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Arqueologia
Antas do Alentejo central: Redondo, Évora, Avis e Estremoz
Antas Monumento Nacional de Redondo, do Freixo (Évora), da Herdade da Ordem e de Estremoz: câmaras de sete esteios, corredores longos e acessos difíceis.
- Localização
- Redondo, Évora
- Estilo
- Megalítico (antas de câmara poligonal e corredor, megalitismo eborense)
Ao redor de Évora, de Redondo e do vale do Guadiana, o Alentejo central tem uma das maiores concentrações de antas da Península Ibérica. Este guia trata de seis monumentos ou conjuntos Monumento Nacional, todos pelo decreto de 16 de junho de 1910 (Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910), que não têm página própria: as antas da Vidigueira, das Tesouras e da Candieira (Redondo), as antas do Freixo (Évora), a anta da Herdade da Ordem e a anta da Venda do Duque (Estremoz). As do resto do concelho de Évora estão em antas do concelho de Évora; a maior de todas tem página própria. O guia do megalitismo explica o fenómeno em geral.
Redondo
O concelho de Redondo tem três antas Monumento Nacional, junto à ribeira do Freixo.
- Anta da Vidigueira (Redondo; código 70380; Atlas NINV 2785). Foi erguida entre o 4.º e o 3.º milénio a.C., isolada numa planície junto à ribeira do Freixo, e o registo enquadra-a no “megalitismo eborense”, cujo exemplar mais notável é a Anta Grande da Comenda da Igreja, em Montemor-o-Novo. Está bem conservada: mantém no lugar sete esteios da câmara, a laje de cobertura (fraturada) e quatro esteios do corredor. A mamoa, de quase 8 metros de diâmetro, dá ao monumento o aspeto de estar sobre um terreiro. É a anta da fotografia deste guia e o ponto de referência da sua localização (coordenadas do registo).
- Anta da Herdade das Tesouras (Redondo; código 70382; NINV 2784). Também chamada Anta da Herdade das Dessouras ou Anta do Colmeeiro 1. Numa pequena elevação no meio do montado, junto à ribeira do Freixo, foi publicada por Gabriel Pereira (1879), descrita por E. Cartailhac (1886) e por Georg Leisner (1949). Tem câmara poligonal alongada, com cerca de 2,80 metros de diâmetro, sete esteios de granito de cerca de 1,50 metros e uma grande laje fraturada, e corredor de cerca de 2,70 metros. As características permitem datá-la do Neolítico final e do Calcolítico (3500–2000 a.C.). Segundo a ficha, tem sido confundida com a Anta das Dessouras 1, de menores dimensões e em pior estado. A ficha (C. Costeira, DGPC, 2018) classifica o acesso como difícil e não sinalizado.
- Anta da Herdade da Candieira (Redondo; NINV 2783). O Atlas dá-a como Monumento Nacional pelo decreto de 1910; não foi possível ler a ficha de registo, pelo que não se acrescenta descrição.
Évora: as antas do Freixo
- Antas da Herdade do Freixo (Torre de Coelheiros, Évora; código 70736; NINV 2779). A ficha descreve-as como um conjunto típico do “universo megalítico eborense”, edificado entre o início do 4.º e meados do 3.º milénio a.C., investigado por Émile Cartailhac e José Leite de Vasconcelos no século XIX. Materiais exumados da “Anta 2” estão hoje no Musée des Antiquités Nationales, em Saint-Germain-en-Laye, e no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa. O destaque vai para a Anta Grande do Freixo ou Anta 1: câmara poligonal alongada de cerca de 4 metros de diâmetro, sete esteios ainda de pé com cerca de 4 metros de altura, corredor de cerca de 12 metros e cerca de 2 metros de largura à entrada, do qual restam três esteios do lado norte e um no fecho. A ficha refere que só três antas da Herdade do Freixo de Cima são Monumento Nacional, enquanto o Atlas lista seis (Freixo de Baixo 1, 2, 4 e 5 e Freixo de Cima 1 e 2). Para chegar, a ficha indica a EN 256 (Évora–Reguengos de Monsaraz), o desvio para Viana do Alentejo e, a cerca de 4 km, o caminho vicinal para sudeste. Este conjunto não consta da página sobre as antas do concelho de Évora.
