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Monumentos
Muralhas e Torreões de Lagos
Muralhas de Lagos: cerca medieval e Cerca Nova abaluartada dos séculos XVI e XVII, com baluartes como o da Porta da Vila, Monumento Nacional desde 1924.
- Localização
- Lagos, Faro
- Construção
- Cerca medieval (séc. XIII–XIV); Cerca Nova (séc. XVI – 1.ª metade do séc. XVII)
Quem chega a Lagos pela marginal encontra, entre jardins e a Avenida dos Descobrimentos, longos troços de muralha com torres e baluartes. São os restos de dois recintos. A cerca medieval fechava o pequeno burgo junto ao rio. A Cerca Nova, abaluartada, foi construída entre os séculos XVI e XVII e alargou o perímetro para incluir os bairros que tinham crescido fora de portas. O conjunto está classificado como Monumento Nacional com o nome de Muralhas e Torreões de Lagos. Para o contexto geral destas estruturas, veja muralhas e cercas urbanas.
Da fortaleza islâmica à cerca medieval
O registo nacional do Património Cultural, I.P. lembra que, quando o Barlavento algarvio foi conquistado de vez, em 1253, Lagos já tinha um castelo com passado islâmico. Era um ponto de defesa da costa e um dos acessos à capital, Silves. Desse reduto primitivo não se identificou até hoje nenhum vestígio material: as obras dos séculos seguintes destruíram-no e substituíram-no.
As obras dos primeiros reis também são mal conhecidas. O registo indica que começaram no reinado de D. Afonso III e que, segundo notícias mais ou menos fiáveis, continuaram com D. Afonso IV e D. Fernando. O Município de Lagos diz que a chamada Cerca Velha ficou concluída no século XIV. Fechava um burgo de traçado ortogonal, com uma “rua direita” e travessas, que corresponde ao núcleo primitivo da cidade, conhecido como Viladentro.
No ponto mais fortificado da cerca medieval fica o Castelo dos Governadores, também chamado Castelo de Lagos. O município data o edifício atual da segunda metade do século XV. Depois de 1581, foi adaptado a residência dos governadores do Algarve; o registo nacional situa essas obras em 1621. Danificado pelo terramoto de 1755, foi cedido à Misericórdia em 1850 e adaptado a hospital a partir de 1885. Em 1960, nas obras para o V centenário da morte do Infante D. Henrique, abriu-se a Avenida dos Descobrimentos, demoliu-se o Bairro da Ribeira e parte do castelo.
A Cerca Nova e os baluartes
O alargamento das muralhas é contado de forma um pouco diferente pelas duas fontes oficiais. O registo nacional atribui a D. Manuel I o projeto militar mais ambicioso da praça, com uma segunda cerca e quatro baluartes virados ao mar e à ribeira. Em 1556, D. João III terá mandado concluir as obras do pai, mas com outra prioridade: a muralha ocidental. Segundo o registo, isso deu à fortaleza mais dez baluartes e fez dela “a primeira muralha plenamente abaluartada do território nacional”. O município, por seu lado, diz que o plano global da Cerca Nova foi traçado na primeira metade do século XVI, impulsionado por D. João III e concluído na primeira metade do século XVII. Uma planta anónima de 1554–1555, atribuída a Miguel de Arruda, é segundo o município o mais antigo desenho das fortificações e o projeto desta segunda cerca.
A Cerca Nova passou a incluir as duas paróquias da cidade, Santa Maria e São Sebastião. O município enumera os seus baluartes, muitos com dois nomes:
- Porta da Vila ou Santa Maria da Graça, o primeiro da Cerca Nova, no ângulo sudeste, de planta poligonal e com três orelhões. O registo nacional refere a sua adaptação recente a observatório astronómico.
- Coronheiro ou Santo António, Gafaria ou Nossa Senhora da Conceição e Paiol ou Santo Amaro, com nomes tirados de igrejas e ermidas vizinhas.
- Jogo da Bola ou São Francisco, de planta quadrangular, no troço norte.
- Freiras, Alcaria ou São Nicolau, quadrangular, no ângulo sudoeste. O registo descreve o da Alcaria como o mais saliente do lado ocidental, ligado às muralhas por uma rampa e protegido por dois grandes orelhões.
