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Monumentos
Ascensor da Glória
Ascensor da Glória, em Lisboa: funicular de 1885 de Raoul Mesnier du Ponsard, Monumento Nacional, explorado pela Carris e parado desde o acidente de 2025.
- Localização
- Lisboa, Lisboa
- Construção
- 1885
- Estilo
- Engenharia de transporte urbano do século XIX
O Ascensor da Glória liga a Praça dos Restauradores ao Bairro Alto, pela Calçada da Glória, na cidade de Lisboa. É um dos funiculares urbanos que o engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard multiplicou na capital no final do século XIX, e está classificado como Monumento Nacional, juntamente com o meio urbano que o envolve. Desde setembro de 2025 está parado, depois de um acidente que causou 16 mortes.
Um ascensor para as colinas
A nota histórica do Património Cultural, I.P. regista que o traço foi entregue a Raoul Mesnier du Ponsard (1848–1914), engenheiro nascido no Porto, de origem francesa, autor de outros elevadores em Lisboa e de funiculares noutros pontos do país. O ascensor foi inaugurado a 24 de outubro de 1885, data que a Carris também indica. Foi o segundo a ser construído na cidade, por iniciativa da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa, depois de a Câmara Municipal ter aprovado, em 1875, a instalação de um transporte em plano inclinado no local. O primeiro foi o Ascensor do Lavra, inaugurado em 1884.
O sistema original combinava cremalheira e cabo com contrapeso de água: os dois carros, ligados entre si, tinham reservatórios que se esvaziavam nos Restauradores e se enchiam na Rua da Misericórdia. Os cortes no abastecimento de água da cidade interrompiam o serviço, o que levou à compra de uma máquina a vapor à firma alemã Maschinenfabrik (Esslingen). Em 1912, um novo contrato de concessão com a Câmara permitiu a eletrificação, inaugurada três anos depois. A companhia foi dissolvida em 1926 e a exploração passou para a Carris, que manteve o amarelo hoje associado aos carros.
O que o registo descreve
Os carros originais tinham dois pisos, com bancos corridos que ficavam de costas para a rua no inferior e de frente para a rua no superior, a que se subia por uma escada em caracol. A descrição do registo refere dois carros que sobem e descem alternada e simultaneamente em duas vias paralelas, com uma cabina de três compartimentos: condução nas pontas e área do público ao centro.
Para compreender o lugar, convém olhar para a rua e não só para o carro. A classificação abrange o percurso, a Calçada da Glória (com os imóveis que a ladeiam), a Rua das Taipas junto ao Largo da Oliveirinha e a Travessa do Fala-Só.
Classificação
O Atlas do Património Classificado e o registo nacional dão o bem como Monumento Nacional, com a designação Ascensor da Glória e meio urbano que o envolve. O processo começou com uma proposta da Carris, de 1 de agosto de 1995; o Ministro da Cultura autorizou a classificação por despacho de 9 de abril de 1997. O Decreto n.º 5/2002, publicado no Diário da República, I Série-B, n.º 42, de 19 de fevereiro de 2002, concretizou-a. O registo lista ainda o Decreto n.º 31-F/2012, de 31 de dezembro de 2012, como ampliação.
A zona especial de proteção, comum ao ascensor e ao Palácio Foz, foi fixada pela Portaria n.º 394/2018, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 153, de 9 de agosto de 2018, com restrições. O ascensor não é Património Mundial da UNESCO.
O acidente de 3 de setembro de 2025
A 3 de setembro de 2025 ocorreu um acidente com o Ascensor da Glória. O Governo, a 4 de setembro de 2025, confirmou 16 mortos. O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) conduz o inquérito técnico e divulgou um relatório preliminar em outubro de 2025. O próprio documento sublinha que a informação é incompleta e que não constitui conclusões finais; a Carris cita-o ao afirmar que ainda não é possível dizer se as desconformidades na utilização do cabo foram relevantes para o acidente. Por isso, esta página não indica causas.
Na consulta de 5 de novembro de 2026, o relatório final não era conhecido. As informações sobre o inquérito e eventuais responsabilidades devem ser procuradas junto do GPIAAF e das autoridades judiciárias.
Situação atual e futuro
Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página dos ascensores da Carris dava o Ascensor da Glória como encerrado temporariamente. A Carris e a Câmara de Lisboa constituíram, em setembro de 2025, um grupo de missão com representantes do LNEC, da Ordem dos Engenheiros e do Instituto Superior Técnico para estudar um novo sistema tecnológico, com o objetivo declarado de preservar o valor patrimonial do ascensor. A RFM noticiou, a 2 de setembro de 2026, que a Carris prevê um novo equipamento no mesmo percurso e aponta o regresso para o primeiro semestre de 2029, sujeito a alterações.
Mesmo sem o ascensor em serviço, a Calçada da Glória e a Rua de São Pedro de Alcântara, que o registo refere como um dos melhores miradouros da cidade, podem ser vistas a pé. Para equipamentos semelhantes, veja o Elevador de Santa Justa, também encerrado nessa data, e o património industrial.
Fotografia de Jakub Hałun, de 4 de junho de 2025. Original no Wikimedia Commons, sob CC BY 4.0; redimensionada e comprimida para a web, sem alterar a composição.
Perguntas frequentes
- Quando abriu o Ascensor da Glória e quem o projetou?
- Foi inaugurado a 24 de outubro de 1885. O registo do Património Cultural atribui o projeto ao engenheiro Raoul Mesnier du Ponsard, e a Carris confirma a data de abertura.
- O Ascensor da Glória é monumento classificado?
- Sim. Está classificado como Monumento Nacional, com a designação Ascensor da Glória e meio urbano que o envolve. A classificação data do Decreto n.º 5/2002, de 19 de fevereiro de 2002, e o registo lista também o Decreto n.º 31-F/2012 como ampliação.
- O ascensor está a funcionar?
- Na consulta de 5 de novembro de 2026, a página da Carris indicava o Ascensor da Glória como encerrado temporariamente, situação que se mantém desde o acidente de 3 de setembro de 2025. Confirme no site da Carris.
- Vai ser reconstruído?
- A Carris e a Câmara Municipal de Lisboa anunciaram a criação de um grupo de missão para estudar um novo sistema tecnológico, a preservar o valor patrimonial do equipamento. Segundo a imprensa, a reabertura está apontada para 2029, sem data confirmada.
Fontes
- Património Cultural, I.P. — Ascensor da Glória e meio urbano que o envolve (70133)
- Património Cultural, I.P. — Atlas do Património Classificado, registo NINV 1567
- Carris — Ascensores
- Carris — Constituída equipa de missão para conceção de um novo sistema tecnológico do futuro Ascensor da Glória (11-09-2025)
- Carris — Comunicado à imprensa sobre o Relatório Preliminar do GPIAAF (outubro de 2025)
- Governo de Portugal — Primeiro-Ministro: Esta é uma das maiores tragédias humanas da nossa história recente (4-09-2025)
- RFM — Glória, Bica, Lavra e Santa Justa: um ano depois do acidente (02-09-2026)
- Wikidata — Ascensor da Glória (Q99636)
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