Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Igreja do Carmo e Capela dos Ossos (Faro)

Igreja do Carmo de Faro: templo barroco da Ordem Terceira iniciado em 1713, fachada joanina, talha de Manuel Martins e a Capela dos Ossos de 1816.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada barroca branca da Igreja do Carmo, em Faro, com duas torres sineiras, balaustrada, portal ladeado por colunas e escadaria sobre o largo em calçada
Matt Kieffer, CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Faro, Faro
Construção
1713–1878 (fachada a partir de 1747; Capela dos Ossos, 1816)

A Igreja do Carmo domina o Largo do Carmo, no limite norte da cidade antiga de Faro, junto à Igreja de São Pedro e fora do núcleo amuralhado onde fica a Sé. A fachada branca de duas torres ergue-se sobre uma escadaria. No interior trabalharam aqueles que o registo nacional chama os melhores escultores da região no século XVIII. Contígua à igreja fica a Capela dos Ossos, de 1816. O templo pertence à Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Faro, cujos irmãos — nobreza e clero algarvios, segundo o Centro Nacional de Cultura — financiaram as sucessivas obras.

Uma igreja feita ao longo de século e meio

O bispo do Algarve D. António Pereira da Silva comprou o terreno, na antiga Horta de São Pedro, e lançou a primeira pedra em 1713. O risco da igreja primitiva foi do carmelita Frei Manuel da Conceição, vindo de Lisboa. Segundo a ficha do Centro Nacional de Cultura, o sucessor do bispo, o cardeal D. José Pereira de Lacerda, benzeu solenemente a igreja em 1719.

A partir de 1747, a fachada e o corpo central iniciais foram demolidos para dar lugar a uma construção maior, com risco e execução do mestre pedreiro farense Diogo Tavares. A obra arrastou-se: o último piso ficou feito em 1755, os janelões superiores em 1775, a torre nascente no início do século XIX e a torre poente apenas em 1878. Esta tem um carrilhão de nove sinos fundido em 1876 por Gregório José da Silva com o bronze dos quatro sinos originais.

Fachada joanina

O registo do Património Cultural, I.P. descreve a frontaria como um bom exemplar da arquitetura barroca, simétrica, ao estilo de D. João V — o barroco joanino. O tramo central, mais largo, tem um portal ladeado por duas colunas coríntias com fustes torcidos, rematadas por fogaréus. De cada lado, nichos sob baldaquino guardam as imagens de Santo Elias e Santa Teresa, figuras centrais da tradição carmelita. Acima, o escudo do Carmelo coroa uma janela ornamentada. Uma balaustrada liga as duas torres.

Talha e imaginária

A igreja tem nave única, capela-mor e quatro capelas laterais, decoradas com azulejo e talha dourada. Trabalharam aqui os mestres Gaspar Martins, Manuel Martins e Miguel Nobre. Segundo a ficha do Centro Nacional de Cultura:

  • o retábulo da capela-mor, com talha de Manuel Martins entre 1735 e 1739, é apresentado como a primeira e mais significativa manifestação do período joanino no Algarve;
  • o retábulo de Santa Teresa foi contratado a Manuel Martins em 1741, e o de São Vicente Ferrer (hoje de São José), feito à sua imitação em 1751 pelos continuadores da oficina, tem um arco descrito como a primeira manifestação da talha rococó no Algarve;
  • a abóbada da capela-mor recebeu pintura em perspetiva em 1794;
  • a sacristia guarda imagens da antiga Procissão do Triunfo, da Paixão de Cristo, atribuídas a Manuel Martins.

O registo nacional destaca ainda a decoração da sacristia e da casa do despacho e o acervo de imaginária da Procissão do Triunfo.

A Capela dos Ossos

Contígua à igreja, a Capela dos Ossos data de 1816. A ficha do Centro Nacional de Cultura indica que foi construída gratuitamente por pedreiros que eram irmãos da Ordem, aproveitando as ossadas de um antigo cemitério privativo anexo à igreja, e dá o número de 1245 crânios.

Como a Capela dos Ossos de Évora, mais antiga, é um lugar de meditação sobre a morte, e não um simples ossário. As duas não devem ser confundidas: a de Évora pertence ao convento franciscano, a de Faro à Ordem Terceira do Carmo.

Classificação

O registo nacional classifica a Igreja do Carmo — com a designação alternativa de Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo — como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 95/78, de 12 de setembro de 1978. Não é Monumento Nacional nem integra nenhuma inscrição da UNESCO.

Preparar a visita

A igreja fica no Largo do Carmo, 8000-148 Faro. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário nem preço publicados pela Ordem Terceira: o sítio indicado na ficha do Centro Nacional de Cultura não estava acessível, e essa ficha, atualizada em 2013, apenas indicava a eucaristia dominical às 8h30. Para confirmar horário e preço antes de ir, use o telefone 289 824 490 ou o endereço [email protected] indicados nessa ficha. Evite visitar durante as celebrações.

Fotografia de Matt Kieffer, de 10 de fevereiro de 2019. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quando foi construída a Igreja do Carmo de Faro?
A primeira pedra foi lançada em 1713 pelo bispo D. António Pereira da Silva e a igreja foi benzida em 1719. A partir de 1747, o mestre pedreiro Diogo Tavares refez a fachada e o corpo central; a torre poente só foi concluída em 1878.
De onde vêm os ossos da Capela dos Ossos?
Segundo a ficha do Centro Nacional de Cultura, a capela foi construída em 1816 por pedreiros irmãos da Ordem Terceira com as ossadas de um antigo cemitério privativo anexo à igreja, num total indicado de 1245 crânios.
Qual é a diferença em relação à Capela dos Ossos de Évora?
São monumentos distintos. A de Évora pertence à Igreja de São Francisco e é do século XVII; a de Faro é de 1816 e pertence à igreja da Ordem Terceira do Carmo. Ambas usam ossadas humanas como meditação sobre a morte.
A igreja é Monumento Nacional?
Não. O registo nacional classifica-a como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 95/78, de 12 de setembro de 1978. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja do Carmo (73245)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2830)
  3. Diário da República — Decreto n.º 95/78, de 12 de setembro
  4. Centro Nacional de Cultura (e-cultura) — Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo
  5. Wikidata — Igreja do Carmo (Q3585514)

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