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Monumentos
Mosteiro de Santa Maria de Aguiar
Mosteiro de Santa Maria de Aguiar, em Figueira de Castelo Rodrigo: casa de Cister do século XII, igreja de transição, restauro da DGEMN e classificação de 1932.
- Localização
- Santa Maria de Aguiar, Castelo Rodrigo, Guarda
- Construção
- meados do séc. XII; igreja cisterciense iniciada na década de 1170
O Mosteiro de Santa Maria de Aguiar ergue-se numa zona de planalto raiano, junto à ribeira de Aguiar, na freguesia de Castelo Rodrigo, concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, na região de Riba-Côa. É um dos mosteiros cistercienses mais antigos de Portugal e, por estar muito perto da fronteira, viveu em situação delicada em tempos de guerra. O que se vê hoje é uma igreja de linhas austeras, de transição entre o românico e o gótico, a que o restauro do século XX deu forma bastante reconstruída.
Origens e filiação cisterciense
O registo nacional do património explica que o mosteiro data de meados do século XII, altura em que uma comunidade primitiva de monges beneditinos, ou de eremitas, aí se instalou. A questão de saber se o território de Riba-Côa se encontrava então na posse do reino leonês, como defendeu Alexandre Herculano, ou já sob a ordem portuguesa, como sustentou Rui Pinto de Azevedo em 1962, continua a ser mencionada pelos especialistas. Na década de 1170, a comunidade abraçou a Ordem de Cister, e foi então que começou a construção que hoje se vê. Para o contexto da ordem, veja as rotas de Cister em Portugal.
O projeto adotado deu especial atenção à água, elemento caro aos mosteiros cistercienses: o local beneficiava da ribeira de Aguiar e há notícia de canalizações ainda no século XV.
A igreja e o que sobra do claustro
A igreja foi pensada com três naves, mas o plano foi muito reduzido, provavelmente por falta de verbas, e a organização em três naves só se concretizou nos dois primeiros tramos. Mantiveram-se as dominantes cistercienses: linhas rígidas, ausência de decoração e sobriedade geral. A ambição inicial lê-se ainda em pormenores construtivos, como a elevação à mesma altura da nave central e do transepto saliente. A cabeceira é tripartida e escalonada, de planta retangular, com capela-mor de maior relevância do que os absidíolos.
O parecer do Conselho Superior de Belas Artes que acompanhou a classificação, em 1932, descreveu um «exemplar curioso pela sua simplicidade de arquitetura românica, de transição para ogival», lembrando que a arquitetura característica dos templos cistercienses tem em Alcobaça o exemplo mais portentoso. Criticou, porém, as alterações: o altar da capela-mor tinha então um revestimento de talha dourada datado de 1636, e o coro tinha um cadeiral em talha de 1713. O parecer refere também a entrada da casa do capítulo e o claustro como motivos de arquitetura ogival e a varanda da antiga hospedaria, de modelo frequente na Beira.
Do claustro, construído quase um século depois da igreja, resta a Sala do Capítulo, espaço quadrangular com decoração naturalista que já anuncia a escultura do século XIV. O claustro conhece-se sobretudo por uma fotografia publicada por João Couto em 1927, que mostra duas alas de arcarias contínuas em arcos de volta perfeita sobre capitéis simples. O registo situa no século XVI o piso superior do claustro.
Declínio, obras modernas e abandono
No final da Idade Média, as doações régias e senhoriais diminuíram. O mosteiro manteve vastas terras, em Portugal e na parte castelhana, mas a localização raiana contribuiu para a decadência: em 1459, o abade D. Nuno Álvares escreveu ao Papa a descrever o estado lastimável da casa. Na época moderna houve obras de atualização, entre elas o novo retábulo de 1636, mandado fazer na sequência de um movimento de reforma da ordem. Cerca de vinte anos antes, fez-se sepultar aqui Fr. Bernardo de Brito, cronista do Mosteiro de Alcobaça. Do século XVIII datam o cadeiral de talha barroca e alguns altares e imagens devocionais.
As invasões francesas e a extinção das ordens religiosas deixaram o mosteiro em abandono na segunda metade do século XIX e no início do século XX. Foi vendido pelo Estado em hasta pública. As primeiras obras de restauro, a cargo da DGEMN, começaram em 1937. Um estudo recente citado no registo concluiu que a intervenção, que durou pouco mais de 25 anos, foi radical: a DGEMN «reinventou o monumento», acrescentando e reconstruindo numerosas partes, e só a fachada sul e a nave lateral sul terão sido plenamente respeitadas. A partir de 2001, o mosteiro integrou o programa do IPPAR para conjuntos monásticos, com uma campanha de beneficiação integral.
Classificação
A «Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar» é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 21 996, publicado no Diário do Governo, I série, n.º 295, de 17 de dezembro de 1932. O registo indica a Património Cultural, I.P. como entidade com afetação do imóvel. Não é Património Mundial.
Preparar a visita
O mosteiro está no lugar de Santa Maria de Aguiar, na freguesia de Castelo Rodrigo. O Município de Figueira de Castelo Rodrigo apresenta-o como uma das joias do concelho, onde se venera a padroeira do município, Nossa Senhora de Aguiar, e onde predominam os estilos românico e gótico. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horário de abertura nem condições de visita publicadas pelo município ou pela Património Cultural, I.P.; confirme-as antes de se deslocar junto do município.
A vila histórica de Castelo Rodrigo e o seu castelo ficam nas proximidades e combinam bem com a visita. Para comparar com outras casas da ordem, veja o índice dos mosteiros e as páginas sobre o românico e o gótico em Portugal.
Fotografia de Pedro from Maia (Porto), Portugal, de 24 de abril de 2016. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando foi fundado o Mosteiro de Santa Maria de Aguiar?
- O registo nacional situa a instalação de uma primitiva comunidade de monges beneditinos, ou de eremitas, em meados do século XII, e a adesão a Cister na década de 1170, quando começou a construção que hoje se vê. A historiografia discute se o território de Riba-Côa estava então sob domínio leonês ou português.
- O que resta do claustro?
- Do claustro, construído quase um século depois da igreja, resta a Sala do Capítulo. O piso superior do claustro data, segundo o registo, do século XVI. O decreto de 1932 refere a entrada da casa do capítulo e o claustro como elementos de arquitetura ogival.
- Qual é a classificação do mosteiro?
- Monumento Nacional, com a designação «Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar», pelo Decreto n.º 21 996, publicado no Diário do Governo n.º 295, de 17 de dezembro de 1932.
- Quando foi restaurado?
- Depois da extinção das ordens religiosas e da venda em hasta pública, o imóvel esteve abandonado. A DGEMN iniciou as obras de restauro em 1937 e, segundo o registo nacional, 'reinventou o monumento' ao longo de pouco mais de 25 anos. A partir de 2001 o conjunto integrou o programa do IPPAR para conjuntos monásticos.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar (70443)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado e em Vias de Classificação (NINV 2926)
- Diário do Governo — Decreto n.º 21 996 e parecer do Conselho Superior de Belas Artes (n.º 295, 17-12-1932)
- Município de Figueira de Castelo Rodrigo — Visitar
- Wikidata — Igreja e Convento de Santa Maria de Aguiar (Q1774933)
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