Patrimónios Estudos sobre o património cultural português

Monumentos

Mosteiro de Almoster

Mosteiro de Santa Maria de Almoster, em Santarém: casa de monjas de Cister fundada no fim do século XIII, igreja gótica, claustro em ruínas e classificação.

Perguntas frequentes Fontes
Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Almoster vista em diagonal, com a fachada caiada, o óculo radiado e os arcos do claustro em primeiro plano
Threeohsix, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Almoster, Santarém, Santarém
Construção
Fundação nos finais do séc. XIII; igreja gótica (c. 1300–1310); fonte do claustro de 1625

O Mosteiro de Santa Maria de Almoster fica na freguesia de Almoster, no concelho de Santarém, numa pequena praça de onde se vê, quase de uma vez, a longa nave caiada da igreja, um troço de arcaria do antigo claustro e uma torre sineira simples. Foi uma casa feminina da Ordem de Cister, fundada nos finais do século XIII, e está hoje parcialmente em ruínas. O nome oficial do monumento classificado, «Igreja de Almoster e as ruínas do respectivo claustro», diz bem o que resta: a igreja, inteira, e alguns elementos dispersos do resto.

Uma fundação entre D. Sancha Pires e Berengueira Ayres

O painel informativo instalado no local pelo município de Santarém conta que o mosteiro foi fundado nos finais do século XIII por Berengueira Ayres, dama da corte da rainha D. Isabel, em cumprimento do desejo testamental da mãe, D. Sancha Pires, para acolher uma comunidade de monjas da Ordem de Cister. Um estudo de Luís Miguel Rêpas, publicado pela Universidade do Porto, recorre a documentos de 1287, entre eles o testamento de D. Sancha Pires, de 2 de julho desse ano, e a aprovação pelo Capítulo Geral de Cister da filiação de Almoster a Claraval, para sublinhar o papel da mãe no processo fundador. Segundo o mesmo estudo, a crónica de frei Francisco Brandão tinha desvalorizado esse papel.

O painel acrescenta que o edifício recebeu, por volta de 1300, as primeiras nove religiosas, cujo noviciado fora feito no mosteiro cisterciense de Celas, em Coimbra, entre elas a primeira abadessa, D. Maria Gonçalves. Indica 1310 como data da conclusão das obras e atribui à rainha Isabel de Aragão, com o apoio de D. Dinis, o custeio do claustro, da enfermaria e de outras casas. Aqui professou também D. Violante Gomes, mãe de D. António, prior do Crato, e a sua lápide é uma das que se veem no claustro.

A igreja

Segundo o painel, a igreja segue a tipologia do gótico mendicante (ver arquitetura gótica), tipologia que pode comparar, na mesma cidade, com o Convento de São Francisco de Santarém. No interior, tem três naves de cinco tramos de arcos ogivais, separadas por pilares com pilastras adossadas e capitéis de feição vegetalista. A capela-mor, de volumes escalonados e coberta por abóbada de cruzaria de ogivas, guarda a lápide de Gil Eanes da Costa e da mulher. Um coro baixo maneirista dividiu o espaço entre a zona das religiosas e a dos leigos. Do recheio, o painel destaca uma escultura gótica do século XIV de Cristo na Cruz, que descreve como única no país.

No exterior, a fachada principal tem um óculo radiado e o acesso faz-se por um portal de arco quebrado aberto na fachada lateral. Da zona conventual, o painel indica que do claustro só restam dois lanços e a fonte da crasta, de 1625, e descreve os dormitórios em ruínas, o antigo refeitório e a sala do capítulo. No pavimento da sala do capítulo há lajes tumulares de abadessas e, por cima dos bancos, o silhar de azulejos setecentistas.

Há ainda uma ligação à pintura portuguesa do século XVI: uma Ressurreição de Diogo de Contreiras (o Mestre de São Quintino), datada de cerca de 1540–1545, tem como proveniência o convento de Santa Maria de Almoster e encontra-se hoje numa coleção particular em Lisboa, segundo a descrição no Wikimedia Commons.

Do abandono ao restauro

Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o mosteiro foi progressivamente votado ao abandono. O painel informa que a então DGEMN realizou algumas obras de conservação e restauro entre 1950 e 1980, e que entre 2001 e 2006 o IPPAR executou uma vasta operação de restauro do património integrado: retábulos, azulejos, vitrais, esculturas, pintura mural, sinos de bronze e também o património móvel litúrgico e paramentaria.

Classificação e proteção

O registo nacional identifica o bem como Igreja de Almoster e as ruínas do respectivo claustro, com a designação alternativa de Convento de Santa Maria de Almoster. É Monumento Nacional pelo Decreto n.º 6 644, de 27 de maio de 1920 (Diário do Governo, 1.ª série, n.º 109), que, ao abrigo do artigo 43.º do decreto de 26 de maio de 1911, determinou a classificação da igreja de Almoster (distrito de Santarém) e das ruínas do respectivo claustro. O imóvel não é Património Mundial.

Preparar a visita

O mosteiro fica no Largo do Convento, 2005-111 Almoster. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal Visit Ribatejo indicava que as visitas se fazem mediante marcação prévia, com o telefone +351 243 491 235. Não encontrámos horário oficial nem preço publicados pelo Município de Santarém. Confirme as condições antes de se deslocar. Para uma visita mais ampla ao tema, veja os outros mosteiros portugueses.

Fotografia de Threeohsix, de 19 de julho de 2024. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O Mosteiro de Almoster era de clarissas?
Não, era uma casa de monjas de Cister. O painel informativo no local fala de uma comunidade da Ordem de Cister, com as primeiras religiosas formadas no mosteiro de Celas, em Coimbra, e um estudo de Luís Miguel Rêpas refere a aprovação, em 1287, da filiação de Almoster a Claraval pelo Capítulo Geral de Cister.
Quem fundou o mosteiro?
O painel no local indica Berengueira Ayres, dama da corte da rainha D. Isabel, em cumprimento do desejo testamental da mãe, D. Sancha Pires. Rêpas, com base em documentos de 1287, destaca o papel de D. Sancha Pires, que, segundo ele, o cronista frei Francisco Brandão desvalorizou.
Qual é a classificação?
Monumento Nacional, com a designação «Igreja de Almoster e as ruínas do respectivo claustro», pelo Decreto n.º 6 644, de 27 de maio de 1920 (Diário do Governo, 1.ª série, n.º 109).
Posso visitar o mosteiro?
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o portal Visit Ribatejo indicava visitas mediante marcação prévia, com o telefone +351 243 491 235. Confirme antes de ir junto do Município de Santarém.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Igreja de Almoster e as ruínas do respectivo claustro (70494)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (NINV 3925)
  3. Diário do Governo — Decreto n.º 6 644, de 27 de maio de 1920 (1.ª série, n.º 109)
  4. Município de Santarém — Painel informativo «Mosteiro Santa Maria de Almoster» (fotografia de 2024, Wikimedia Commons)
  5. Luís Miguel Rêpas — A fundação do mosteiro de Almoster: novos documentos para uma velha questão (Universidade do Porto)
  6. Visit Ribatejo — Convento de Santa Maria de Almoster
  7. Pedro Amendoeira — A igreja de Santa Maria de Almoster: edifício, lugar e território (FAUP, 2013)
  8. Wikimedia Commons — Diogo de Contreiras, Ressurreição (proveniência: convento de Almoster)
  9. Wikidata — Convento de Santa Maria de Almoster (Q9871543)

Continue a explorar

Património por perto

Outros lugares para descobrir a partir daqui. Distâncias aproximadas em linha reta, até 50 km.

Explorar o atlas