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Arqueologia
Gruta artificial da Ermejeira e Tholos do Barro
Gruta artificial da Ermejeira e Tholos do Barro, em Torres Vedras: dois Monumentos Nacionais calcolíticos distintos, com a sua história, classificação e acesso.
- Localização
- Ermejeira, Maxial e Monte Redondo, Torres Vedras, Lisboa
- Construção
- Calcolítico (c. 3000–2000 a.C.)
O concelho de Torres Vedras tem dois Monumentos Nacionais funerários do Calcolítico que o registo oficial classifica como imóveis distintos: a gruta artificial da Ermejeira, aberta em argila, e o Tholos do Barro, uma câmara de falsa cúpula no Monte da Pena. Ficam em freguesias diferentes, a cerca de dez quilómetros um do outro em linha reta (cálculo feito a partir das coordenadas do registo). Esta página trata dos dois e mantém a distinção que o registo faz. O nome da gruta aparece escrito Ermejeira, Ermigeira e Ermegeira.
Gruta artificial da Ermejeira
O registo situa-a na freguesia de Maxial e Monte Redondo, na Estrada Torres Vedras–Cadaval, no lugar da Quinta de Entrecampos. Foi descoberta no final dos anos 1930 e logo explorada por Manuel Heleno, diretor do Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcelos, que levou os materiais para esse museu; publicou-a em 1942 na revista Ethnos. É um hipogeu, ou gruta artificial, aberto em argila compacta para sepultura coletiva, com uma morfologia de câmara e corredor semelhante à de outras necrópoles da época.
Do monumento resta pouco: segundo o registo, apenas a câmara abobadada e a parte lateral norte, embora os indícios no terreno permitam especular sobre um corredor original. Entre o espólio, o registo destaca fragmentos de cerâmica campaniforme e um par de brincos ovalados de ouro, em chapa de ouro aluvial local martelada; descreve-os como expostos no Museu Nacional de Arqueologia, informação que convém confirmar antes de uma visita ao museu.
Tholos do Barro
O monumento, também chamado Tholos da Pena, fica na freguesia de Santa Maria, São Pedro e Matacães, no lugar do Barro, no topo sul do Monte da Pena. Foi identificado depois de obras em 1908 e explorado em 1909: o registo atribui a exploração a Eugène Jalhay e Félix Alves Pereira; o Museu Nacional de Arqueologia e a RTP referem Paul Bovier-Lapierre e Alves Pereira. As fontes coincidem em que Félix Alves Pereira participou na escavação de 1909 e em que o religioso francês Paul Bovier-Lapierre esteve envolvido na descoberta do tholos; o registo diz que foi ele quem prospetou o terreno e o encontrou.
O registo descreve uma câmara circular com cerca de seis metros de diâmetro, revestida de blocos sobrepostos que formam uma falsa cúpula, um corredor com cerca de quatro metros e uma mamoa de pedra com cerca de treze metros de diâmetro. O Museu Nacional de Arqueologia considera-a a maior câmara funerária deste género conhecida na Península Ibérica. Em 2021, uma equipa da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e do Museu Municipal Leonel Trindade regressou ao local, cinquenta anos depois dos últimos trabalhos, com direção de Ana Catarina Sousa e Isabel Luna. A RTP regista que o corredor está virado a sul, em vez de a nascente como na maioria dos monumentos contemporâneos, e que os materiais iam ser datados por radiocarbono; a investigadora lembra que os tholos surgem sobretudo a partir de 2900 a.C. O espólio está repartido entre o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu Municipal Leonel Trindade.
Classificação
Ambos são Monumento Nacional. Segundo o registo, o Decreto n.º 32 973, Diário do Governo, 1.ª série, n.º 175, de 18 de agosto de 1943, é o diploma de classificação atual da gruta e do tholos; antes, um decreto de 26 de setembro de 1940 (n.º 30 762) e outro de 1 de novembro de 1940 (n.º 30 838) tinham-nos tratado, o segundo suspendendo o anterior quanto aos imóveis particulares. O Tholos do Barro foi ainda classificado como «monumento funerário da Pena» pelo Decreto de 16 de junho de 1910. Nenhum dos dois faz parte de inscrições da UNESCO. O contexto geral está em Calcolítico e megalitismo; no mesmo concelho fica o povoado fortificado do Castro do Zambujal.
Estado e visita
Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos informação oficial sobre horários, acesso ou condições de visita de nenhum dos dois monumentos; o registo não indica condições de acesso. A RTP noticiou em 2021 que o Museu Municipal Leonel Trindade fazia visitas ao tholos com alunos e que a derrocada de partes da estrutura levava a prever vedação, painel informativo e plataformas para visitantes; não confirmámos que esse projeto tenha sido concluído. Antes de se deslocar, contacte o Município de Torres Vedras.
Fotografia: Alexkom000, 10 de julho de 2026, 2026-07-10 Tholos do Barro, Torres Vedras.jpg, licença CC BY 4.0, redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição. Mostra o Tholos do Barro; não existe fotografia livre da gruta da Ermejeira.
Perguntas frequentes
- A gruta da Ermejeira e o Tholos do Barro são o mesmo monumento?
- Não. São dois Monumentos Nacionais distintos, com números de inventário diferentes (3459 e 3448), em freguesias diferentes de Torres Vedras. O primeiro é uma gruta artificial aberta em argila compacta; o segundo é um tholos com mamoa de pedra.
- O que resta da gruta artificial da Ermejeira?
- Segundo o registo do Património Cultural, apenas a câmara abobadada e a parte lateral norte. Há indícios que permitem especular sobre um corredor original.
- Qual é a singularidade do Tholos do Barro?
- O Museu Nacional de Arqueologia descreve-o como a maior câmara funerária deste género conhecida na Península Ibérica. O registo indica uma câmara circular com cerca de seis metros de diâmetro e um corredor de cerca de quatro metros.
- Podem visitar-se?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos informação oficial sobre horários ou condições de visita de nenhum dos dois monumentos. Confirme junto do Município de Torres Vedras.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Gruta artificial da época calcolítica, aberta em argila compacta, existente no lugar de Ermejeira (70262)
- Património Cultural, I.P. — Monumento funerário eneolítico do Barro (70471)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (NINV 3459 e 3448)
- Museu Nacional de Arqueologia — Tholos do Barro (Município de Torres Vedras)
- Museu Nacional de Arqueologia — Tholos do Barro, Torres Vedras (escavações)
- RTP Notícias — Tholos do Barro. Valorizar sepultura megalítica com cinco mil anos
- Wikidata — Gruta artificial da época calcolítica, aberta em argila compacta, existente no lugar de Ermejeira (Q66814474)
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