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Arqueologia

Ruínas de São Martinho de Dume

Ruínas de São Martinho de Dume, em Braga: villa romana, termas e basílica do centro episcopal suevo de Martinho de Dume, Monumento Nacional desde 1993.

Perguntas frequentes Fontes
Localização
Dume, Braga, Braga
Construção
século VI (sobre uma villa romana)

Dume, a poucos quilómetros do centro de Braga, foi o lugar onde um bispo vindo de longe organizou, a meados do século VI, uma das experiências religiosas decisivas do reino suevo. As Ruínas Arqueológicas de São Martinho de Dume são Monumento Nacional desde 1993. Sob e à volta da igreja paroquial, as escavações mostraram uma sucessão de ocupações, de uma casa romana a um mosteiro e a uma necrópole medieval. É um dos sítios que ajudam a perceber a passagem do mundo romano ao mundo suevo e visigótico, mas a informação pública que se encontra é mais fragmentária do que a fama do lugar sugere.

Martinho e o mosteiro de Dume

Martinho, de origem panónica, chegou à Gallaecia a meados do século VI e ligou-se à conversão dos Suevos do arianismo ao catolicismo, tema tratado em arte suévica. A tradição atribui ao rei suevo Cararico a construção de uma basílica por volta de 550, depois da cura do filho; nela nasceu o centro monástico de que Martinho foi abade. Estudos académicos situam a elevação de Dume a sede episcopal por volta de 558 (outros autores propõem 556), e referem Dume como bispado nos concílios seguintes. Martinho passou depois a bispo de Braga, e as fontes usam por isso os dois nomes. As datas do seu episcopado em Braga e dos concílios não foram confirmadas numa fonte primária e não são aqui precisadas.

O que as escavações mostraram

Segundo a síntese que remete para o inventário nacional, a investigação arqueológica começou em 1987, quando se identificou uma villa romana sob a capela de Nossa Senhora do Rosário (Luís Fontes, Salvamento Arqueológico de Dume – 1987). A villa remonta ao século I; no século III foi dotada de termas, descobertas em maio de 1993. A exploração da basílica paleocristã começou em julho de 2005. As fases dos séculos VI e VII adaptam edifícios anteriores ao mosteiro, e a área viria a ser usada como necrópole durante séculos; fala-se de um conjunto de doze sepulturas. Estas indicações vêm de uma enciclopédia que cita a bibliografia especializada, e não de um relatório que tenhamos lido.

O que sobrevive à vista é pouco e em parte coberto: as estruturas escavadas ficam junto à igreja matriz e não se apresentam como um grande monumento erguido. Algum espólio (cerâmicas, vidros romanos, ânforas, moedas e elementos de arquitetura) é descrito como estando no Museu D. Diogo de Sousa, em Braga; veja o museu de arqueologia. Para outro testemunho da região de Braga neste período, veja a Capela de São Frutuoso de Montélios, em Real.

Do período suevo ao visigótico

O reino suevo da Gallaecia terminou em 585, anexado pelos Visigodos. Em Dume, a documentação que lemos não permite descrever com rigor a fase visigótica; a síntese da enciclopédia refere que a basílica foi alvo de reformas importantes muito tempo depois, durante a Reconquista, e que a igreja passou temporariamente para o bispo de Mondonhedo, o que se confirmaria em 911. O enquadramento artístico mais amplo está em arte visigótica em Portugal.

Classificação

O Atlas do Património Cultural regista as Ruínas Arqueológicas de São Martinho de Dume (NINV 4627) na freguesia de Real, Dume e Semelhe, como Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 45/93, de 30 de novembro de 1993 (Diário da República, I Série-B, n.º 280). Não conseguimos ler o texto do decreto (digitalização sem texto pesquisável), por isso a classificação aqui citada assenta no registo do Atlas. As coordenadas usadas pertencem à entrada Wikidata do monumento e coincidem com a área classificada no Atlas.

Visitar

Há em Dume um núcleo museológico dedicado sobretudo à basílica e ao sarcófago de São Martinho, de acordo com as fichas consultadas. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos horários nem preços numa fonte oficial. Confirme-os diretamente na Câmara Municipal de Braga antes de ir. Para o contexto, veja Braga e a arte suévica.

Perguntas frequentes

Quem foi Martinho de Dume?
Foi um bispo de origem panónica ligado à conversão dos Suevos ao catolicismo, a meados do século VI. Fundou o mosteiro de Dume e foi depois bispo de Braga, razão pela qual também é chamado Martinho de Braga.
O que está classificado em Dume?
As Ruínas Arqueológicas de São Martinho de Dume, em Real, Dume e Semelhe (Braga), são Monumento Nacional pelo Decreto n.º 45/93, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 280, de 30 de novembro de 1993.
Que fases mostram as escavações?
As sínteses consultadas referem uma villa romana do século I, termas acrescentadas nos séculos III–IV, uma basílica paleocristã e, depois, o mosteiro e a necrópole que se prolongaram pela Idade Média.
Posso visitar Dume?
Existe um núcleo museológico em Dume dedicado à basílica e ao sarcófago de São Martinho. Os horários e condições não foram confirmados em fonte oficial na consulta de 5 de novembro de 2026; confirme com a Câmara Municipal de Braga.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Imóvel, camada PatrimonioImovel (NINV 4627)
  2. Diário da República — Decreto n.º 45/93, DR I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993
  3. Wikidata — Ruínas arqueológicas de São Martinho de Dume (Q66813181), coordenadas
  4. Wikipédia — Mosteiro de Dume / Ruínas Arqueológicas de São Martinho de Dume (ponteiro para o SIPA 333 e o IGESPAR 70575)
  5. Wikipédia — Monastery of Dumio (ponteiro para Fontes, Cadernos de Arqueologia, 1987, e SIPA 333 e 8105)

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