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Arqueologia

Antas de Sintra

Antas de Belas, de Adrenunes e de Agualva, em Sintra: Monumentos Nacionais desde 1910, escavações de Carlos Ribeiro, estado atual e como visitar.

Perguntas frequentes Fontes
Blocos de calcário da Anta da Estria, em Belas, entre ervas altas e com uma autoestrada ao fundo
Roundtheworld, CC BY-SA 4.0 — Wikimedia Commons
Localização
Belas, Sintra, Lisboa
Construção
c. 3500–2500 a.C.

O concelho de Sintra é mais conhecido pelos palácios e pela serra, mas guarda também um pequeno grupo de monumentos megalíticos classificados desde o início do século XX. O Atlas do Património Cultural regista como Monumento Nacional três imóveis com o nome de anta em Sintra, todos classificados pelo mesmo diploma, o Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910: as Antas de Belas (um conjunto de três monumentos), a Anta de Adrenunes e a Anta de Agualva. Esta página reúne-as num só guia porque cada uma, isolada, tem pouca informação oficial acessível.

Antas de Belas

As Antas de Belas são um conjunto registado no Atlas com o número de inventário 9035, na freguesia de Belas. Reúne três monumentos: a Anta do Senhor da Serra ou Anta da Pedra dos Mouros, a Anta da Estria e a Anta do Monte Abraão. Foram dadas a conhecer pelo geólogo Carlos Ribeiro, que as escavou na década de 1870 (a Estria em 1875 e o Monte Abraão entre 1876 e 1878, segundo a Wikipédia, que remete para os estudos de Rui Boaventura e João Luís Cardoso). Os achados, como machados de pedra, pontas de seta e vasos, estão no Museu Geológico, em Lisboa.

Segundo essas mesmas fontes secundárias, a Anta da Estria tem câmara poligonal com corredor, construída em calcário local e datada do Neolítico final e início do Calcolítico; ficou quase destruída com as obras da autoestrada A9, nos anos 1990, e o acesso é difícil. A Anta do Monte Abraão teria uma câmara de cerca de 3,6 metros de diâmetro e um corredor de cerca de 8 metros, com sinais de grafitos. A Pedra dos Mouros conservava, segundo Ribeiro, ortostatos de grandes dimensões; notícias de junho de 2010, citadas pela Wikipédia, referiram que a pedra dominante foi encontrada partida, com a hipótese de vandalismo ou de rebentamentos ligados à A9, sem causa apurada. Não foi possível confirmar o estado atual dos três monumentos em fonte oficial.

Anta de Adrenunes

A Anta de Adrenunes (número de inventário 3410) pertence à freguesia de Colares, numa elevação sobre o Cabo da Roca, dentro do Parque Natural de Sintra-Cascais. É a mais singular do grupo: blocos de granito formam uma galeria com cerca de 5 metros de altura. Foi estudada por Possidónio da Silva, que a apresentou em 1871 como monumento megalítico funerário. Segundo a Wikipédia, não foram encontrados vestígios funerários e outros autores defendem que se trata de uma formação natural de granito, modificada pelo ser humano. Cunhas de granito sob alguns blocos indicam intervenção humana. A natureza do monumento continua, por isso, em discussão e a sua cronologia não está estabelecida em fonte oficial.

O acesso faz-se a pé por caminho, a cerca de 1 quilómetro de uma estrada alcatroada, segundo as mesmas fontes secundárias.

Anta de Agualva

A Anta de Agualva, também chamada Anta do Carrascal (número de inventário 3411), encontra-se na freguesia de Agualva e Mira-Sintra, em plena malha urbana. Tem câmara poligonal de cerca de 3,7 por 3,8 metros, formada por sete esteios, e corredor de acesso. Carlos Ribeiro identificou-a e escavou-a em 1875. Segundo as fontes secundárias consultadas, foi utilizada entre meados e finais do IV milénio a.C. e ficou integrada num jardim municipal inaugurado em 2004; em 2017 teria sido objeto de nova intervenção do município, reabrindo em abril desse ano. Esta informação de conservação não foi verificada em fonte municipal. É a anta do concelho mais fácil de visitar.

Classificação

Os três imóveis foram classificados como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 (o texto original consta de um ficheiro digitalizado do Diário da República).

Comparação com o megalitismo regional

As antas de Sintra e da região de Lisboa são menos monumentais do que as do Alentejo, como as descritas em megalitismo e em arte megalítica portuguesa, mas pertencem ao mesmo fenómeno: sepulcros coletivos de câmara poligonal e corredor, construídos com as pedras disponíveis, no caso calcário em vez de granito ou xisto. Estão hoje cercadas pela urbanização, o que torna a sua leitura na paisagem mais difícil do que no interior.

Preparar a visita

A Anta de Agualva é a mais acessível, num espaço público urbano. As Antas de Belas encontram-se junto a vias rápidas e podem exigir percursos pouco evidentes. A Anta de Adrenunes pede caminhada. Na consulta de 5 de novembro de 2026, não encontrámos horários, regras de acesso nem informação municipal atualizada; confirme junto do município de Sintra antes de se deslocar. O Palácio Nacional de Sintra e o centro histórico ficam no lado oposto do concelho.

Fotografia: Roundtheworld, 14 de fevereiro de 2019, AntaEstria1.jpg, licença CC BY-SA 4.0, redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.

Perguntas frequentes

Que antas de Sintra são Monumento Nacional?
As Antas de Belas (Pedra dos Mouros ou Senhor da Serra, Estria e Monte Abraão), a Anta de Adrenunes e a Anta de Agualva, todas classificadas pelo Decreto de 16 de junho de 1910.
Quem escavou as Antas de Belas?
O geólogo Carlos Ribeiro, na década de 1870, segundo a bibliografia secundária consultada. Os materiais recolhidos estão no Museu Geológico, em Lisboa.
A Anta de Adrenunes é mesmo uma anta?
Está classificada como tal, mas a sua natureza é discutida: há autores que a consideram uma formação natural de granito modificada pelo ser humano.
Qual é a mais fácil de visitar?
A Anta de Agualva, integrada num jardim público urbano. A informação sobre horários e conservação deve ser confirmada junto do município de Sintra.

Fontes

  1. Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (Antas de Belas, NINV 9035; Adrenunes, 3410; Agualva, 3411)
  2. Diário do Governo — Decreto de 16 de junho de 1910 (n.º 136, de 23 de junho de 1910)
  3. Wikidata — Antas de Belas (Q47353823)
  4. Wikipédia — Anta da Estria (apontador para fontes)
  5. Wikipédia — Anta de Agualva (apontador para fontes)
  6. Wikipédia — Anta de Adrenunes (apontador para fontes)

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