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Mosteiro de Celas

Mosteiro de Celas, em Coimbra: fundação de D. Sancha no século XIII, igreja de planta circular, capitéis góticos do claustro, obras quinhentistas e proteção.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada caiada do Mosteiro de Celas, em Coimbra, com portal de cantaria de 1530 e mirante de nove janelas no topo
ObserveOwl, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Celas, Coimbra, Coimbra
Construção
início do séc. XIII; igreja sagrada em 1293; obras do séc. XVI

O Mosteiro de Celas, ou Mosteiro de Santa Maria de Celas, ergue-se no largo de Celas, no bairro com o mesmo nome, em Coimbra. Hoje rodeado de ruas residenciais e de edifícios hospitalares, foi uma casa feminina fundada por uma infanta, e guarda uma das peças mais discutidas da escultura gótica portuguesa: os capitéis do claustro. O registo nacional do património reconhece, aliás, que o período medieval do mosteiro «está pleno de contradições e de incertezas».

A fundação de D. Sancha

Segundo o registo nacional, o mosteiro foi fundado nos inícios do século XIII pela infanta D. Sancha, filha de D. Sancho I, e a igreja só seria sagrada quase um século depois, em 1293. O registo admite que se conhece mal o andamento das obras medievais e até as suas características básicas. O mesmo documento recorda que D. Sancha fez algo semelhante em Alenquer, onde ergueu um convento cisterciense de que ainda restam vestígios de uma rotunda. A bibliografia do registo trata Celas como um mosteiro cisterciense feminino.

A igreja de planta circular

O corpo atual da igreja tem planta circular, à maneira de uma rotunda, caso invulgar em Portugal. Foi atribuído durante muito tempo às primeiras décadas do século XVI, quando a abadessa D. Leonor de Vasconcelos empreendeu numerosas obras. Teorias mais recentes recuam este esquema planimétrico quase à origem do mosteiro, por analogia com a rotunda de Alenquer. A questão continua em aberto e o registo apresenta as duas hipóteses.

Os capitéis do claustro

A outra parcela medieval é composta pelos capitéis góticos do claustro, datados da primeira metade do século XIV. Segundo o registo nacional, nada têm de românico: representam o melhor que a escultura gótica trecentista aplicada produziu em Portugal. Combinam cenas da vida de Cristo e da Virgem com temas profanos e fantásticos, num programa iconográfico sem paralelo no país.

A sua origem divide os especialistas. Uma hipótese indica-os como oferta de D. João III à abadessa D. Maria de Távora, concebidos primeiro para outro lugar, possivelmente o colégio universitário dionisino. Outra atribui-os ao claustro primitivo de Celas, reaproveitados no século XVI. Quem procura entender o estilo, encontra o enquadramento em arquitetura gótica em Portugal.

As campanhas do século XVI

O período moderno é bem conhecido pelo Compêndio de toda a fazenda d’este Real Convento de Santa Maria de Celas, reunido por Frei Bernardo de Assunção a meados do século XVII. Dele resultam as grandes campanhas de duas abadessas. No tempo de D. Leonor de Vasconcelos (1521–1541) renovou-se a igreja, com nova abóbada polinervada e contrafortada, provavelmente sob orientação de Diogo de Castilho, e fizeram-se obras renascentistas, como o túmulo da abadessa, encomendado a Chanterenne. Construiu-se também o portal principal, datado de 1530, sobre o qual se ergueu, no século seguinte, o mirante de nove janelas que remata a fachada.

A D. Maria de Távora (1541–1572) deve-se, segundo o registo, a primeira e última tentativa séria de regularizar, de modo clássico e ortogonal, as instalações conventuais, com soluções comuns aos colégios coimbrãos do século XVI. A última grande reforma teve lugar no século XVIII: construiu-se uma nova capela-mor, mas o essencial da organização da igreja manteve-se.

Restauro e classificação

O mosteiro foi parcialmente restaurado nas décadas de 1930 e 1940, quando se demoliu, entre outras coisas, o que restava do segundo piso do claustro. O registo nacional considera-o um dos conjuntos edificados mais importantes de Coimbra.

É Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910. A zona especial de proteção foi fixada pela Portaria n.º 223/2011 (Diário da República, 2.ª série, n.º 11, de 17 de janeiro de 2011), que substituiu uma portaria de 1959 (publicada em 1960) com zona non aedificandi. Não é Património Mundial; a Universidade de Coimbra, inscrita na UNESCO, é outro conjunto, descrito na página de Coimbra.

Preparar a visita

O mosteiro fica no Largo de Celas, em Santo António dos Olivais. O Turismo de Coimbra destaca-o como ponto de interesse do bairro. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário, bilhete ou condições de visita numa fonte oficial atual: as fontes que se encontram são antigas e divergem, e por isso não as repetimos. Para confirmar, contacte o Turismo de Coimbra (239 857 500; [email protected]) antes de ir.

Em Coimbra, o mosteiro completa-se com outras casas monásticas, como o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, e com a rede de rotas de Cister em Portugal. Para mais casas semelhantes, veja mosteiros.

Fotografia de ObserveOwl, de 23 de outubro de 2024. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Quem fundou o Mosteiro de Celas?
Segundo o registo nacional do património, foi fundado nos inícios do século XIII pela infanta D. Sancha, filha de D. Sancho I. A igreja só foi sagrada quase um século depois, em 1293.
Os capitéis do claustro são românicos?
Não. O registo nacional afirma que nada têm de românico: datam da primeira metade do século XIV e são considerados o melhor da escultura gótica trecentista aplicada em Portugal, com cenas da vida de Cristo e da Virgem a par de temas profanos e fantásticos. A sua origem é debatida: podem ter sido feitos para outro local ou para o claustro primitivo de Celas.
Que classificação tem?
Monumento Nacional, pelo Decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910). A zona especial de proteção foi fixada pela Portaria n.º 223/2011, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 11, de 17 de janeiro de 2011.
Pode visitar-se?
Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário oficial atual. Fontes não oficiais, antigas, indicam visitas à tarde em dias úteis, mas não estão confirmadas. Contacte o Turismo de Coimbra (239 857 500; [email protected]) antes de ir.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Mosteiro de Celas (69791)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2548)
  3. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, 23-06-1910)
  4. Turismo de Coimbra — Celas (bairro e mosteiro)
  5. Wikidata — Mosteiro de Celas (Q10332616)

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