- Porta dos Quartos, no troço oeste, com o nome dos quartos para militares construídos em 1695.
Os baluartes de São Manuel, do Postigo e da Porta de Portugal já não existem. A expansão da cidade em direção à ribeira apagou-os, e alguns sobrevivem apenas em nomes de ruas.
Drake, os Filipes e o Estado Novo
As muralhas não impediram o ataque de Francis Drake, em 1587, durante a guerra entre Espanha e Inglaterra. O registo nacional conta que Filipe I mandou depois reconstruir e modernizar a praça, numa campanha demorada. Nos séculos seguintes, com a cidade em declínio relativo, as obras limitaram-se a consolidar as estruturas e a reforçar a costa com fortins.
No século XX, Lagos foi um dos palcos das comemorações dos centenários organizadas pelo Estado Novo, pela ligação ao Infante D. Henrique. O registo nacional refere que as muralhas foram então restauradas e libertadas das construções que se lhes tinham encostado.
Classificação
As Muralhas e Torreões de Lagos são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 9 842, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 137, de 20 de junho de 1924. O mesmo decreto classificou a Igreja de Santo António e a Igreja de São Sebastião. Uma primeira zona especial de proteção foi fixada por portaria publicada em 1962. Foi substituída pela Portaria de 30 de outubro de 1969, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 275, de 24 de novembro de 1969, que estabelece uma zona comum às duas igrejas e às muralhas.
O Forte da Ponta da Bandeira, à entrada do porto, é um imóvel distinto, classificado à parte como Imóvel de Interesse Público. As muralhas não fazem parte de nenhuma inscrição da UNESCO.
Preparar a visita
As muralhas estão integradas no espaço urbano e percorrem-se a pé, ao longo da marginal e pelas ruas do centro histórico. No Arco de São Gonçalo, junto às antigas Portas do Mar, um oratório da década de 1940 lembra o padroeiro da cidade, que a tradição faz nascer numa casa nesse local. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos bilhete, horário ou condições de acesso ao topo dos baluartes publicados pelo município. Confirme na página municipal sobre as muralhas.
Para continuar, veja a Igreja de Santo António, dentro da cerca, e a Fortaleza de Sagres, na ponta do Barlavento. As outras fortificações abaluartadas do país estão em fortalezas abaluartadas e o itinerário regional em Algarve.
Fotografia de Hovallef, de 7 de agosto de 2018. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- De quando são as muralhas de Lagos?
- Há dois recintos. A cerca medieval, ou Cerca Velha, ficou concluída no século XIV, segundo o município. A Cerca Nova, abaluartada, foi planeada na primeira metade do século XVI, impulsionada por D. João III e concluída na primeira metade do século XVII.
- Que baluartes ainda existem?
- O município identifica, entre outros, os baluartes da Porta da Vila (ou de Santa Maria da Graça), do Coronheiro, da Gafaria, do Paiol, do Jogo da Bola (ou de São Francisco), das Freiras (ou da Alcaria) e da Porta dos Quartos. Os de São Manuel, do Postigo e da Porta de Portugal já não existem.
- As muralhas estão classificadas?
- Sim. As Muralhas e Torreões de Lagos são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 9 842, de 20 de junho de 1924, o mesmo que classificou as igrejas de Santo António e de São Sebastião. A zona especial de proteção comum foi fixada por portaria de 30 de outubro de 1969.
- É preciso bilhete para ver as muralhas?
- Não encontrámos indicação de bilhete. Os troços e baluartes estão integrados no espaço urbano e veem-se a partir das ruas, jardins e da Avenida dos Descobrimentos. Confirme eventuais acessos ao topo dos baluartes junto do Município de Lagos.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Muralhas e torreões de Lagos (70535)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, Muralhas e Torreões de Lagos (NINV 2841)
- Diário do Governo — Decreto n.º 9 842, de 20 de junho de 1924
- Município de Lagos — Muralhas
- Município de Lagos — Castelo dos Governadores
- Município de Lagos — Arco de São Gonçalo
- Wikidata — Muralhas e torreões de Lagos (Q5049781)
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