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Monumentos
Real Fábrica de Gelo da Serra de Montejunto
Real Fábrica de Gelo da Serra de Montejunto, no Cadaval: fábrica de neve reedificada em 1782, com tanques e poços, Monumento Nacional desde 1997.
- Localização
- Lamas, Lisboa
- Construção
- Anterior a 1782; reedificada em 1782
A Real Fábrica de Gelo da Serra de Montejunto, no concelho do Cadaval, é um conjunto de tanques, poços e edifícios onde, no século XVIII, se produzia e guardava gelo para abastecer Lisboa. O registo nacional prefere chamar-lhe fábrica de neve, nome que reconhece a natureza técnica e económica do lugar. É tratada como testemunho único em Portugal desta tipologia fabril, e integra o património industrial classificado como Monumento Nacional.
Uma fábrica sem motor
O texto do Património Cultural, I.P. descreve a fábrica como um modelo técnico importado, contemporâneo de uma cultura europeia que desenvolveu este tipo de produção sobretudo nos séculos XVII e XVIII, e adaptado às condições geográficas e climáticas locais. Não tinha equipamento tecnológico arrojado nem motor centralizado, mas obedecia a uma lógica fabril: um processo faseado e racional, concentrado num único espaço, que ia muito além de recolher neve e guardá-la.
O que sobrevive organiza-se em três áreas funcionais. A área de extração da água tem dois poços, uma casa da nora e um tanque grande. A área de fabrico do gelo reúne 44 tanques de pequena profundidade, ligados por um sistema de condução da água a partir do tanque grande. Ambas ficam numa plataforma natural. A área de armazenamento e expedição é composta pelos poços onde se guardava o gelo, em terreno em declive.
O registo lembra que a fábrica já foi maior. No seu momento mais áureo teria dois poços e uma lagoa, duas secções de tanques de congelação e uma estrutura contrafortada que integraria os poços de armazenagem. Falta também o conjunto de instrumentos que a fazia funcionar, hoje desaparecido.
Julião Pereira de Castro e 1782
A inscrição sobre a porta mais nobre do edifício de armazenamento, que pela solução construtiva e pela fachada lembra um espaço religioso, diz que Julião Pereira de Castro, capitão de Malta, reposteiro e neveiro da Casa Real, comprou e reedificou a fábrica com as suas pertenças no último dia de janeiro de 1782. O registo acrescenta que o mesmo Julião Pereira de Castro edificou os poços de armazenamento de neve da serra da Lousã e reedificou a fábrica de Montejunto pela década de 1780. Era uma fábrica privada, cujo produto também se vendia à Casa Real.
A bibliografia citada pelo registo mostra que o lugar foi estudado desde cedo, com textos de Emanuel Carvalho (1991 e 1995), de Fernando Severino Lourenço, Fernando-António Almeida e Víctor Mestre na revista Monumentos (n.º 15, 2001) e de Deolinda Folgado (Estudos / Património, n.º 9, 2006). O registo refere vários momentos de construção, mas só a reedificação de 1782 vem datada no texto consultado, por isso este guia não afirma outras datas.
Classificação e paisagem
A Real Fábrica de Gelo é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 67/97, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 301, de 31 de dezembro de 1997. A proposta de abertura do processo é de 1991, o despacho de abertura de 25 de novembro de 1992, o parecer do Conselho Consultivo do IPPAR de 24 de janeiro de 1995 e a homologação de 2 de abril de 1996. O monumento está também na área da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto, criada pelo Decreto n.º 11/99, de 22 de julho de 1999. A morada do registo é Quinta da Serra, Lamas, freguesia de Lamas e Cercal.
O concelho do Cadaval integra o território de referência do Geoparque Oeste, mas estar nesse território não faz da fábrica um bem UNESCO. Para outras estruturas de aproveitamento da água e da energia rural, veja os moinhos de água e azenhas.
Preparar a visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrei em fonte oficial um horário regular, um preço ou um regime de visita para este monumento. A página do Município do Cadaval é o ponto de partida para saber se há visitas guiadas ou acesso livre. Os tanques e os poços estão ao ar livre, em plena serra; respeite os limites do terreno e não entre em estruturas fechadas.
Fotografia de Ricardo Martins, de 15 de abril de 2007. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Como se fazia gelo na Serra de Montejunto?
- Segundo o registo nacional, a água era extraída de poços, conduzida por um sistema de canais para um conjunto de 44 tanques de pouca profundidade onde congelava por processos naturais, e o gelo era depois guardado em poços de armazenamento.
- Quando foi reedificada a fábrica?
- Uma placa sobre a porta do edifício de armazenamento recorda que Julião Pereira de Castro, reposteiro e neveiro da Casa Real, comprou e reedificou a fábrica no último dia de janeiro de 1782, segundo o registo nacional.
- A Real Fábrica de Gelo está classificada?
- Sim. É Monumento Nacional desde o Decreto n.º 67/97, publicado no Diário da República de 31 de dezembro de 1997, e situa-se na Paisagem Protegida da Serra de Montejunto.
- Pode visitar-se?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrei horário regular publicado em fonte oficial. Contacte o Município do Cadaval antes de ir.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Real Fábrica de Gelo da Serra de Montejunto (71681)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, registo NINV 4159
- Diário da República — Decreto n.º 67/97, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (indicado no registo e no Atlas)
- Município do Cadaval — página oficial
- Wikidata — Real Fábrica de Gelo da Serra de Montejunto (Q10357821)
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