importante desde, pelo menos, a Alta Idade Média. O território guarda marcas do povoamento asturiano-leonês do final do século IX e início do século X. A primeira notícia documental é mais tardia: em meados do século XI, Fernando Magno conquistou a cidade na sua campanha das Beiras. As obras militares feitas então não deixaram vestígios importantes.

A Câmara Municipal lembra que muitos autores atribuem o primeiro castelo aos muçulmanos, antes da fundação do reino. O registo nacional situa a construção do castelo atual no século XII, já sob domínio português. A tradição atribui a meados desse século a torre de menagem e o desenho geral da alcáçova. O registo admite, porém, que a torre seja já gótica, porque está colocada num dos topos da cerca e participa ativamente na defesa dos muros. A Câmara data a torre do século XII e a cisterna do século XIII.

A torre e a praça de armas

A torre de menagem tem planta quadrangular, três pisos e porta elevada ao nível do segundo andar. Segundo a Câmara Municipal, mede cerca de vinte metros de altura. Algumas frestas foram alargadas no século XVI e transformadas em janelas, por ordem de D. Francisco Coutinho, último conde de Marialva, talvez para tornar a torre habitável.

A praça de armas tem a forma de um hexágono irregular. A muralha, com cerca de noventa metros de perímetro, tem adarve, a que se sobe por uma escada do lado norte. A entrada principal fica a nascente. Entre 1939 e 1940, durante as comemorações dos centenários da Fundação e da Restauração, o castelo foi restaurado. Retiraram-se então as sineiras e os sinos do alto da torre, que recebeu as ameias atuais.

A cerca da cidade

O sistema defensivo foi alargado com uma segunda linha de muralhas, que protegia o povoado primitivo. Segundo o registo nacional, foi construída ao longo do século XIII e talvez já no século XIV. A Porta da Vila, também chamada Porta dos Figos ou dos Fogos, e ainda Porta do Aguião, tem o arco apontado entre duas grandes torres quadrangulares, uma solução típica do tempo de D. Dinis. Ligava à antiga Rua Direita, o principal eixo dentro das muralhas, que levava à Porta do Sol, virada a sul e também gótica.

Junto à Porta dos Figos, a Câmara Municipal instalou um Núcleo Arqueológico. Mostra vestígios de ocupação romana e sueva-visigótica, um cemitério dos séculos IX a XI e a muralha dos séculos XII–XIII que lhe sucedeu.

A cisterna

A cisterna é a peça mais singular do conjunto. Fica dentro da cerca urbana, junto a um troço de muralha, mas fora da praça de armas do castelo. O Decreto de 1951 situa-a a cerca de 120 metros do castelo. É feita em silharia de boa dimensão, com muitas siglas de canteiro. A abóbada é sustentada por quatro arcos apontados, e entra-se por uma porta lateral com escada ligada à muralha. A Câmara Municipal indica cerca de vinte metros de comprimento e dez de largura. Cita ainda a antiga Direção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, que a considerava “um dos melhores exemplares das cisternas dos castelos portugueses”.

Em novembro de 2013, depois de obras de requalificação, a cisterna reabriu como Centro de Memória. Imagens, textos e uma sonoplastia projetada nas pedras evocam oito séculos de sons do quotidiano da cidade: o sino, o galo, o pedreiro, o pregão, a procissão.

Declínio e classificação

Perdida a função militar, o castelo foi sendo desmantelado. O registo nacional refere que a Câmara permitiu construir casas junto às muralhas em 1824 e demolir um torreão para aproveitar a pedra em 1834. A Casa da Torre, a norte, foi sede da Câmara até 1834 e é hoje usada pelo Corpo Nacional de Escutas, segundo o município.

O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. O Decreto n.º 38 491, de 6 de novembro de 1951, classificou como monumento nacional, em conjunto com o castelo, a cisterna. No registo nacional, o conjunto tem hoje a designação “Castelo de Lamego e cisterna”. O registo nacional indica que o conjunto está abrangido pela zona de proteção associada ao Alto Douro Vinhateiro. Isso não faz do castelo um componente do bem inscrito na Lista do Património Mundial.

Preparar a visita

Sobe-se ao castelo a pé, pelas ruas do Bairro do Castelo. A cisterna fica na Rua da Cisterna e o castelo na Rua do Castelo. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página municipal do castelo e da cisterna não publicava horários nem preços. Confirme as condições de visita junto da Câmara Municipal de Lamego antes de ir.

A visita completa-se com a Sé, o Museu de Lamego e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. Para outras fortalezas do Norte, consulte os castelos de Portugal e a região Norte.

Fotografia de Nmmacedo, de 12 de setembro de 2010. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 3.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O que é a cisterna do Castelo de Lamego?
É um reservatório medieval abobadado, com cerca de 20 metros de comprimento e 10 de largura, sustentado por arcos apontados. Fica dentro da cerca urbana, a cerca de 120 metros do castelo. Reabriu em novembro de 2013 como Centro de Memória, com projeções e sons.
De quando é o castelo?
A Câmara Municipal data a torre de menagem do século XII e a cisterna do século XIII. O registo nacional situa o início do castelo atual no século XII, já sob domínio português, mas admite que a torre seja de época gótica, pela sua posição num dos topos da cerca.
Como está classificado?
O castelo é Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910. O Decreto n.º 38 491, de 6 de novembro de 1951, juntou-lhe a cisterna, situada junto de um troço de muralha a cerca de 120 metros do castelo.
O castelo faz parte do Alto Douro Vinhateiro?
Não como componente do bem inscrito. O registo nacional indica que o castelo está abrangido pela zona de proteção associada ao Alto Douro Vinhateiro, o que é diferente de fazer parte da propriedade classificada pela UNESCO.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Castelo de Lamego e cisterna (70699)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Castelo de Lamego e cisterna (NINV 4272)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  4. Diário do Governo — Decreto n.º 38 491, de 6 de novembro de 1951 (I Série, n.º 230)
  5. Câmara Municipal de Lamego — Castelo e Cisterna
  6. Câmara Municipal de Lamego — Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos
  7. Wikidata — Castelo de Lamego (Q5049783)

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