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Santuário de Nossa Senhora de Aires

Santuário de Nossa Senhora de Aires, em Viana do Alentejo: conjunto barroco de 1743–1760, baldaquino de talha dourada, ex-votos, romaria e classificação.

Perguntas frequentes Fontes
Fachada e flanco do Santuário de Nossa Senhora de Aires, caiado com cunhais amarelos, duas torres sineiras com remate bolboso e zimbório octogonal sobre a cabeceira
Vitor Oliveira (Portuguese_eyes), CC BY-SA 2.0 — Wikimedia Commons
Localização
Aires, Viana do Alentejo, Évora
Construção
Obras documentadas entre 1743 e 1760 (barroco); substitui um templo primitivo de fundação quinhentista

O Santuário de Nossa Senhora de Aires ergue-se isolado no campo, nos arredores de Viana do Alentejo, no distrito de Évora. De longe, o que se vê é uma massa caiada com cunhais amarelos, duas torres de remate bolboso e um zimbório octogonal. Não é uma igreja manuelina nem um templo fortificado, como por vezes se lê: o decreto de classificação define-o como um dos conjuntos mais interessantes e destacados do barroco alentejano. A matriz manuelina da vila encontra-se noutro lugar, dentro do castelo de Viana do Alentejo.

Um culto antigo, um templo novo

O decreto diz que o santuário atual, com obras documentadas entre 1743 e 1760, substitui um edifício primitivo de fundação quinhentista. Dessa origem sobrevive a imagem que dá nome ao lugar: uma Virgem da Piedade quatrocentista, vinda da construção anterior e hoje guardada numa maquineta envidraçada no altar-mor. O decreto recorda que o santuário é destino de peregrinações vindas de toda a região, o Alentejo, e o culto precede, portanto, a atual igreja.

O diploma indica ainda que o projeto revela influências mafrenses, visíveis nos muros ondulantes e na fachada com zimbório octogonal, de grande efeito cenográfico, flanqueada por torres com cúpulas bolbosas. A referência é o Convento de Mafra e o conjunto insere-se na arquitetura barroca portuguesa do século XVIII.

O que ver

O decreto descreve um interior de decoração festiva, onde se combinam pintura mural, estuques coloridos, azulejaria, mármores e talha. O elemento mais impressionante é o enorme baldaquino de talha dourada que abriga a imagem da Virgem. Para o contexto do azulejo em igrejas, veja o artigo geral.

A classificação abrange mais do que a igreja. Inclui toda a cerca do santuário: o templo e as dependências anexas, a antiga hospedaria, hoje arruinada, e a fonte e tanque de Nossa Senhora de Aires, no Terreiro dos Peregrinos, datados de 1640, portanto anteriores à obra setecentista. Na Casa dos Milagres, antiga sala das confrarias, e nas dependências anexas guarda-se um grande número de ex-votos, do século XVIII até à atualidade, testemunho direto das promessas feitas à Virgem.

A pouca distância fica a Ermida do Senhor Jesus do Cruzeiro, classificada no mesmo decreto. É um pequeno templo praticamente quadrado, coberto por uma cúpula ao modo das «cubas» alentejanas, com cronologia barroca (talvez da primeira metade do século XVIII). Está parcialmente arruinada, mas conserva vestígios de pintura mural. O decreto admite que tenha antecedido o santuário e que nela se tenha guardado a imagem enquanto a igreja era edificada.

A romaria e a feira

O decreto atribui a origem da Romaria de Nossa Senhora de Aires a um alvará de D. José I que, em 1751, autorizou uma feira franca no local. Segundo a informação turística e a imprensa consultadas, a festa principal realiza-se no quarto fim de semana de setembro, com procissão em torno do templo. A Rádio Renascença noticiou também uma romaria a cavalo, que parte da Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Moita, e chega ao santuário em abril. Não encontrámos o programa oficial de 2026: as datas devem ser confirmadas junto do município. Para outros casos, veja os santuários e locais de romaria portugueses.

A Rádio Renascença noticiou a reabertura do santuário em maio de 2021. Para o estudo da arquitetura e da devoção, a referência citada é a dissertação de mestrado de Raquel Seixas, O Santuário de Nossa Senhora de Aires: arquitectura e devoção (1743-1792) (Universidade Nova de Lisboa), que não conseguimos consultar.

Classificação e proteção

O santuário é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 31-J/2012, de 31 de dezembro (Diário da República, 1.ª série, n.º 252, suplemento), que o classificou em conjunto com a Ermida do Senhor Jesus do Cruzeiro. A zona especial de proteção foi fixada pela Portaria n.º 307/2014, de 14 de maio (Diário da República, 2.ª série, n.º 92). O Atlas do Património Classificado situa-o num enquadramento rural e indica que não há restrições associadas. Não é Património Mundial.

Preparar a visita

O santuário fica no lugar de Aires, freguesia e concelho de Viana do Alentejo. Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos um horário oficial de abertura nem condições de visita publicadas numa fonte que pudéssemos ler. O município mantém páginas sobre a Rota de Peregrinação a Nossa Senhora D’Aires e sobre a Feira D’Aires; é aí, ou junto da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, que deve confirmar horários, acesso ao interior e datas das festas, sobretudo em setembro.

Fotografia de Vitor Oliveira (Portuguese_eyes), de 29 de junho de 2012; a imagem leva a assinatura do autor. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 2.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

O Santuário de Nossa Senhora de Aires é manuelino?
Não. O decreto de classificação descreve-o como um dos conjuntos mais interessantes do barroco alentejano, com obras documentadas entre 1743 e 1760 e influência de Mafra. A matriz manuelina de Viana do Alentejo fica dentro do castelo da vila, e não no santuário, que se encontra nos arredores.
Quando se realiza a romaria?
O decreto liga a romaria a um alvará de D. José I que, em 1751, autorizou uma feira franca no local. Segundo a imprensa e a informação turística consultadas, a festa principal decorre no quarto fim de semana de setembro, e uma romaria a cavalo que parte da Moita realiza-se em abril. Confirme as datas junto da Câmara Municipal de Viana do Alentejo.
Qual é a classificação do santuário?
Monumento Nacional, pelo Decreto n.º 31-J/2012, de 31 de dezembro (Diário da República, 1.ª série, n.º 252, suplemento). A zona especial de proteção foi fixada pela Portaria n.º 307/2014, de 14 de maio. O mesmo decreto classificou a Ermida do Senhor Jesus do Cruzeiro.
Posso visitar o santuário?
Na consulta de 5 de novembro de 2026 não encontrámos um horário oficial publicado numa fonte que pudéssemos ler. Para horários, visitas ao interior e programa das festas, contacte a Câmara Municipal de Viana do Alentejo.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Santuário de Nossa Senhora de Aires (11942233)
  2. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (NINV 74130)
  3. Diário da República — Decreto n.º 31-J/2012, de 31 de dezembro (1.ª série, n.º 252, suplemento)
  4. Diário da República — Portaria n.º 307/2014, de 14 de maio (ZEP)
  5. Município de Viana do Alentejo — Rota de Peregrinação a Nossa Senhora D'Aires
  6. Rádio Renascença — Reabertura do Santuário de Nossa Senhora de Aires (14-05-2021)
  7. Rádio Renascença — Da Moita a Viana do Alentejo. Está de volta a Romaria a Cavalo (19-04-2022)
  8. Wikidata — Santuário de Nossa Senhora de Aires (Q39999251)

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