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Museu de Lamego
Museu de Lamego: antigo Paço Episcopal, painéis de Grão Vasco da Sé, tapeçarias flamengas, capelas de talha e o encerramento para obras desde maio de 2025.
- Localização
- Lamego, Viseu
- Construção
- Reforma do Paço Episcopal sob o bispo D. Manuel de Vasconcelos Pereira (1772–1786); museu criado em 1917
O Museu de Lamego ocupa o antigo Paço Episcopal, no centro histórico de Lamego, junto à Sé. É um dos museus centenários nascidos da Lei de Separação do Estado das Igrejas. Guarda 18 tesouros nacionais: os painéis que Grão Vasco pintou para a catedral, tapeçarias flamengas do século XVI, painéis de azulejo seiscentistas e uma arca tumular medieval. Desde 24 de maio de 2025 está encerrado ao público para obras; leia a secção sobre a visita antes de planear a deslocação.
Um paço barroco do vinho do Porto
O edifício atual resulta de uma ampla reforma feita por D. Manuel de Vasconcelos Pereira, bispo de Lamego entre 1772 e 1786. A cronologia do museu situa a reconstrução em 1776. O museu liga esta campanha às novidades do barroco que chegavam à região, num tempo de prosperidade trazida pelo comércio do vinho do Porto.
A fachada é longa e dividida em três panos por pilastras lisas de granito. Nos corpos dos topos abrem-se três janelas de sacada de cada lado, com frontões e aventais de linhas contracurvadas, unidas por um varandim corrido. No corpo central, o portal tem estípites, frontão curvo interrompido e as armas episcopais. A norte conserva-se a porta da antiga capela pública. No outro extremo está o portão de ferro da capela do Sacramento da Sé, ali colocado em 1969.
O edifício organiza-se em torno de um pátio central. O próprio museu avisa que conserva pouco da reedificação setecentista no interior. Foi muito modificado no início do século XX e, depois do confisco de 1911, sofreu restauros regulares que alteraram os espaços interiores.
De museu de arte sacra a museu do Estado
A ideia de um museu partiu do bispo D. Francisco José Ribeiro de Vieira e Brito, que governou a diocese entre 1901 e 1922. Queria instalar um museu de arte sacra no paço e começou a recolher obras dispersas pela diocese. A implantação da República, em 1910, interrompeu os trabalhos. Em 1911, o paço e o recheio passaram para o Estado, e a Câmara Municipal de Lamego decidiu criar um museu artístico com o espólio reunido pelo prelado.
O museu foi criado pelo Decreto n.º 3047, de 5 de abril de 1917. Em 1918, as peças foram entregues ao primeiro diretor, João Amaral, e o museu foi inaugurado. Hoje integra a rede da Museus e Monumentos de Portugal.
Os tesouros nacionais
Em 2006, o Decreto n.º 19/2006, de 18 de julho, classificou 18 peças do museu como tesouros nacionais, a forma mais elevada de proteção dos bens móveis. O museu destaca quatro conjuntos.
Os painéis de Grão Vasco. São cinco painéis do políptico do altar-mor da Sé de Lamego, pintado por Vasco Fernandes na primeira década do século XVI. É o mesmo pintor que dá nome ao Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu. As duas coleções completam-se para quem estuda a pintura renascentista portuguesa.
As tapeçarias flamengas. Foram tecidas em Bruxelas na primeira metade do século XVI. O museu identifica a «Série de Édipo», «O Julgamento do Paraíso» e «O Templo de Latona».
Os azulejos e a arca tumular. Os painéis de azulejo são do século XVII. A arca tumular do século XIV terá recebido os restos mortais de D. Teresa Anes de Toledo, terceira mulher do conde Pedro Afonso.
Pintura, escultura e capelas de talha
A coleção de pintura tem cerca de 250 obras, do século XVI ao fim do século XVIII. Além de Grão Vasco, inclui dezasseis pinturas de André Reinoso e oficina. O museu considera-o um dos maiores conjuntos de pintura seiscentista de um só autor em museus portugueses. Há ainda pintura europeia, sobretudo flamenga e neerlandesa, reunida pelos bispos no «sallam grande das pinturas» do paço. O teto em perspetiva da capela privada, de finais do século XVIII, é o único exemplar de pintura mural do museu.
A escultura vai da época romana, com estelas funerárias, ao início do século XX. Do período medieval vem um núcleo de escultura em madeira de São Pedro de Balsemão, que o museu considera um testemunho raro.
O museu guarda ainda um conjunto de capelas revestidas de talha dourada, vindas do extinto Mosteiro das Chagas de Lamego, com as pinturas dos seus programas decorativos. Completam o acervo mobiliário, ourivesaria, paramentaria, meios de transporte, cerâmica, gravura, desenho e fotografia.
Classificação e Património Mundial
O antigo Paço Episcopal não tem classificação própria no Atlas do Património Cultural, I.P. O Atlas situa-o dentro da zona especial de proteção da Sé de Lamego, monumento nacional, definida por Portaria de 6 de abril de 1960.
O edifício fica também na zona tampão do Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial; o Atlas refere para esta zona a Portaria n.º 122/2024. Uma zona tampão protege a envolvente do bem inscrito, mas não faz parte dele: o museu não é Património Mundial.
Preparar a visita
O museu está encerrado ao público desde 24 de maio de 2025, para obras de requalificação financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Na consulta de 5 de novembro de 2026, o sítio do museu e a página da Museus e Monumentos de Portugal mantinham o aviso de encerramento e não indicavam data de reabertura. Por isso, não se indicam aqui horários nem preços.
Durante as obras, o pátio do museu acolheu o programa «Pátio das Culturas», de 11 de julho a 16 de agosto de 2026. Antes de ir, confirme a situação no sítio oficial do museu ou pelo telefone +351 254 600 230.
Mesmo com o museu fechado, a Sé de Lamego fica a poucos passos. A cidade oferece ainda o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.
Fotografia de Daniel Villafruela, de setembro de 2014. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- O Museu de Lamego está aberto?
- Não. O museu indica que está encerrado ao público desde 24 de maio de 2025 para obras de requalificação no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Na consulta de 5 de novembro de 2026, as páginas oficiais não indicavam data de reabertura.
- Quando foi criado o Museu de Lamego?
- Foi criado por decreto de 5 de abril de 1917 e inaugurado em 1918, no antigo Paço Episcopal confiscado pelo Estado em 1911, depois da Lei de Separação do Estado das Igrejas.
- Que obras de Grão Vasco tem o museu?
- Cinco painéis do políptico do altar-mor da Sé de Lamego, pintado por Vasco Fernandes na primeira década do século XVI. São tesouros nacionais desde 2006.
- O edifício é classificado?
- O Paço Episcopal não tem classificação própria no Atlas do Património Cultural. Fica dentro da zona especial de proteção da Sé de Lamego e da zona tampão do Alto Douro Vinhateiro, o que não o torna parte do bem inscrito pela UNESCO.
Fontes
- Museu de Lamego — O Museu (história e arquitetura)
- Museu de Lamego — Página inicial (cronologia)
- Museu de Lamego — Coleção
- Museu de Lamego — Visitar (aviso de encerramento)
- Museu de Lamego — Pátio das Culturas, julho e agosto no pátio do museu (09-07-2026)
- Museus e Monumentos de Portugal — Museu de Lamego
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (camadas de imóveis e ZEP)
- Património Cultural, I.P. — Sé de Lamego (71134)
- Wikidata — Museu de Lamego (Q10333845)
- UNESCO — Alto Douro Wine Region (1046)
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