Herdade da Ordem
- Anta da Herdade da Ordem (código 70428; NINV 3490). O Atlas situa-a em Mora (freguesia de Pavia), mas a ficha de registo indica Avis (Alcórrego e Maranhão); a bibliografia citada trata do megalitismo da área de Pavia, em Mora. É a anta n.º 1 de uma necrópole de oito dólmenes. A câmara é circular, com cerca de 4 metros de diâmetro, conserva sete esteios e a laje de cobertura no lugar; o corredor, de cerca de 7 metros de comprimento, tem dezasseis esteios e uma tampa; a mamoa está bem visível. O espólio inclui cerâmica simples e decorada, pendentes e contas de xisto e de pedra verde, alfinetes, machados, enxós e placas de xisto com ocre vermelho. O registo data-a do Neo-calcolítico. Uma outra anta de Pavia, transformada em capela, tem página própria; para o modelo regional, veja também as antas de Montemor-o-Novo.
Estremoz
- Anta da Venda do Duque (Évoramonte, Estremoz; NINV 2659). O Atlas dá-a como Monumento Nacional pelo decreto de 1910 e não foi possível ler a ficha de registo. Para a cidade, veja Estremoz.
O que fica de fora
O pedido original incluía a Necrópole da Atalaia (Ourique) e os monumentos da Quinta da Nora e da Herdade da Marcela (Vila Real de Santo António). A Atalaia foi classificada pelo Decreto n.º 24/2013, e o Atlas não a descreve como anta. Os monumentos de Vila Nova de Cacela aparecem no Atlas como “monumento funerário” (decreto de 1910). Não foi possível ler as fichas de nenhuma e confirmar que sejam megalíticos, pelo que não são tratados aqui.
Leitura do conjunto
As fichas da Vidigueira e do Freixo remetem para o mesmo modelo, o da Anta Grande da Comenda da Igreja: câmara poligonal de sete esteios e corredor. A variação está nas dimensões, de 2,80 metros de câmara nas Tesouras a 4 no Freixo e na Ordem, e nos corredores, de 2,70 a cerca de 12 metros. Para ver o conjunto em escala maior, o complexo megalítico de Monsaraz e a página Alentejo são o passo seguinte.
Como visitar
Na consulta de 5 de novembro de 2026, as fichas consultadas não indicavam horários nem restrições legais de acesso. São propriedades agrícolas privadas: confirme o acesso com a câmara municipal (Redondo, Évora, Avis, Mora ou Estremoz), deixe as cancelas como as encontrou e não suba aos monumentos se houver gado ou culturas.
Fotografia de Sqjaques, de 28 de abril de 2012. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY-SA 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Que antas deste guia são Monumento Nacional?
- Em Redondo, as antas da Vidigueira, das Tesouras e da Candieira; em Évora, as antas do Freixo; na Herdade da Ordem, a anta com esse nome; e em Estremoz, a Anta da Venda do Duque. Todas foram classificadas pelo decreto de 16 de junho de 1910.
- Onde fica a Herdade da Ordem?
- O Atlas do Património Classificado coloca a anta no concelho de Mora (freguesia de Pavia), mas a ficha do registo indica o concelho de Avis (freguesia de Alcórrego e Maranhão). A bibliografia do registo refere o estudo do megalitismo da área de Pavia, em Mora. A discrepância não está resolvida.
- Qual a mais conhecida do Freixo?
- A Anta Grande do Freixo, ou Anta 1, tem câmara de cerca de 4 metros de diâmetro, sete esteios com cerca de 4 metros de altura e um corredor de cerca de 12 metros de comprimento, segundo o registo nacional.
- Posso visitá-las?
- São todas em herdades. A ficha da Anta da Herdade das Tesouras classifica o acesso como difícil e não sinalizado, e a do Freixo descreve o caminho por estradas rurais. Confirme com a câmara municipal e respeite propriedades.
Fontes
- Património Cultural — Anta da Vidigueira
- Património Cultural — Anta da Herdade das Tesouras
- Património Cultural — Anta da Herdade da Ordem
- Património Cultural — Antas da Herdade do Freixo
- Património Cultural — Atlas do Património Classificado (serviço geográfico)
- Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910 — Decreto de 16 de junho de 1910
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