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Monumentos
Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios
Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios, em Eja (Penafiel): templo do românico tardio com portais de arco quebrado, retábulo-mor barroco e Monumento Nacional.
- Localização
- Entre-os-Rios, Eja, Penafiel, Porto
- Construção
- Românico tardio (século XIII ou XIV, segundo as fontes); capela-mor alargada e retábulo-mor do século XVIII; restauro iniciado em 1936
A Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios, também chamada Igreja de São Miguel da Eja, fica no Largo de São Miguel, no lugar de Entre-os-Rios, na freguesia de Eja, no concelho de Penafiel, num pequeno planalto que domina o curso do Douro. É Monumento Nacional e um dos monumentos da Rota do Românico. Não tem a escultura de outras igrejas da rota; o seu interesse está na posição, na documentação antiga e no modo como mostra a sobrevivência das formas românicas já em época gótica.
Um lugar de fronteira
O registo do Património Cultural, I.P. e a monografia da Rota começam por sublinhar a posição do sítio. O planalto foi ocupado desde a proto-história: restam troços de muralha de um castro e apareceu cerâmica romana tardia. Na Alta Idade Média, Eja foi sede do território de Anégia, documentado desde o século IX, no quadro da reorganização político-militar do vale do Douro de que a monografia fala. A escolha do orago, São Miguel, chefe do exército celeste, não será alheia, segundo a mesma fonte, ao ambiente da Reconquista.
A referência documental mais antiga à igreja vem do Livro de Testamentos do Mosteiro de Paço de Sousa: um documento de 1095 menciona a doação de parte da igreja àquele mosteiro e outro, de 1120, nova doação de direitos sobre ela. O edifício atual é bastante posterior a estas datas.
Românico tardio
Quanto à época do edifício, as fontes dão uma margem larga. O registo escreve que data «presumivelmente do século XIII»; a cronologia da Rota diz século XIII ou XIV; e Carlos Alberto Ferreira de Almeida, citado na monografia, considera que a igreja não será anterior ao século XIV. O que todas referem é um templo de nave única e capela-mor quadrangular, mais baixa e estreita do que o corpo, de alçados pouco rasgados e sem pormenores decorativos importantes.
A fachada principal é de pouca volumetria, com portal de arco quebrado, sem colunas nem tímpano e assente em impostas bem marcadas, sobreposto por uma pequena fresta. O remate em empena tem cruz no vértice e dois pináculos do século XVIII; a monografia nota vestígios da corda ou corrente de um sino sobre o portal, o que indicará que a empena suportou um campanário medieval. O portal norte é mais decorado do que o principal: tem uma arquivolta com pontas de diamante e folhas de oito pétalas facetadas e chanfradas, motivos que se repetem no arco triunfal interior, também quebrado, com folhas de videira. A monografia vê aqui elementos do românico tardio e do gótico regional e liga a igreja ao grupo de templos tardo-românicos do Baixo Tâmega, onde inclui Boelhe, Cabeça Santa e Abragão, em Penafiel. Sobre o estilo, veja a arquitetura românica em Portugal e, no concelho, a Igreja de São Gens de Boelhe.
Ferreira de Almeida reparou num pormenor: os silhares de granito quase não têm sinais de canteiro, ao contrário do habitual em obras da mesma época; só se encontrou uma abreviatura de pedreiro na fachada. Na parede norte da capela-mor há um arcossólio, nicho para túmulo, em parte cortado por uma porta aberta numa campanha moderna.
A capela-mor do século XVIII
A obra moderna mais importante foi a da capela-mor. No século XVIII foi alargada em profundidade e, segundo a monografia, também alteada; abriram-se novos vãos e o espaço ficou muito recatado em relação à nave. Ali fez-se um retábulo-mor de talha dourada de estilo nacional, de arcos concêntricos, folhagens de acanto com cachos de uvas, crianças, aves e cabeças de anjos. Em seis secções do teto e em cinco do arco da tribuna há emblemas marianos esculpidos: o espelho, o jardim fechado, a escada, a torre, as rosas, o poço, o cipreste, o sol, a fonte, a lua e a estrela, e a oliveira. A monografia sugere que este programa terá sido da Irmandade de Nossa Senhora, sediada na igreja. Sobre o contexto da talha, veja a talha dourada.
No retábulo estão uma imagem de São Miguel a pesar as almas, de couraça e com o diabo sob os pés, e uma de São João Baptista. Segundo o registo, o coro-alto e os retábulos laterais são posteriores, do século seguinte; a cronologia da Rota data os retábulos laterais e o púlpito do século XIX e o revestimento de azulejo do século XX. Em 1758 a paróquia era pequena, com cerca de trinta fogos e uma centena de habitantes, e a igreja, isolada no cimo de uma colina sobre o Douro, tinha missa todos os sábados.
Classificação e restauros
É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 14 425, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 228, de 15 de outubro de 1927. O registo refere uma proposta de zona especial de proteção, com parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR de 12 de dezembro de 2007, e esclarece que só entra em vigor após publicação no Diário da República; não confirmámos que tenha sido publicada. O texto do decreto de 1927 é uma digitalização de imagem que não conseguimos transcrever. A igreja não integra nenhuma inscrição da UNESCO.
O restauro começou em 1936, sob a direção do arquiteto Rogério de Azevedo, mas o plano inicial, mais ambicioso, não foi levado a cabo; o registo diz que só nos anos 80 se fez restauro efetivo, o que preservou o património integrado da época moderna. Seguiram-se obras em 1964, 1980-1982 e, no âmbito da Rota do Românico do Vale do Sousa, em 2003-2007 e em 2014. Na consulta de 5 de novembro de 2026, a Rota indicava para 2026 a conservação dos dois retábulos laterais da nave e dos conjuntos escultóricos associados.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página da Rota do Românico indicava visita por marcação (telefones +351 255 810 706 e +351 918 116 488; correio [email protected]), missa ao sábado às 16h, festa do padroeiro a 29 de setembro, e o monumento como não acessível a pessoas com mobilidade reduzida. A página não indicava preço. Estes dados podem mudar: confirme-os na página oficial do monumento antes de se deslocar. Para a região, veja a página do Norte.
Perguntas frequentes
- De que época é a igreja de São Miguel de Entre-os-Rios?
- As fontes não coincidem. O registo do Património Cultural indica, presumivelmente, o século XIII; a cronologia da Rota do Românico diz século XIII ou XIV; e Carlos Alberto Ferreira de Almeida, citado na monografia da Rota, considera que o edifício não é anterior ao século XIV. A referência mais antiga à igreja é de 1095.
- Qual é a ligação a Paço de Sousa?
- O Livro de Testamentos do Mosteiro de Paço de Sousa regista, em 1095, uma doação de parte da igreja àquele mosteiro e, em 1120, outra doação de direitos sobre ela. É a documentação mais antiga que se conhece sobre a igreja, segundo a Rota do Românico.
- Faz parte da Rota do Românico?
- Sim. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o sítio da Rota do Românico incluía a igreja entre os seus monumentos, com visita por marcação e acessibilidade indicada como não acessível a pessoas com mobilidade reduzida.
- Qual é a classificação?
- Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 14 425, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 228, de 15 de outubro de 1927.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios (70545)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 3688)
- Diário do Governo — Decreto n.º 14 425, de 15 de outubro de 1927 (I série, n.º 228)
- Rota do Românico — Church of Saint Michael of Entre-os-Rios
- Rota do Românico — Church of Saint Michael of Entre-os-Rios (monografia)
- Wikidata — Igreja de São Miguel de Entre-os-Rios (Q5994289)
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