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Arqueologia
Grutas Artificiais de Carenque
Grutas artificiais de Carenque, na Amadora: três sepulcros calcolíticos escavados na rocha, Monumento Nacional desde 1936, abertos ao público ao fim de semana.
- Localização
- Carenque, Mina de Água, Amadora, Lisboa
- Construção
- finais do IV – início do III milénio a.C.
As Grutas Artificiais de Carenque, também chamadas Necrópole de Carenque ou Grutas Artificiais do Tojal de Vila Chã, são três sepulcros coletivos escavados no calcário, na freguesia de Mina de Água, concelho da Amadora. É um Monumento Nacional pré-histórico e tem um núcleo museológico aberto ao público.
Três grutas no calcário
O registo do Património Cultural, I.P. descreve três grutas artificiais abertas em calcários brandos. A Câmara Municipal da Amadora numera-as I, II e III, de este para oeste, no Tojal de Vila Chã, entre Carenque e os Moinhos da Funcheira. As três têm a mesma disposição: um corredor de acesso, um pequeno portal e uma câmara funerária de planta subcircular coroada por uma clarabóia talhada no topo do mesmo afloramento. O corredor e a clarabóia estavam cobertos por grandes lajes de calcário, que fechavam a estrutura ao exterior.
Segundo o município, estas grutas integram uma tradição funerária mediterrânica, com características próprias na região do estuário do Tejo, e parecem-se, na morfologia, com as antas. Entre outras necrópoles do mesmo tipo, o registo cita as grutas da Quinta do Anjo (Palmela), da Alapraia e de São Pedro do Estoril. Para o fenómeno mais amplo, veja megalitismo; o município lembra que há antas a oeste, em Queluz-Monte Abraão, no concelho de Sintra (ver antas de Sintra).
Descoberta e cronologia
Foram descobertas e escavadas em 1932 por Manuel Heleno, diretor do Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcellos, hoje Museu Nacional de Arqueologia, onde estão em depósito os materiais e os restos humanos. O registo recorda que Heleno promoveu logo a classificação do sítio.
O município indica que as grutas foram construídas entre finais do IV milénio e início do III milénio a.C. e reutilizadas no final do III milénio. Noutra página, o mesmo município fala apenas de finais do Neolítico, no III milénio. Por isso, esta página usa a datação mais precisa e atribui-a ao município; o registo nacional não propõe uma data de construção, apenas situa os materiais “megalíticos” deste tipo entre o IV e o III milénio a.C.
O espólio incluía ossos humanos, taças e copos canelados, taças campaniformes, agulhas e botões de osso, pontas de seta, uma lâmina e punhais, e objetos simbólicos como ídolos de calcário lisos e decorados, representações de enxós, placas de xisto e crescentes (lúnulas). O registo acrescenta que os povoados correspondentes não foram plenamente identificados. O contexto cultural está descrito em Calcolítico; um povoado fortificado da mesma região é Leceia.
Classificação
O conjunto é Monumento Nacional pelo Decreto n.º 26 235, Diário do Governo, 1.ª série, n.º 16, de 20 de janeiro de 1936. Não faz parte de nenhuma inscrição da UNESCO. A “Galeria de Carenque”, ou monumento megalítico do Pego Longo, é outro imóvel, em Sintra e com classificação distinta (imóvel de interesse público); não deve ser confundida com estas grutas.
Estado e visita
O Núcleo Museológico da Necrópole de Carenque, do Museu da Amadora, está aberto ao público de forma permanente desde 1999. Fica na Serra das Brancas, no topo da Avenida Luís de Sá. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o município publicava dois horários: verão, sábados 14h00–18h00 e domingos 9h00–14h00; inverno, sábados 13h00–17h00 e domingos 10h00–15h00, com entrada gratuita. A página não indica as datas de mudança entre os dois regimes. Visitas guiadas a grupos organizados exigem marcação prévia (telefone 214 369 090). Quanto ao estado de conservação, não encontrámos um relatório público.
Confirme horários e condições na página municipal.
Fotografia: Roundtheworld, 11 de maio de 2019, NecropolisCarenque1.jpg, licença CC BY-SA 4.0, redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- O que são as Grutas de Carenque?
- Três sepulcros coletivos escavados em afloramentos calcários do Tojal de Vila Chã, na freguesia de Mina de Água, na Amadora. Cada gruta tem um corredor, um pequeno portal e uma câmara funerária de planta subcircular.
- Quem as descobriu e quando?
- Foram descobertas e escavadas em 1932 por Manuel Heleno, então diretor do Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcellos, hoje Museu Nacional de Arqueologia.
- Podem ser visitadas?
- Sim. O Núcleo Museológico da Necrópole de Carenque, do Museu da Amadora, está aberto ao público desde 1999. Na consulta de 5 de novembro de 2026, o município publicava horários de fim de semana, com entrada gratuita, e pedia marcação prévia para grupos.
- São Monumento Nacional?
- Sim. A necrópole está classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 26 235, de 20 de janeiro de 1936.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Grutas artificiais do Tojal de Vila Chã ou Carenque (70455)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado (NINV 3166)
- Câmara Municipal da Amadora — Necrópole de Carenque (Património: Monumentos Nacionais)
- Câmara Municipal da Amadora — Núcleo Museológico da Necrópole de Carenque (Museu da Amadora)
- Turismo de Lisboa — Necrópole de Carenque
- Wikidata — Necrópole de Carenque (Q10335950)
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